Esclareça suas dúvidas. Aqui você encontra as informações importantes sobre o diagnóstico e tratamento das principais doenças do ombro. Saiba mais sobre as lesões do manguito rotador, capsulite adesiva, tendinite calcária e luxação do ombro, entre outras.

O que é a articulação acromioclavicular? Quais as principais doenças?

É a articulação entre a região distal da clavícula e um processo ósseo da escápula chamado acrômio. É uma articulação incongruente, isto é, as superfícies de cartilagem dos dois ossos que compõem esta articulação não tem um encaixe perfeito.

Esta articulação é estabilizada por ligamentos entre a clavícula e o acrômio e pelos ligamentos trapezoide e conóide, que estão entre a clavícula e o processo coracóide da escápula.

 

Articulação acromioclavicular

Articulação acromioclavicular

Principais doenças

Artrose acromioclavicular

A articulação acromioclavicular é incongruente, isto leva a um desgaste precoce desta articulação e podemos encontrar uma artropatia degenerativa em pacientes com menos de 50 anos de idade. O sintoma mais comum é dor no ombro que ocorre mais comumente quando o paciente eleva o braço acima da cabeça. A dor é predominantemente na região superior do ombro sobre a articulação acromioclavicular, mas pode irradiar para os músculos trapézio e deltóide.

Entretanto cabe ressaltar que embora seja muito comum a artrose da articulação acromioclavicular, raramente ela causa sintomas.

Saiba mais no artigo sobre Artrose ou Artropatia degenerativa acromioclavicular.

Legenda: Radiografia com sinais da artrose acromioclavicular

Radiografia com sinais da artrose acromioclavicular

 

Osteólise da clavícula distal ou da articulação acromioclavicular

A osteólise da clavícula distal é como uma fratura de stress, no qual o osso submetido a esforços repetitivos entra em fadiga perdendo seu componente mineral e a capacidade de suportar carga. É uma das causas de dor no ombro mais comuns nos atletas ou trabalhadores braçais. O paciente se queixa de dor no ombro e a característica principal é a dor quando palpamos a articulação acromioclavicular. Leia mais sobre no post sobre Osteólise da clavícula distal.

Localização da dor na osteólise da articulação acromioclavicular

Localização da dor na osteólise da articulação acromioclavicular

 

Luxação acromioclavicular

A luxação acromioclavicular é a lesão que acomete os ligamentos entre a clavícula na sua porção mais lateral e o acrômio, ocasionando a perda do contato normal entre as superfícies articulares entre estes dois ossos. Ocorre frequentemente em traumatismos quando o paciente cai sobre o ombro. Os sintomas são dor e edema na região lateral do ombro. A luxação acromioclavicular pode ser diagnosticada por radiografias do ombro. Em casos mais leves, as radiografias podem ser normais, nestes casos a ressonância magnética pode confirmar o diagnóstico. Saiba mais no artigo sobre a Luxação acromioclavicular.

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Dor no ombro e no pescoço (cervicobraquialgia)

A dor no ombro e no pescoço é extremamente comum. Os pacientes com dor no ombro e no pescoço geralmente têm algum tipo de alteração na ergonomia do trabalho ou em suas atividades diárias. Pessoas que trabalham muitas horas na frente do computador ou em algumas posturas fixas por muitas horas estão sujeitas a episódios de dor nestes locais. Neste artigo, tentaremos esclarecer quais são as suas possíveis causas e seu tratamento.

Quais são as causas de dor no ombro e no pescoço?

Doenças da coluna cervical, como a hérnia de disco e a artrose da coluna vertebral (espondiloartrose) podem ser as responsáveis pelos sintomas dolorosos no pescoço, no ombro, bem como em todo membro superior. Doenças do ombro como a rotura do manguito rotador, tendinite calcária, capsulite adesiva, lesões SLAP, podem causar também estes sintomas. Outras causas possíveis de dor no ombro e no pescoço são as dores miofasciais, a discinesia escapular e a disfunção da ATM (articulação temporomandibular).

Não é incomum, encontramos uma associação de problemas. Podemos ter um paciente com lesão do manguito rotador e artrose na coluna cervical. E a dor ser causada pelos dois problemas.

  • Para saber mais sobre as lesões do manguito rotador, clique aqui
  • Para entender mais sobre a capsulite adesiva, clique aqui

Por que doenças da coluna cervical podem causar dor no ombro ou no braço?

Os nervos responsáveis pela sensibilidade e pela movimentação dos membros superiores se originam na coluna cervical. Doenças como hérnias de disco ou artrose da coluna cervical podem comprimir ou diminuir o espaço por onde passam estes nervos, podendo provocar dor na coluna cervical, bem como nos ombros ou membros superiores.

Hérnia de disco comprimindo uma raiz nervosa da coluna cervical

Hérnia de disco comprimindo uma raiz nervosa da coluna cervical

 

Como o médico pode diferenciar se a dor é proveniente da coluna cervical ou do ombro?

Algumas características da história e do exame físico, podem ajudar no diagnóstico diferencial.

Doenças do ombro geralmente ocasionam dor na região lateral e anterior (frente) do ombro e a dor piora com a elevação do braço. A dor noturna também é  comum e dificilmente a dor irradia-se até a mão ou pescoço. Formigamento e perda de sensibilidade não são características presentes.

As doenças da coluna cervical ou cervicobraquialgias frequentemente ocasionam dor no pescoço que pode irradiar-se para a região posterior (atrás) do ombro e por todo membro superior até a mão. A dor não piora com a elevação do ombro e pode até melhorar com este movimento.  Formigamento e perda de sensibilidade podem estar presentes.

Procure um médico ortopedista, para um diagnóstico mais preciso.

Locais comuns de dor por doenças do ombro (A e B) e por doenças da coluna cervical (C)

Locais comuns de dor por doenças do ombro (A e B) e por doenças da coluna cervical (C)

 

Quais exames podem ajudar no diagnóstico?

A radiografia do ombro e da coluna cervical podem ajudar no diagnóstico. Mas sem dúvida, a ressonância magnética do ombro e da coluna cervical é o exame que fornece as melhores imagens para um diagnóstico mais preciso das doenças do ombro bem como da coluna cervical. Para pacientes com alterações neurológicas, como perda de força ou alterações de sensibilidade, pode também ser realizada uma eletroneuromiografia dos membros superiores.

Ressonância magnética demonstrando uma hérnia de disco cervical

Ressonância magnética demonstrando uma hérnia de disco cervical

Qual é o tratamento das cervicobraquialgias?

As cervicobraquialgias geralmente são de tratamento não cirúrgico com uso de anti-inflamatórios, analgésicos e tratamento fisioterápico. Na falha do tratamento não-cirúrgico ou em situações muito específicas como déficits neurológicos progressivos ou estenose do canal medular pode estar indicado o tratamento cirúrgico. Converse com o seu médico, sobre as opções de tratamento.

Artrose ou Artropatia degenerativa acromioclavicular

A artrose ou artropatia degenerativa acromioclavicular é uma das causas mais comuns de dor no ombro.  Acomete preferencialmente indivíduos dos 30 aos 50 anos de idade e está associada com atividades esportivas ou profissionais que exigem elevação dos membros superiores acima do nível da cabeça como esportes de arremesso e natação. Também é muito encontrada em praticantes de musculação.

O que é a articulação acromioclavicular?

É a articulação entre a região distal da clavícula e um processo ósseo da escápula chamado acrômio. É uma articulação incongruente, isto é, as superfícies de cartilagem dos dois ossos que compõem esta articulação não tem um encaixe perfeito. Isto leva a um desgaste precoce  e podemos encontrar uma artropatia degenerativa da articulação acromioclavicular em pacientes com menos de 50 anos de idade.

Articulação acromioclavicular

Articulação acromioclavicular

O que é artrose?

Uma articulação para ter uma movimentação adequada e sem dor precisa ter suas superfícies recobertas de cartilagem saudáveis, lisas e bem lubrificadas. Na artrose ou artropatia degenerativa da articulação acromioclavicular ocorre um desgaste da cartilagem podendo causar dor.

Quais são os sintomas da artrose ou artropatia degenerativa acromioclavicular?

O sintoma mais comum é dor no ombro que ocorre mais comumente quando o paciente eleva o braço acima da cabeça. A dor é predominantemente na região superior do ombro sobre a articulação acromioclavicular, mas pode irradiar para os músculos trapézio e deltóide.

Localização da dor na artropatia degenerativa (artrose) acromioclavicular

Localização da dor na artropatia degenerativa (artrose) acromioclavicular

Quais exames fazem o diagnóstico desta doença?

Na radiografia do ombro podemos observar diminuição do espaço articular, cistos e esclerose subcondral, bem como osteófitos na articulação acromioclavicular.

Radiografia do ombro com sinais de artropatia degenerativa (artrose) acromioclavicular

Radiografia do ombro com sinais de artropatia degenerativa (artrose) acromioclavicular

 

A ressonância magnética do ombro pode também demostrar estas alterações e tem como vantagem permitir o diagnóstico de outras lesões concomitantes no ombro, como roturas do manguito rotador, lesões labrais e da cabeça longa do bíceps.

Entretanto, é importante ressaltar que comumente encontramos, no laudo da ressonância magnética do ombro de diversos pacientes, a presença de artropatia degenerativa da articulação acromioclavicular. Este achado muitas vezes não é significativo e não tem correlação com os sintomas do paciente, outros problemas no ombro são as causas da dor nestes pacientes.

Ressonância magnética demonstrando artrose acromioclavicular

Ressonância magnética demonstrando artrose acromioclavicular

Como é o tratamento da artrose ou artropatia degenerativa acromioclavicular?

O tratamento da artrose acromioclavicular é preferencialmente não cirúrgico.  É utilizado anti-inflamatórios, analgésicos e o tratamento fisioterápico. Devem também ser evitados movimentos repetitivos de elevação dos ombros, especialmente aqueles com carga. O tratamento fisioterápico, tem como objetivo, aumentar a flexibilidade do ombro e fortalecer a musculatura ao redor da escápula e do manguito rotador, protegendo a articulação acromioclavicular. Se este tratamento for ineficaz pode ser realizada uma infiltração com corticóide nesta articulação.

Tratamento cirúrgico – quando está indicado e como é realizado?

O tratamento cirúrgico está indicado quando todas as medidas do tratamento não cirúrgico falham. O tratamento cirúrgico consiste na remoção ou ressecção da clavícula distal (Mumford). Pode ser realizado pelo método aberto ou por artroscopia. A vantagem do tratamento artroscópico é a preservação do músculo deltóide e do ligamento acromioclavicular superior, permitindo uma recuperação mais rápida.

Ressecção da clavícula distal por artroscopia

Artropatia do manguito rotador

O que é a artropatia do manguito rotador?

A artropatia do manguito rotador é a artrose do ombro causada por lesões grandes ou extensas do manguito rotador e ocorre principalmente em pacientes acima dos 65 anos de idade.  O desgaste da cartilagem, que recobre os ossos da articulação do ombro, ocorre anos ou décadas após os primeiros sintomas das roturas do manguito rotador.

Quais são as causas da artropatia do manguito rotador?

Nem todas lesões do manguito rotador extensas e crônicas tornam-se uma artropatia do manguito rotador. Apenas 2% dos pacientes com roturas do manguito rotador desenvolverão este tipo de artrose. Os motivos que ocasionam a artropatia do manguito rotador são desconhecidos, mas acredita-se que substâncias inflamatórias liberadas pelo tecido sinovial que recobre a cápsula articular do ombro, em pacientes com lesões crônicas do manguito rotador,  ocasionem a destruição e o desgaste da cartilagem da cabeça do úmero. A melhor de prevenir a artropatia do manguito rotador é tratar adequadamente as lesões do manguito rotador. Para saber mais sobre o diagnóstico e o tratamento, leia o artigo lesão do manguito rotador.

Quais são os sintomas da artropatia do manguito rotador?

Os pacientes com artropatia do manguito rotador têm dor no ombro e podem ter grande dificuldade de elevar o membro superior, conhecida como “pseudoparalisia do ombro”. Esta limitação da função do ombro, pode tornar atividades da vida diária como pentear o cabelo, colocar a mão na boca ou vestir-se muito difíceis.

Paciente com artropatia do manguito rotador bilateral e “psedoparalisia do ombros”.

Paciente com artropatia do manguito rotador bilateral e “psedoparalisia dos ombros”.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito pelo exame clínico do paciente  e de imagem como a radiografia do ombro e a ressonância magnética.

A radiografia do ombro mostra sinais de desgaste da cartilagem  e a ascensão da cabeça do úmero, que fica encostada no acrômio.

Radiografia do ombro. A) artropatia do manguito rotador com a cabeça do úmero mais alta, encostada no acrômio; B) ombro normal

Radiografia do ombro. A) artropatia do manguito rotador com a cabeça do úmero mais alta, encostada no acrômio; B) ombro normal

Na ressonância magnética, visualizamos uma lesão do manguito rotador com grande retração, o desgaste da cartilagem, a cabeça do úmero encostada no acrômio e sinais de substituição da musculatura do manguito rotador por gordura, conhecida como “degeneração gordurosa”.

Ressonância magnética do ombro com artropatia do manguito rotador. A) Rotura do tendão supraespinal com grande retração (seta). B) Degeneração gordurosa dos músculos supraespinal e infraespinal.

Ressonância magnética do ombro com artropatia do manguito rotador. A) Rotura do tendão supraespinal com grande retração (seta). B) Degeneração gordurosa dos músculos supraespinal e infraespinal.

Qual é o tratamento da artropatia do manguito rotador?

O tratamento inicial deve ser não cirúrgico. Podemos utilizar analgésicos, gelo e anti-inflamatórios.  O tratamento fisioterápico pode ser realizado, com a intenção de reduzir a dor e fortalecer os músculos deltóide, romboides, serrátil anterior e trapézio. Estes músculos são muito importantes na movimentação do ombro em várias posições, auxiliando o manguito rotador. Infiltração com corticóide ou ácido hialurônico podem também ser utilizadas, alguns estudos indicam que estas substâncias são eficazes no alívio da dor a curto prazo.

Quando os sintomas como a dor ou limitação da movimentação não melhoram após 4 a 6 meses com o tratamento não-cirúrgico, está indicada a cirurgia.

Como é o tratamento cirúrgico da artropatia do manguito rotador?

O tratamento deve ser individualizado de acordo com os sintomas do paciente.

Pacientes com dor, mas com função quase normal dos ombros, ocasionalmente podem ser submetidos a um debridamento artroscópico do ombro, isto é, uma cirurgia mais simples por artroscopia onde retirarmos apenas os tecidos inflamados, o que permite uma melhora da dor.

Entretanto a maioria dos pacientes com indicação cirúrgica, além da dor possuem uma limitação acentuada da movimentação, conhecida como “pseudoparalisia do ombro”.  Estes pacientes devem ser submetidos a substituição da articulação por uma prótese. Este procedimento tem o nome de artroplastia reversa do ombro.

Prótese reversa do ombro

Prótese reversa do ombro

A prótese reversa do ombro é um tipo especial de prótese que não precisa do manguito rotador íntegro, ela depende apenas da função do músculo deltóide. Esta prótese traz bons resultados na melhora da dor e da função dos ombros nos pacientes com artropatia do manguito rotador. Entretanto, tem em torno de 10% de complicações, como infecção, luxação ou soltura da prótese e sua indicação deve ser bem discutida entre o médico e o paciente. Procure um especialista de ombro e cotovelo para saber mais sobre a artropatia do manguito rotador e a prótese reversa.

Dor no ombro e diabetes

A diabetes é um problema de saúde mundial, estima-se que atualmente 250 milhões de pessoas tenha diabetes. Em 2030, teremos 360 milhões de diabéticos. O número crescente de pessoas é atribuído ao envelhecimento populacional e, principalmente, ao estilo de vida atual, caracterizado por inatividade física e hábitos alimentares que predispõem ao acúmulo de gordura corporal. No Brasil, temos 10 milhões de diabéticos.

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Quais são as complicações do diabetes?

As complicações do diabetes normalmente ocorrem devido ao mau controle da doença e ao excesso de açúcar no sangue, podendo causar lesões em todo o corpo, incluindo olhos, rins, vasos sanguíneos e nervos. Entretanto, muitas pessoas não sabem que esta doença também pode prejudicar os seus ombros.

 

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Quais são as doenças nos ombros relacionadas ao diabetes?

As duas causas mais comuns de dor nos ombros, na população em geral, são a rotura do manguito rotador e a capsulite adesiva. Nos diabéticos, não é diferente. Entretanto, os diabéticos têm maior probabilidade de apresentarem estas duas doenças. Os diabéticos têm 5 vezes mais chance em relação a uma pessoa não diabética de ter capsulite adesiva (ombro congelado) e 13% dos diabéticos apresentaram um episódio de capsulite adesiva durante a vida. Em relação, a rotura do manguito rotador, os diabéticos têm 2 vezes mais chance que uma pessoa sem diabetes.

O que é a capsulite adesiva?

É uma doença que acomete o ombro caracterizada por dor, especialmente a noite e perda progressiva da movimentação. A capsulite ocorre por uma inflamação na cápsula articular do ombro, seguida por um enrijecimento da mesma com limitação dos movimentos da articulação. Leia mais no artigo sobre capsulite adesiva.

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Ombro com capsulite adesiva (visão pela artroscopia)

 

O que é a rotura do manguito rotador?

O manguito rotador é o conjunto de 4 tendões com seus respectivos músculos que se localizam no ombro e envolvem a cabeça do úmero. Os tendões são: tendão supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor. Esses tendões são importantes na boa mobilidade do ombro. É o manguito rotador que nos permitem levantar objetos, rodar o braço, arremessar uma bola e realizar diversas atividades da vida diária com os membros superiores. A rotura do manguito rotador é a causa mais comum de dor no ombro. A lesão do manguito rotador é quando ocorre rotura das fibras destes tendões. Leia mais sobre esta doença no artigo sobre lesões do manguito rotador.

Ressonância magnética demonstrando uma rotura do tendão supraespinal

Ressonância magnética demonstrando uma rotura do tendão supraespinal

 

Por que os pacientes diabéticos têm maior chance de ter estas duas doenças?

O excesso de glicose no sangue provoca alterações no metabolismo dos tendões e da cápsula articular do ombro.

A diabetes provoca uma diminuição do número e um afilamento das fibras de colágeno do manguito rotador, o que diminui sua resistência e pode levar a rotura destes tendões.

Em relação a capsulite adesiva, os motivos não são totalmente conhecidos. Acredita-se que a glicose se liga as fibras de colágeno da cápsula articular causando um enrijecimento da mesma. E pacientes diabéticos têm uma maior produção de substâncias inflamatórias nas células adiposas do corpo que provocam a inflamação e a rigidez do ombro congelado.

Como prevenir estas doenças?

As complicações do diabetes mellitus podem ser evitadas com a dieta, prática de atividade física e uso dos hipoglicemiantes orais ou insulina. Um bom controle glicêmico é fundamental.

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Visite frequentemente seu endocrinologista e ao apresentar qualquer sintoma de dor no ombro, procure um ortopedista especialista em ombro.

Idosos e dor no ombro

O envelhecimento da população é um fenômeno mundial. No Brasil, atualmente 11% das pessoas têm 60 anos ou mais. Em 2050, os idosos representarão um terço da população brasileira. Os idosos são responsáveis em torno de 40% das consultas médicas e metade das internações hospitalares. Portanto, é inevitável uma preocupação especial com as pessoas dessa faixa etária, pois elas são portadoras da maior parte das enfermidades.

Queixas de dor no ombro são comuns na população e ocorrem em 67% dos idosos. Nesta faixa etária os problemas mais comuns são a lesão do manguito rotador, a artropatia do manguito rotador e a artrose do ombro. As lesões do manguito rotador estão presentes em até 50% das pessoas acima dos 80 anos de idade. A artrose do ombro representa 37,5% dos diagnósticos nos pacientes com 80 anos ou mais com problemas nos ombros.

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O que é a lesão do manguito rotador?

O manguito rotador é o conjunto de 4 tendões com seus respectivos músculos que se localizam no ombro e envolvem a cabeça do úmero. Os tendões são: tendão supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor. Esses tendões são importantes na boa mobilidade do ombro. É o manguito rotador que nos permite levantar objetos, rodar o braço, arremessar uma bola e realizar diversas atividades da vida diária com os membros superiores. A lesão do manguito rotador é a causa mais comum de dor no ombro.

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Manguito rotador. A)imagem de frente B) imagem de lado C) imagem por trás

As lesões podem ocorrer de duas maneiras: traumatismos, por exemplo, acidentes automobilísticos, quedas da própria altura, ao carregar objetos muito pesados; ou com o nosso envelhecimento ocorre um enfraquecimento natural dos tendões, por diminuição ou alteração da estrutura das fibras de colágeno. Em algumas pessoas por características genéticas ou hábitos/antecedentes pessoais, por exemplo, tabagismo, esforços repetitivos pelo trabalho ou esporte, diabetes, reumatismos, podem ter um maior enfraquecimento do tendão, levando a sua ruptura ou lesão.

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Ressonância magnética demonstrando lesão do tendão supraespina

Leia mais sobre o diagnóstico e o tratamento destas lesões no artigo sobre a lesão do manguito rotador.

O que é a artrose do ombro?

A osteoartrose ou osteoartrite do ombro é uma doença caracterizada por um desgaste da cartilagem que recobre os ossos da cabeça do úmero e da glenoide (escápula). Uma articulação para ter uma movimentação adequada e sem dor precisa ter suas superfícies recobertas de cartilagem saudáveis, lisas e bem lubrificadas. Na artrose do ombro ocorre um desgaste da cartilagem causando dor e diminuição da movimentação. A artrose do ombro é muito menos frequente que a artrose do joelho ou quadril.

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Leia mais sobre o diagnóstico e o tratamento no artigo sobre a artrose do ombro.

Como é o tratamento das lesões do ombro nos idosos?

Evidentemente que o tratamento vai depender do diagnóstico e da gravidade das lesões. Mas podemos ressaltar que neste grupo de pacientes o tratamento não-cirúrgico é a primeira opção na maioria dos casos. Podemos utilizar gelo, antiinflamatórios e analgésicos. Devem ser evitados também os fatores que iniciaram ou agravaram os sintomas. O tratamento fisioterápico envolve, inicialmente, um protocolo de analgesia, que pode incluir a utilização de gelo ou calor local com a utilização de ultrassom, ondas curtas ou outros meios físicos. Posteriormente, são seguidos protocolos de alongamento e fortalecimento da musculatura ao redor da escápula e do manguito rotador.

O tratamento cirúrgico pode ser indicado nos pacientes no qual o tratamento clínico falhou e  que não tenham problemas de saúde grave que impeçam sua realização. O tipo de cirurgia depende do diagnóstico do paciente.

Alongamentos e dor no ombro

Muitos pacientes com dor no ombro por tendinite do manguito rotador,  lesão SLAP, tendinite do bíceps ou lesão do manguito rotador  possuem contratura do músculo peitoral menor e da cápsula posterior do ombro. Portanto, o alongamento destas estruturas do ombro são importantes no tratamento destas lesões.

O músculo peitoral menor encurtado puxa a escápula para baixo, diminuindo o espaço por onde passam os tendões supraespinal e infraespinal do manguito rotador. Com isto temos um aumento do atrito entre os tendões do manguito rotador e o acrômio podendo levar a dor e inflamação destes tendões e da bursa subacromial.  Portanto, o alongamento do músculo peitoral menor é muito importante na reabilitação dos pacientes com dor no ombro.

Músculo peitoral menor

Músculo peitoral menor

 

Os alongamentos mais utilizados para alongamento do músculo peitoral menor são:

corner stretch

Corner stretch

sumo stretch

Sumo stretch

Legenda: A) upper back roll stretch B) center spine roll stretch

A) upper back roll stretch B) center spine roll stretch

Legenda: alongamento para o músculo peitoral menor

Alongamentos para o músculo peitoral menor

Outra alteração muito comum nos pacientes com dor no ombro é a contratura da cápsula posterior do ombro.  Esta alteração leva a uma limitação de um movimento específico do ombro, chamado de rotação interna.  Após certo período, o ombro com restrição da rotação interna passa a funcionar de modo alterado e sua rotação não ocorre mais no centro da articulação. Isto ocasiona um tensionamento excessivo de um tendão que tem origem no lábio da glenóide, chamado “cabeça longa do bíceps”.  Esta é a origem ou causa das lesões SLAP ou lesões do lábio superior da glenóide.  Leia mais sobre o diagnóstico e tratamento no artigo lesão SLAP.

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Medida da rotação interna do ombro

 

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Slepper stretch

 

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Cross-arm stretch

 

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Capsule posterior stretch

Não podemos esquecer que no tratamento das doenças do ombro deve ser realizado o alongamento do músculo trapézio – porção superior e da musculatura cervical.

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Alongamento do músculo trapézio

Mas antes procure um médico ortopedista especialista de ombro. Garantindo um diagnóstico e plano de tratamento adequado para seu problema.

Lesão do manguito rotador

O que é o manguito rotador?

O manguito rotador é o conjunto de 4 tendões com seus respectivos músculos que se localizam no ombro e envolvem a cabeça do úmero. Os tendões são: tendão supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor. Esses tendões são importantes na boa mobilidade do ombro. É o manguito rotador que nos permitem levantar objetos, rodar o braço, arremessar uma bola e realizar diversas atividades da vida diária com os membros superiores. A lesão do manguito rotador é a causa mais comum de dor no ombro.

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A)imagem de frente B) imagem de lado C) imagem por trás

Quais são as causas da lesão do manguito rotador?

As lesões podem ocorrer de duas maneiras:

  • Por traumatismos ou acidentes, por exemplo, acidentes automobilísticos, quedas da própria altura, ao carregar objetos muito pesados;
  • Degenerativas: com o nosso envelhecimento ocorre um enfraquecimento natural dos tendões, por diminuição ou alteração da estrutura das fibras de colágeno. Em algumas pessoas por características genéticas ou hábitos/antecedentes pessoais, por exemplo, tabagismo, esforços repetitivos pelo trabalho ou esporte, diabetes, reumatismos, podem ter um maior enfraquecimento do tendão, levando a sua ruptura ou lesão.

Quais são os sintomas da lesão do manguito rotador?

A dor está presente na maioria dos casos. Frequentemente está localizada na região mais lateral do ombro e irradia-se para o braço. Piora com a movimentação do ombro. E pode ser pior a noite, ao deitar na cama.

A dor também pode irradiar para a parte de trás ou para frente do ombro. Em muitos casos de dor mais próxima do pescoço, a origem do problema está na coluna cervical, e não no ombro, e pode ser causada por irradiação de uma hérnia de disco ou de uma artrose cervical.

Outro sintomas muito comum é a perda de força ou movimentação do ombro que comumente ocorre em lesões de maior tamanho.

dor na região lateral do braço compatível com lesão do manguito rotador

Dor na região lateral do braço compatível com lesão do manguito rotador

Localização da dor compatível com doenças da coluna cervical

Quais exames são importantes para o diagnóstico da lesão do manguito rotador?

A ressonância magnética é o melhor exame para o diagnóstico da lesão do manguito rotador. Permite avaliarmos a presença ou não da lesão, o seu tamanho e localização. Auxiliando na programação do melhor tratamento.

O ultrassom também permite o diagnóstico destas lesões mas com uma acurácia inferior à ressonância magnética, pois depende muito da experiência do medico radiologista.

A radiografia serve apenas para descartamos outros diagnósticos diferenciais como a artrose.

Ressonância magnética demonstrando lesão do tendão supraespinal

Ressonância magnética demonstrando lesão do tendão supraespinal

Quais são os tipos de lesão do manguito rotador?

As lesões do manguito rotador podem ser parciais, quando não ocorreu rompimento de toda espessura do tendão, ou completa/transfixante. Também as lesões são diferentes no número de tendões que são acometidos. As lesões são mais comuns no tendão supraespinal, seguidas pelo tendão infraespinal e do subescapular.

O tamanho da lesão também é importante sendo pequenas, lesões até 1 cm, médias, de 1 a 3 cm e grandes, lesões maiores que 3 cm. Outro aspecto importante avaliado pelo médico é a atrofia ou degeneração muscular que pode ocorrer nas lesões crônicas do manguito rotador.

A) Músculo sem atrofia B) Músculo com atrofia leve C) Músculo com atrofia grave

A) Músculo sem atrofia B) Músculo com atrofia leve C) Músculo com atrofia grave

Qual o tratamento da lesão do manguito rotador?

O melhor tratamento destas lesões depende de uma série de fatores como: idade do paciente, intensidade da dor, perda da função, número de tendões acometidos, se a lesão é parcial ou completa. Portanto, o tratamento deve ser individualizado para cada paciente. As lesões dos tendões não cicatrizam sozinhas. No entanto, nem todas as lesões precisam de cirurgia.

As lesões parciais do manguito rotador são geralmente de tratamento não-cirúrgico.  Utilizamos medicações antiinflamatórias, repouso, gelo e indicamos o tratamento fisioterápico com objetivo de reduzir a dor, melhor o alongamento e  fortalecer a musculatura ao redor do ombro. Evidentemente que as lesões dos tendões não cicatrizam mas podem ficar estáveis e assintomáticas por longo período. A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador com reabilitação, corretamente feito por 3 a 6 meses, falha, ou seja, quando o paciente mantém dor e disfunção.  Para lesões acometendo menos que 50% da espessura do tendão, o tratamento não cirúrgico é muito eficiente,  o fortalecimento da musculatura, poupa a solicitação dos tendões do manguito rotador, permitindo que a lesão não progrida. Para lesões maiores que 50%, muitas vezes, o tratamento fisioterápico pode não ser eficaz.

Nas lesões completas ou transfixantes, a regra é o tratamento cirúrgico para a maioria dos casos. As lesões completas podem progredir de tamanho ao longo do tempo e quando uma lesão progride muito, ela pode se tornar irreparável, ou seja, mesmo com a cirurgia o tendão pode não retornar ao seu local de origem ou mesmo ter um risco altíssimo de rerotura. O tratamento não cirúrgico é reservado para pessoas com baixa utilização dos ombros (idosos não ativos) ou pessoas com contraindicações clínicas para o tratamento cirúrgico.  No entanto, se o paciente tem pouca ou nenhuma dor, a conduta pode ser não cirúrgica, realizando-se uma reabilitação adequada, evitando-se movimentos com o braço elevado e realizando um seguimento médico periódico para avaliar se há progressão da lesão ou piora dos sintomas.

Como é o tratamento cirúrgico da lesão do manguito rotador?

Atualmente a maioria das lesões do manguito rotador são operadas por artroscopia. Normalmente o paciente permanence internado no hospital por menos de 24 horas. Usualmente, para a realização da artroscopia de ombro, o paciente é submetido a uma anestesia geral complementada pelo bloqueio dos nervos do plexo braquial.  Realizar o procedimento apenas com anestesia local, apesar de possível, não tem se mostrado  confortável para o paciente e equipe médica. O objetivo da cirurgia é suturar os tendões rompidos na sua inserção óssea. Para auxiliar o cirurgião, existem implantes chamados âncoras que facilitam o reparo tendíneo. Os resultados do tratamento cirúrgico são bons e excelentes em 90% dos pacientes, com melhora da dor e função. Entretanto lesões menores, com menor atrofia muscular e melhor qualidade tendínea têm melhores resultados. Para saber mais sobre o tratamento cirúrgico das roturas do manguito rotador, clique aqui.

Vídeo: Reparo do manguito rotador

Como é o pós-operatório da lesão do manguito rotador?

Os tendões não têm uma grande irrigação sanguínea, portanto sua cicatrização é lenta. Portanto, para não sobrecarregar a sutura tendínea e comprometer o reparo, mantemos uma tipoia por 4 a 6 semanas. Atividades leves e alongamentos completos são permitidos somente após 6 semanas da cirurgia. Atividade com pesos é permitido após 3 meses. Esportes ou atividades físicas podem ser liberados depois de 6 meses ou mais. É importante ressaltar que esses prazos variam de acordo com a qualidade e resistência dos tendões do paciente, do tamanho e grau de retração da lesão e da opinião de cada cirurgião.

Fiz a cirurgia de reparo do manguito rotador e ainda tenho muita dor?

No pós-operatório imediato (primeiras 6 semanas) é comum ter dor pelo próprio ato cirúrgico e pela processo cicatrização dos tendões. Posteriormente, a dor pode ter diversos motivos: reroturas dos tendões, reabilitação inadequada, capsulite adesiva. Outra possibilidade é um diagnóstico incorreto, isto é, sua dor não era proveniente da lesão do manguito rotador e sim de outra problema, como por exemplo, uma hérnia de disco cervical.

Luxação do ombro

O que é a luxação do ombro?

Luxação do ombro é a perda de contato entre os dois ossos que compõem esta articulação: a cabeça do úmero e a superfície articular da escápula (glenóide). As luxações podem ocorrer de dois modos: por trauma como acidentes, quedas ou lesões no esporte; ou luxar sem motivo aparente, por frouxidão nos ligamentos do ombro (atraumática).

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Quais as lesões ocorrem na luxação do ombro?

Quando o ombro luxa, frequentemente ocorrem lesões nas estruturas ligamentares responsáveis pela estabilidade da articulação. Estas estruturas são a cápsula articular, o lábio ou labrum da glenóide e os ligamentos glenoumerais. A luxação mais comum é a anterior, isto é, a cabeça do úmero desloca-se para frente em relação a escápula. Neste tipo de luxação encontramos frequentemente a lesão do lábio anterior da glenóide (lesão de Bankart).

Lesão de Bankart

Lesão de Bankart

Outro problema comum é a lesão de Hill-Sachs, uma fratura com afundamento da cabeça do úmero. Ela ocorre pois a cabeça do úmero colide com a borda anterior da glenoide. Esta colisão causa o esmagamento da cabeça do úmero, pois é um osso mais frágil que o osso da glenoide.

Lesão de Hill-Sachs

Lesão de Hill-Sachs

Em pacientes acima de 40 anos, além das lesões ligamentares, a luxação pode levar a lesões do manguito rotador.

Quais as complicações mais comuns da luxação do ombro?

A principal complicação é a cicatrização inadequada das estruturas ligamentares que pode levar a luxações recidivantes do ombro. Os deslocamentos podem ocorrer com maior facilidade. Em alguns pacientes podem ocorrer luxações, dormindo ou em atividades banais do cotidiano.

Episódios múltiplos de luxação do ombro aumentam o tamanho da lesão de Hill-Sachs e podem ocasionar fratura ou desgaste da região anterior da glenóide, agravando a instabilidade e aumentando a probabilidade de novas luxações.

Em pacientes maiores que 40 anos, a luxação pode provocar lesão dos tendões do manguito rotador.

Luxações recorrentes podem ocasionar desgaste da cartilagem da cabeça do úmero e da glenoide causando artrose.

A: ombro normal B: ombro com desgaste da região anterior da glenoide

A: ombro normal B: ombro com desgaste da região anterior da glenóide

Qual o tratamento imediato após a luxação do ombro?

Após o ombro deslocar ou sair do lugar, o tratamento imediato é reduzi-lo, isto é, recolocá-lo na sua posição original, restabelecendo o contato articular entre a cabeça do úmero e a glenoide. Isso deve ser feito por um médico e em ambiente hospitalar após avaliação clínica e realização de radiografias.

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É a primeira vez que meu ombro luxou, qual é o tratamento adequado?

Após a redução, o paciente deve ser imobilizado com uma tipoia. O tempo de imobilização depende da idade do paciente, pode ser de 2 a 4 semanas. Quanto mais jovem o paciente, maior o tempo de imobilização. Após este período, o paciente inicia o tratamento fisioterápico para restabelecimento da mobilidade articular e fortalecimento dos músculos do manguito rotador e estabilizadores da escápula.

Alguns artigos científicos recentes têm demonstrado que pacientes com idade inferior a 30 anos podem ter benefício se tratados cirurgicamente após o primeiro episódio de luxação, especialmente se do sexo masculino e praticante de esportes que utilizam os membros superiores. Neste grupo de pacientes, a recidiva dos episódios de luxação do ombro é de 50% sem o tratamento cirúrgico.

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Quais os exames devem ser realizados para a luxação do ombro?

Na luxação aguda, a radiografia é o exame que deve ser utilizado para confirmar o diagnóstico, excluir fraturas associadas e verificar se o ombro foi reduzido adequadamente.

Para pacientes com luxação recidivante, solicitamos a ressonância magnética, com este exame podemos diagnosticar as lesões ligamentares do ombro, a lesão de Hill-Sachs e verificar a presença de outras alterações como lesões tipo SLAP e lesões do manguito rotador.

Quando é indicado o tratamento não-cirúrgico para as luxações recidivantes?

Nos casos de luxação recidivante, o tratamento não-cirúrgico é indicado para os pacientes que apresentam frouxidão ligamentar sem lesão do lábio ou ligamentos, ou seja, nos casos atraumáticos.

O tratamento consiste no fortalecimento dos músculos do manguito rotador e estabilizadores da escápula. Evitando as posições do ombro no qual o paciente sente o ombro instável.

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Quando é indicado o tratamento cirúrgico para as luxações recidivantes?

O tratamento cirúrgico está indicado para todos os pacientes com 2 ou mais episódios de luxação do ombro e que possuem lesões ligamentares.

Como é o tratamento cirúrgico para as luxações do ombro?

A cirurgia geralmente é realizada por artroscopia. Nesta técnica minimamente invasiva, através de 3 incisões de 1 cm. Conseguimos reinserir os ligamentos lesados junto ao osso, através de pequenos parafusos de 3mm que tem fios de sutura na sua ponta, chamados de âncoras.  Os ligamentos reinseridos no seu local adequado, retensionam a capsula articular, restabelecendo os mecanismos estabilizadores do ombro perdidos durante a luxação. A cirurgia costuma ter alto índice de sucesso, 90-95% dos pacientes não apresentam novas luxações.

Vídeo: Tratamento cirúrgico da luxação do ombro

Em pacientes com grande desgaste ósseo pelas múltiplas luxações (lesões ósseas maiores que 25% da superfície articular da glenoide), o reparo isolado dos ligamentos não é suficiente para restabelecer a estabilidade do ombro. Nesses casos a cirurgia indicada é a de Latarjet. Que consiste na retirada de um enxerto ósseo. Este enxerto é retirado de um osso chamado coracoide próximo da articulação do ombro e fixado com parafusos na borda do defeito ósseo, aumentado a superfície óssea e estabilizando o ombro de modo adequado.

 

 Cirurgia de Latarjet

Cirurgia de Latarjet

Fiz a cirurgia para luxação do ombro e ele ainda sai do lugar?

Existem várias causas para a falha da cirurgia, entre elas podemos destacar: reparo isolado das lesões ligamentares em pacientes com defeitos ósseos grandes, não cicatrização dos ligamentos e falha na reabilitação.

Somente com uma avaliação clinica cuidadosa e exames de imagem pós-operatórios é possível identificar a causa e o tratamento possível para resolução do problema.

Como é a reabilitação pós-operatória?

O paciente deve ficar imobilizado com uma tipoia por 1 mês para o ligamento reinserido cicatrize adequadamente. Após este período são iniciados os exercícios para restabelecimento da mobilidade articular. O fortalecimento muscular é iniciado com 2 a 3 meses de pós-operatório. O paciente pode retornar para atividades esportivas sem restrições com 5 a 6 meses após o tratamento cirúrgico.

Lesão SLAP (lesão do lábio superior)

As lesões SLAP  são aquelas que ocorrem no lábio superior da glenóide. A superfície articular da escápula (glenóide) articula com a cabeça do úmero formando a articulação do ombro. O lábio é uma estrutura que circunda a superfície articular da glenóide aumentando a área e a estabilidade do ombro, evitando que ele luxe com a movimentação.

Estas lesões foram descobertas apenas há 25 anos com o desenvolvimento das técnicas de artroscopia e melhora dos métodos diagnósticos. Comumente estas lesões acometem a origem do músculo bíceps, pois um dos tendões deste músculo origina-se nesta região.

Representação anatômica da lesão SLAP

Representação anatômica da lesão SLAP

O que causa as lesões SLAP?

As lesões podem ter origem traumática durante uma atividade esportiva, queda ou outro acidente. Também podem ter origem degenerativa por movimentos repetitivos com os ombros. É comum sua presença em atletas de esporte de arremesso (tênis, vôlei, atletismo).

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Como é feito o diagnóstico?

Os pacientes com lesão SLAP referem dor no ombro que não tem uma localização específica, o que dificulta o diagnóstico. Em geral, o exame clínico do paciente pode ajudar, mas não confirma o problema. As lesões SLAP dificilmente são doenças isoladas nos ombros dos pacientes, normalmente as encontramos associadas a lesões do manguito rotador ou outras alterações degenerativas que confundem o diagnóstico. A ressonância magnética ou artroressonância (ressonância com contraste) são os exames que podem confirmar o diagnóstico.

Ressonância magnética demonstrando uma lesão SLAP

Ressonância magnética demonstrando uma lesão SLAP

Como é o tratamento das lesões SLAP?

As lesões SLAP não são todas tratadas cirurgicamente. A maioria das lesões são degenerativas, existe apenas uma leve alteração no lábio superior da glenóide. Para estes pacientes o tratamento fisioterápico está indicado. Os objetivos da reabilitação são alongamento da cápsula posterior do ombro que eventualmente está pouco alongada e fortalecimento da musculatura ao redor da escápula e dos rotadores externos e internos dos ombros. Atualmente, mesmo em pacientes jovens e atletas com lesões onde há destacamento do lábio, a reabilitação fisioterápica é o tratamento inicial, pois pode ser o suficiente para eliminar a dor do paciente e permitir a prática esportiva normal sem necessidade de um longo período de reabilitação. Uma publicação científica recente demonstrou que mesmo em atletas de alto rendimento, o tratamento não cirúrgico da lesão SLAP é efetivo em 70% dos casos.

Alongamento da cápsula posterior do ombro

Alongamento da cápsula posterior do ombro

Quando está indicado o tratamento cirúrgico da lesão SLAP e qual o melhor tratamento?

A minoria dos pacientes precisa de tratamento cirúrgico. Ele está indicado apenas quando não há melhora com a reabilitação fisioterápica. Existem 02 tipos de cirurgia: o reparo do lábio superior e a tenodese do bíceps. A primeira opção é indicada para pacientes abaixo de 40 anos de idade e a tenodese do bíceps para aqueles com mais de 40 anos.

No reparo da lesão SLAP, o lábio é reinserido na porção superior da glenoide com auxílio de âncoras.

Reparo da lesão SLAP com auxílio de âncoras

Reparo da lesão SLAP com auxílio de âncoras

Na tenodese, o bíceps é cortado de seu local original e reinserido no úmero com auxílio de âncoras ou parafusos. Ambas técnicas são feitas por artroscopia. As principais complicações do tratamento cirúrgico são dor residual, perda de força do arremesso e rigidez que podem ser minimizadas com a escolha da técnica adequada.

Tenodese da cabeça longa do bíceps

Tenodese da cabeça longa do bíceps

Como é o pós-operatório da lesão SLAP?

Após a cirurgia o paciente deve ficar imobilizado com tipoia por 1 mês, exercícios para ganho de amplitude da movimentação são iniciados após este período. Fortalecimento é iniciado após 3 meses da cirurgia e o retorno ao esporte de 5 a 6 meses.

Cisto paralabral e a lesão SLAP

Cisto paralabral no ombro

Cisto paralabral no ombro

Algumas lesões SLAP podem favorecer a formação de cistos ao redor da articulação do ombro, chamados cistos paralabrais ou paralabiais. Este cisto é benigno e formado pelo acúmulo de líquido articular que escapa da articulação pela lesão SLAP. A maioria dos cistos são assintomáticos e não necessitam ser tratados, mas alguns quando grandes podem comprimir algum nervo e levar a dor e diminuição da força. Quando existe esta compressão deve ser indicado o tratamento cirúrgico.