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O que é a articulação acromioclavicular? Quais as principais doenças?

É a articulação entre a região distal da clavícula e um processo ósseo da escápula chamado acrômio. É uma articulação incongruente, isto é, as superfícies de cartilagem dos dois ossos que compõem esta articulação não tem um encaixe perfeito.

Esta articulação é estabilizada por ligamentos entre a clavícula e o acrômio e pelos ligamentos trapezoide e conóide, que estão entre a clavícula e o processo coracóide da escápula.

 

Articulação acromioclavicular

Articulação acromioclavicular

Principais doenças

Artrose acromioclavicular

A articulação acromioclavicular é incongruente, isto leva a um desgaste precoce desta articulação e podemos encontrar uma artropatia degenerativa em pacientes com menos de 50 anos de idade. O sintoma mais comum é dor no ombro que ocorre mais comumente quando o paciente eleva o braço acima da cabeça. A dor é predominantemente na região superior do ombro sobre a articulação acromioclavicular, mas pode irradiar para os músculos trapézio e deltóide.

Entretanto cabe ressaltar que embora seja muito comum a artrose da articulação acromioclavicular, raramente ela causa sintomas.

Saiba mais no artigo sobre Artrose ou Artropatia degenerativa acromioclavicular.

Legenda: Radiografia com sinais da artrose acromioclavicular

Radiografia com sinais da artrose acromioclavicular

 

Osteólise da clavícula distal ou da articulação acromioclavicular

A osteólise da clavícula distal é como uma fratura de stress, no qual o osso submetido a esforços repetitivos entra em fadiga perdendo seu componente mineral e a capacidade de suportar carga. É uma das causas de dor no ombro mais comuns nos atletas ou trabalhadores braçais. O paciente se queixa de dor no ombro e a característica principal é a dor quando palpamos a articulação acromioclavicular. Leia mais sobre no post sobre Osteólise da clavícula distal.

Localização da dor na osteólise da articulação acromioclavicular

Localização da dor na osteólise da articulação acromioclavicular

 

Luxação acromioclavicular

A luxação acromioclavicular é a lesão que acomete os ligamentos entre a clavícula na sua porção mais lateral e o acrômio, ocasionando a perda do contato normal entre as superfícies articulares entre estes dois ossos. Ocorre frequentemente em traumatismos quando o paciente cai sobre o ombro. Os sintomas são dor e edema na região lateral do ombro. A luxação acromioclavicular pode ser diagnosticada por radiografias do ombro. Em casos mais leves, as radiografias podem ser normais, nestes casos a ressonância magnética pode confirmar o diagnóstico. Saiba mais no artigo sobre a Luxação acromioclavicular.

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Luxação acromioclavicular

O que é a luxação acromioclavicular?

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É uma lesão que ocorre nos ligamentos entre a clavícula na sua porção mais lateral e o acrômio, ocasionando a perda do contato normal entre as superfícies articulares destes dois ossos. Ocorre frequentemente em traumatismos quando o paciente cai sobre o ombro. Comum em esportes como judô, ciclismo e futebol. A articulação entre a clavícula e o acrômio é estabilizada por dois conjuntos de ligamentos: um entre o acrômio e a clavícula e outro entre a clavícula e o processo coracoide.

Figura demonstrando a lesão dos ligamentos estabilizadores da articulação acromioclavicular

Figura demonstrando a lesão dos ligamentos estabilizadores da articulação acromioclavicular.

Quais são os sintomas e como podemos diagnóstica-la?

Os sintomas são dor e edema na região mais lateral da clavícula. Dificuldade para elevar o ombro. A luxação acromioclavicular é facilmente diagnosticada por radiografias do ombro. Em casos mais leves, as radiografias podem ser normais, nestes casos a ressonância magnética pode confirmar o diagnóstico.

Ressonância magnética do ombro demonstrando ruptura dos ligamentos coracoclaviculares

Ressonância magnética do ombro demonstrando ruptura dos ligamentos coracoclaviculares.

Quais são os diferentes tipos da luxação acromioclavicular?

A luxação acromioclavicular pode ser classificada pelo grau de lesão dos ligamentos acromioclaviculares e coracoclaviculares e consequentemente pelo desvio da clavícula em relação ao acrômio.

No tipo 1, o mais leve, temos apenas um estiramento dos ligamentos acromioclaviculares, sem nenhum desvio da clavícula;

No tipo 2, temos um rompimento dos ligamentos acromioclaviculares, mas os ligamentos coracoclaviculares estão íntegros, também não ocorre nenhum desvio da clavícula;

No tipo 3 ocorre ruptura dos ligamentos coracoclaviculares com desvio para cima da clavícula de 25 a 100% em relação ao lado normal;

Nos tipos 4 e 5 ocorrem lesão de todos ligamentos e da musculatura ao redor da clavícula e acrômio, levando a um desvio maior da clavícula. No tipo 4, a clavícula desvia-se para trás e no tipo 5, o desvio superior da clavícula é de mais de 100% em relação ao lado contralateral.

 

 Radiografia demonstrando luxação acromioclavicular tipo 5 com desvio superior a 100%

Radiografia demonstrando luxação acromioclavicular tipo 5 com desvio superior a 100%

Como é o tratamento da luxação acromioclavicular?

Os tipos 1 e 2 são sempre de tratamento não-cirúrgico, com uso de gelo, antiinflamatórios e tipoia por 7 a 14 dias. Posteriormente deve ser iniciado o tratamento fisioterápico para recuperação da movimentação e força do ombro.

O tratamento das luxações do tipo 3 é assunto controverso entre os especialistas de ombro, mas as evidências atuais apontam que o melhor tratamento seja o não-cirúrgico.

Para as lesões do tipo 4 ou 5, o tratamento deve ser cirúrgico.

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Como é o tratamento cirúrgico?

O tratamento cirúrgico pode ser feito pelo método aberto ou artroscópico, existem múltiplas técnicas e dispositivos para redução e estabilização da clavícula. Entretanto o mais importante é que nas lesões com menos de 4 semanas, apenas a redução e estabilização da clavícula são suficientes para cicatrização dos ligamentos na sua posição original.

Nas lesões com mais de 4 semanas é necessário o uso de algum reforço biológico. Esse reforço pode ser um ligamento do próprio ombro (cirurgia de Weaver-Dunn) ou um tendão do joelho semelhante às cirurgias de reconstrução do ligamento cruzado. Após o tratamento cirúrgico o paciente deve usar a tipoia por 6 semanas.

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Vídeo

Ciclismo e lesões no ombro e cotovelo

O número de pessoas que utiliza a bicicleta para lazer, meio de transporte ou atividade esportiva cresceu de maneira constante nos últimos anos. O número de ciclistas aumentou 50% entre os anos de 2013 e 2014.  As ciclovias e ciclofaixas proliferaram  nas grandes cidades. Na cidade de São Paulo, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) serão entregues 400 Km de ciclovias no ano de 2016.

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Andar de bicicleta traz benefícios importantes para a saúde e o meio ambiente. É também uma atividade recreativa que permite mais contato entre o ciclista e sua cidade, permitindo conhecê-la melhor. Mais que isso, a bicicleta é um meio de transporte rápido, econômico e não poluente.  É uma excelente atividade esportiva, uma hora de ciclismo gasta de 400 a 500 calorias e fortalece a musculatura abdominal, glúteos e coxas.

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Entretanto, não é uma atividade isenta de riscos. Na cidade de São Paulo no ano de 2014, tivemos 47 ciclistas mortos em acidentes de trânsito, segundo dados da CET. Portanto, alguns cuidados são importantes, principalmente ao pedalar na cidade. Use capacete, luvas, óculos, tênis confortável, roupas claras e chamativas. Sinalize suas intenções, não ande na contramão, respeite os pedestres e cuidado especialmente nos cruzamentos e esquinas.

O ombro é articulação mais acometida nas quedas de bicicleta e a fratura da clavícula é a mais comum nesta atividade esportiva. Outras lesões comuns são a luxação acromioclavicular, fratura da cabeça do rádio e a fratura do escafóide.

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Estou com dor no ombro ou no cotovelo após uma queda de bicicleta, o que fazer?

Procure um serviço ortopédico de urgência, você vai precisar ser avaliado e provavelmente serão realizadas algumas radiografias para realizar o diagnóstico correto.

Como é o tratamento da fratura da clavícula?

O tratamento da fratura da clavícula deve ser individualizado levando em conta a presença de outras fraturas, desvio dos fragmentos e nível de atividade do paciente. Em 85% dos casos, as fraturas da clavícula ocorrem no seu terço médio. Nos pacientes com outras fraturas no mesmo ombro ou membro superior, o tratamento deve ser cirúrgico.  Fraturas da clavícula com encurtamento maior que 2 cm, expostas ou lesão neurológica também devem ser tratadas cirurgicamente. As demais podem ser tratadas não cirurgicamente com uso de tipoia por 1 mês.  Alguns ortopedistas preferem a imobilização em 8, mas a literatura médica não mostra resultados superiores no uso desta imobilização e são mais desconfortáveis. Saiba mais sobre as fraturas da clavícula na nossa página.

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Fratura da clavícula tratada cirurgicamente com placa e parafusos

Como é o tratamento da luxação acromioclavicular?

A luxação acromioclavicular do tipo 1 e 2 são sempre de tratamento não cirúrgico, com uso de gelo, antiinflamatórios e tipoia por 7 a 14 dias. Posteriormente deve ser iniciado o tratamento fisioterápico para recuperação da movimentação e força do ombro. O tratamento da luxação acromioclavicular do tipo 3 é assunto controverso entre os especialistas do ombro, mas as evidências atuais apontam que o melhor tratamento seja o não cirúrgico.

Para as lesão acromioclavicular do tipo 4 ou 5, o tratamento deve ser cirúrgico. Saiba mais sobre as luxações acromioclaviculares.

Luxação acromioclavicular do tipo V

Luxação acromioclavicular do tipo V

Como é o tratamento da fratura da cabeça do rádio?

As fraturas isoladas da cabeça do rádio com desvio minimo, isto é menor que 2 mm, podem ser tratadas não cirurgicamente. Estas fraturas são relativamente estáveis. Orientamos o uso de uma tipoia simples por 7 a 14 dias e iniciamos o tratamento fisioterápico precocemente.  Não há benefício para o paciente ficar imobilizado por um longo período que pode levar a um cotovelo rígido de difícil tratamento.

Para fraturas da cabeça do rádio com desvio maior que 2 mm, bloqueio dos movimentos do cotovelo ou com lesão ligamentar associada é indicado o tratamento cirúrgico. Leia mais sobre as fraturas do cotovelo.

Fratura da cabeça do rádio

Fratura da cabeça do rádio

Quando poderei pedalar novamente após a lesão?

A resposta não é muito simples, depende da consolidação da fratura, bem como da recuperação da força muscular e movimentação do ombro ou cotovelo. Em linhas gerais, para ciclismo em terreno plano e esforço moderado, 4 meses. Para atividades mais intensas, 6 meses. Mas, siga as orientações do seu médico ou procure um especialista de ombro ou cotovelo para maiores orientações.
Divirta-se e boas pedaladas!