Capsulite adesiva (ombro congelado)

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O que é capsulite adesiva ou ombro congelado?

capsulite adesiva

É uma doença que acomete o ombro caracterizada por dor, especialmente a noite e perda progressiva da movimentação. Ocorre mais frequentemente em mulheres. A faixa etária mais acometida é dos 40 aos 60 anos de idade.  A capsulite ocorre por fatores genéticos e metabólicos, mal compreendidos atualmente.  É mais comum em diabéticos e pacientes com alterações do funcionamento da tireoide. Mas, felizmente é uma doença autolimitada, isto é, têm cura mesmo sem tratamento.

A capsulite ocorre por uma inflamação na cápsula articular do ombro, seguida por um enrijecimento da mesma com limitação dos movimentos do ombro.

 Capsulite Adesiva

A) ombro normal B) ombro com capsulite adesiva

Quais são os sintomas e a evolução da capsulite?

O curso clínico da capsulite adesiva consiste em três fases, sendo que o ciclo total de duração da doença pode durar de 12 a 36 meses. Entretanto, estudos demonstram que pacientes que procuram atenção médica assim que os sintomas aparecem, recuperam-se mais rapidamente.

Primeira fase (inflamatória): o paciente apresenta dor difusa no ombro, de surgimento gradual e que progride durante semanas até meses. Frequentemente, a dor piora a noite.

Segunda fase (congelamento): a dor diminui de intensidade, sendo mais comum na movimentação do ombro. O paciente descreve dificuldade com as atividades diárias por uma restrição na movimentação do ombro, não consegue pegar objetos em pratileiras altas, pegar uma carteira no bolso de trás da calça, prender o sutiã, entre outras. Esta fase dura de 4 a 12 meses.

Terceira fase (descongelamento): Essa fase prolonga-se por semanas a meses e, com o retorno gradual da movimentação do ombro, a dor diminui.

Muitas vezes, o retorno total da movimentação não é possível, embora muitos pacientes sintam subjetivamente algo próximo do normal.

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito principalmente pela história e exame clínico. Exames laboratoriais e de imagem muitas vezes não ajudam no diagnóstico. Apenas radiologistas experientes conseguem através de uma ressonância magnética identificar esta doença, identificando o processo inflamatório e o aumento da espessura da capsula articular. Infelizmente muitas vezes os pacientes ficam por meses tratando seu problema como tendinite ou bursite no ombro, quando o diagnóstico correto é de capsulite adesiva.

cápsula articular

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*Cápsula articular com sinais inflamatórios e com aumento da espessura

Quais são outros diagnósticos que podem causar limitação da movimentação do ombro?

  • Lesões do manguito rotador – pela ressonância magnética ou ultrassom pode ser identificada;
  • Artrose do ombro – pelo Rx facilmente por ser identificada;
  • Tendinite calcária – também pode ser identificado o depósito de cálcio pelo RX.

Como é o tratamento?

Felizmente, a capsulite adesiva é uma doença com cura espontânea, mas isto não significa que não deve ser feito nenhum tratamento. Na fase inicial da doença (inflamatória), analgésicos, antiinflamatórios e compressas de gelo são a base do tratamento. Nesta fase, o paciente precisa mais do que tudo melhorar a dor e controlar a inflamação, enquanto alongamentos excessivos podem inclusive piorar os sintomas, aumentar o processo inflamatório e a duração da doença. Ainda nesta fase, medicamentos da classe dos corticoides, administrados tanto por via oral quanto por injeções intramusculares são terapias usadas para a melhora da dor e da mobilidade.

Na fase de rigidez da doença, exercícios para alongamento e ganho da movimentação passam a ser primordiais. O acompanhamento desses exercícios por um fisioterapeuta costuma evoluir com melhores resultados.

Mais de 90% dos pacientes melhoram com o tratamento não cirúrgico.

Uma pequena parcela dos pacientes, mesmo fazendo exaustivamente o tratamento fisioterápico não conseguem ganhar movimentação no ombro e são candidatos ao tratamento cirúrgico.

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Como é o tratamento cirúrgico e quando está indicado?

Quando a rigidez e diminuição dos movimentos do ombro persistem, apesar do tratamento fisioterápico por um período prolongado, a cirurgia está indicada. Importante salientar que a cirurgia só deve ser realizada quando o paciente já passou da fase inflamatória da doença, quando os sintomas de dor já melhoraram e a principal queixa é a rigidez do ombro.

Quando indicado, o procedimento cirúrgico é realizado por uma técnica minimamente invasiva chamada artroscopia do ombro. Nesta técnica, a cápsula e outras estruturas espessadas e contraídas são visualizadas e liberadas, e o paciente tem um ganho imediato da movimentação. Após a cirurgia, porém, para evitar que a cápsula cicatrize de maneira contraída, uma boa fisioterapia torna-se necessária.

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2 respostas
  1. Flávio S. D. Mesquita
    Flávio S. D. Mesquita says:

    Doutor Jorge muito bom o seu site. Estive em uma consulta contigo dia 18-04-17. Estou em vias de ser operado por outro profissional. Gostaria de ter te conhecido antes pois te achei um excelente profissional. Sou veterinário e as dores que já senti me limitaram bastante. Tenho melhorado progressivamente mas a limitação ainda é intensa em um dos ombros, o que causa angústia e limitação de trabalho. De qualquer forma agradeço pelas informações que traz em seu site. Antes da capsulite adesiva bilateral eu nadava, surfava em alguns finais de semana e andava de bicicleta. Essa doença é um pouco ingrata pois nos tira do foco. No entanto ela é mal diagnosticada, como disse em seu artigo. As pessoas são tratadas para lesões no manguito, com fisioterapias intensas que podem agravar a dor, como o Sr. descreveu. Passei por tudo isso. Um grande abraço. Flávio Mesquita

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