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Tênis e dor no ombro

O número de brasileiros que pratica tênis cresceu, consistentemente, após o título de Gustavo Kuerten, no torneio de Roland Garros, em 1997. Atualmente cerca de 2 milhões de brasileiros jogam tênis, segundo dados da Confederação Brasileira de Tênis.

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O ombro é uma das articulações mais solicitadas na prática deste esporte. Portanto, encontramos diversos atletas profissionais ou amadores com dor ou lesões nos ombros.  A maioria das lesões do ombro são por microtraumatismos ou resultante de um mecanismo de uso excessivo (overuse). As lesões mais comuns nestes atletas são: tendinite do manguito rotador, tendinite do bíceps, lesões SLAP, lesão do manguito rotador e compressão do nervo supraescapular.

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O que causa estas lesões?

O uso repetitivo dos ombros nos movimentos de saque e voleio pode levar a um conjunto de alterações comum aos atletas de arremesso.  A primeira alteração que ocorre é a limitação de um movimento específico do ombro, chamado de rotação interna. Nessa fase, consideramos que o ombro está “em risco”. Muitos atletas podem ter essa restrição de movimento e não apresentarem nenhum sintoma, mas consideramos que devem ser tratados para evitar problemas futuros.

 

Medida da rotação interna do ombro

Medida da rotação interna do ombro

Após certo período, o ombro com restrição da rotação interna passa a funcionar de modo alterado e sua rotação não ocorre mais no centro da articulação. Isto ocasiona um tensionamento excessivo de um tendão que tem origem no lábio da glenóide, chamado “cabeça longa do bíceps”.  Esta é a origem ou causa das lesões SLAP ou lesões do lábio superior da glenóide.  Leia mais sobre o diagnóstico e tratamento no artigo lesão SLAP.

Ressonância magnética demonstrando uma lesão SLAP

Ressonância magnética demonstrando uma lesão SLAP

Outra alteração frequente nos atletas de tênis é a discinesia escapular. A escápula faz a principal conexão e a transmissão de força entre o tronco e o ombro, sendo a base para a origem e inserção de diversos músculos. Um desbalanço da musculatura ao redor da escápula pode levar a uma movimentação inadequada deste osso durante a elevação do braço. Os músculos peitorais maior e menor encurtados deslocam a escápula para frente e o músculo trapézio para cima. Esta alteração dinâmica no posicionamento da escápula pode diminuir o espaço entre a cabeça do úmero e o acrômio, local onde passam os tendões do manguito rotador. Isto pode gerar um processo inflamatório nos tendões (tendinite) e da bursa subacromial (bursite).

 

O diagnóstico da discinesia da escápula é clínico, exames de imagem raramente são necessários. Leia mais em tendinites do ombro.

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Paciente com discinesia da escápula ou escápula alada

 

O que a compressão do nervo supraescapular?

Uma lesão menos comum é a compressão do nervo supraescapular, com atrofia do músculo infraespinal. Esta lesão ocorre pois o nervo supraescapular passa em um túnel estreito na região da escápula.  A tração excessiva do nervo nesta região pode ocasionar um mau funcionamento do nervo e a atrofia muscular. Entretanto, muitos atletas têm a atrofia do músculo, mas são assintomáticos. O músculo redondo menor e a porção posterior do deltóide compensam a fraqueza do infraespinal. Estes pacientes não precisam de tratamento. Nos pacientes sintomáticos deve ser realizado um tratamento não-cirúrgico corrigindo a restrição da rotação interna e a discinesia da musculatura paraescapular.

 

Paciente com atrofia do músculo infraespinal

Paciente com atrofia do músculo infraespinal

Como evitar estas lesões?

Os atletas devem executar um programa de reabilitação que envolve exercícios de alongamento dos músculos peitoral maior e menor, bem como alongamentos para eliminar a restrição da rotação interna dos ombros. Leia mais em alongamentos para dor no ombro. Devem ser executados exercícios de fortalecimento da musculatura paraescapular (romboides, serrátil anterior e trapézio) para eliminar a discinesia escapular ou escápula alada. O fortalecimento dos músculos rotadores do ombro também é importante, principalmente dos rotadores externos, que podem “amortecer” a fase final do saque e do ataque.

Use uma tensão no encordoamento da raquete menor ou igual a 55 libras, assim uma menor vibração será transmitida para o seu ombro. Você perderá precisão nos seus ataques, mas sua bola vai ficar mais rápida.

Atenção no saque, você deve dobrar os joelhos na fase de preparação. Isto vai diminuir a força necessária nos seus ombros.

Você está terminando adequadamente seu forehand ou backhand? Sabemos que o movimento incompleto é muito prejudicial para os ombros.

Alongamento da cápsula posterior do ombro

Alongamento da cápsula posterior do ombro

Como é o tratamento dos atletas de tênis com dor no ombro?

Evidentemente que o tratamento pode variar conforme o diagnóstico do paciente. Entretanto, em todos os atletas devemos realizar uma reabilitação com intuito de diminuir os sintomas de restrição da rotação interna quando existentes. E corrigir o desbalanço da musculatura periescapular, eliminando a discinesia da escápula.

Devem ser realizados exercícios de alongamento da cápsula posterior dos ombros, músculos peitorais e trapézio superior.

Devemos realizar o fortalecimento dos músculos rombóides, serrátil anterior e dos rotadores externos e internos dos ombros que são estabilizadores importantes da escápula.

Também devem ser utilizados gelo, antiinflamatórios e repouso.

É importante o atleta, o treinador e os ortopedistas estarem atentos as características das diferentes lesões que podem estar presentes nestes atletas. Procure um médico ortopedista especialista de ombro. Garantindo um diagnóstico e plano de tratamento adequado para auxiliar o atleta em seu retorno ao esporte.

Alongamentos e dor no ombro

Muitos pacientes com dor no ombro por tendinite do manguito rotador,  lesão SLAP, tendinite do bíceps ou lesão do manguito rotador  possuem contratura do músculo peitoral menor e da cápsula posterior do ombro. Portanto, o alongamento destas estruturas do ombro são importantes no tratamento destas lesões.

O músculo peitoral menor encurtado puxa a escápula para baixo, diminuindo o espaço por onde passam os tendões supraespinal e infraespinal do manguito rotador. Com isto temos um aumento do atrito entre os tendões do manguito rotador e o acrômio podendo levar a dor e inflamação destes tendões e da bursa subacromial.  Portanto, o alongamento do músculo peitoral menor é muito importante na reabilitação dos pacientes com dor no ombro.

Músculo peitoral menor

Músculo peitoral menor

 

Os alongamentos mais utilizados para alongamento do músculo peitoral menor são:

corner stretch

Corner stretch

sumo stretch

Sumo stretch

Legenda: A) upper back roll stretch B) center spine roll stretch

A) upper back roll stretch B) center spine roll stretch

Legenda: alongamento para o músculo peitoral menor

Alongamentos para o músculo peitoral menor

Outra alteração muito comum nos pacientes com dor no ombro é a contratura da cápsula posterior do ombro.  Esta alteração leva a uma limitação de um movimento específico do ombro, chamado de rotação interna.  Após certo período, o ombro com restrição da rotação interna passa a funcionar de modo alterado e sua rotação não ocorre mais no centro da articulação. Isto ocasiona um tensionamento excessivo de um tendão que tem origem no lábio da glenóide, chamado “cabeça longa do bíceps”.  Esta é a origem ou causa das lesões SLAP ou lesões do lábio superior da glenóide.  Leia mais sobre o diagnóstico e tratamento no artigo lesão SLAP.

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Medida da rotação interna do ombro

 

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Slepper stretch

 

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Cross-arm stretch

 

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Capsule posterior stretch

Não podemos esquecer que no tratamento das doenças do ombro deve ser realizado o alongamento do músculo trapézio – porção superior e da musculatura cervical.

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Alongamento do músculo trapézio

Mas antes procure um médico ortopedista especialista de ombro. Garantindo um diagnóstico e plano de tratamento adequado para seu problema.

Surf e lesões no ombro

O surf é praticado no Brasil há aproximadamente 60 anos. No início, era praticado por um pequeno grupo de jovens nas praias do litoral carioca ou paulista. Entretanto, o esporte ganhou muitos adeptos.

Nos anos de 2014 e 2015, tivemos 2 campeões mundiais brasileiros. Em 2016, foi assumido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como esporte olímpico, a partir dos Jogos Olímpicos de 2020, no Japão.

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Dor no ombro está entre as principais queixas dos surfistas. Na prática esportiva, um surfista pode dar mais de mil braçadas. Durante a remada, o ombro é submetido a amplas mudanças no seu posicionamento e a fortes contrações dos músculos peitoral maior, serrátil anterior, grande dorsal e trapézio. Este esforço de modo contínuo por ocasionar diversas lesões no ombro por sobrecarga. Entre as lesões mais frequentes nos surfistas, temos a tendinites do manguito rotador, lesões SLAP  e tendinite do bíceps. Quarenta por cento dos surfistas vai ter algum episódio de dor no ombro durante a vida.

 

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Qual é o tratamento para dor no ombro nos surfistas?

Evidentemente que o tratamento pode variar conforme o diagnóstico do paciente. Entretanto, em todos os surfistas devemos realizar exercícios de alongamento da capsula posterior dos ombros, músculos peitorais e trapézio superior. Realizar o fortalecimento dos músculos romboides, serrátil anterior e dos rotadores externos e internos dos ombros que são estabilizadores importantes da escápula.

Também devem ser utilizados gelo, antiinflamatórios e repouso.

Saiba mais sobre o tratamento e diagnóstico nos artigos sobre tendinites do manguito rotador, lesões SLAP e tendinite do bíceps.

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Fortalecimento da musculatura paraescapular

 

Outro problema muito comum entre os surfistas são as luxações do ombro. Durante uma queda da prancha, o braço pode sofrer uma rotação súbita em abdução e rotação externa e ocasionar um deslocamento anterior da articulação do ombro. Quando o ombro luxa, frequentemente ocorrem lesões nas estruturas ligamentares responsáveis pela estabilidade da articulação.

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Qual o tratamento imediato após a luxação do ombro?

Após o ombro deslocar ou sair do lugar, o tratamento imediato é reduzi-lo, isto é, recolocá-lo na sua posição original, restabelecendo o contato articular entre a cabeça do úmero e a glenóide. Isso deve ser feito por um médico e em ambiente hospitalar após avaliação clínica e realização de radiografias.

Qual o tratamento definitivo da luxação do ombro?

O tratamento mais adequado para o paciente depende da idade, número de luxações, bem como as lesões encontradas na ressonância magnética. Leia mais no artigo luxação do ombro.

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Ressonância magnética demonstrando uma lesão de Bankart (lesão do lábio anterior)

Outras lesões comuns nos surfistas após queda da prancha são as fraturas da clavícula, luxações acromioclaviculares ou fraturas do úmero.

Ao sofrer qualquer lesão no ombro ou nos primeiros sintomas de dor, procure um especialista em ombro para o correto diagnóstico e tratamento. Não fique “boiando” e boas ondas!

Cirurgia do ombro e cotovelo

Anestesia

As cirurgias do ombro são realizadas com anestesia geral. Devido a localização da articulação e posicionamento do paciente durante a cirurgia, não é possível realizar os procedimentos com anestesia local.

Na anestesia geral, é realizada a intubação endotraqueal, ou seja, é passado um tubo pela traqueia do paciente, que é conectado ao respirador. Por esse motivo, pode ocorrer pigarro e rouquidão após uma anestesia geral.

Na maioria das vezes, associa-se um outro tipo de anestesia, o bloqueio do plexo braquial. Esta modalidade de anestesia tem a função de controlar a dor no pós-operatório, e é realizada através de um agulhamento no pescoço. Após o bloqueio, é normal ficar com os movimentos e sensibilidade do braço e mão alterados por até 1 dia.

As cirurgias do cotovelo podem em algumas situações ser realizadas somente com bloqueio e sedação (uma anestesia mais fraca), sem a necessidade da anestesia geral.

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Próteses ou Artroplastia

A cirurgia de colocação de próteses ou artroplastia é uma cirurgia indicada para pacientes com degeneração da superfície cartilaginosa de uma articulação (artrose). Deve ser realizada quando falharam todos métodos de tratamento não-cirúrgico.

Pode também ser indicada em casos de fraturas graves em pacientes idosos, principalmente quando não se acredita na viabilidade óssea do paciente por osteoporose ou lesão vascular óssea.

A prótese substitui a articulação do paciente, através de compo

A indicação de prótese deve obedecer critérios específicos e ser realizada por um profissional habilitado, preferencialmente membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo.

Artroplastia do ombro

A prótese ou artroplastia do ombro é a cirurgia que apresenta os melhores resultados para a artrose grave e seus resultados melhoraram muito na última década, principalmente pelo avanço tecnológico dos implantes, pelo maior conhecimento da anatomia e função do ombro e pela melhora da técnica cirúrgica.
Existem diferentes tipos de artroplastias. A resurfacing e a artroplastia parcial envolvem a substituição apenas do úmero, sem colocação de um implante na glenoide. São indicadas em pacientes mais jovens e com artrose acometendo somente o úmero ou para fraturas graves em idosos. A artroplastia total é indicada na maioria dos casos de artrose, e nessa cirurgia são colocados implantes nas duas partes da articulação. Em casos onde haja lesão irreparável do manguito associada a lesão da articulação glenoumeral a prótese reversa pode ser indicada. Mesmo com moderadas taxas de complicação, a prótese reversa do ombro pode ser a única saída nessa situação.

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A) Prótese tipo resurfacing B)Prótese total do ombro C) Prótese reversa do ombro

Hoje é possível o paciente obter uma movimentação funcional do ombro sem dor através desse tratamento. No entanto, a cirurgia apresenta um moderado índice de complicações e não deve ser realizada em qualquer situação.

A) Prótese tipo resurfacing B)Prótese total do ombro C) Prótese reversa do ombro

A) Prótese tipo resurfacing B)Prótese total do ombro C) Prótese reversa do ombro

Artroplastia do cotovelo

A cirurgia de prótese para o cotovelo pode ser realizada em pacientes com artrose grave ou fraturas do cotovelo onde a reconstrução e fixação óssea não é possível. A idade e atividade do paciente são  fatores restritivos por influenciarem na vida útil da prótese.

Em geral deve ser realizada em pacientes com mais de 65 anos devido à duração da prótese, entretanto a prótese do cotovelo pode também ser indicada mais precocemente em situações específicas.

Prótese do cotovelo

Prótese do cotovelo

Artroscopia

Grande parte das lesões do ombro e cotovelo são tratadas com a técnica cirúrgica minimamente invasiva chamada de artroscopia.

A artroscopia permite que o cirurgião faça reparos de lesões nos tendões, nos ligamentos e até mesmo na cartilagem em várias articulações.

Através de uma câmera colocada na articulação e utilizando os instrumentos descartáveis (cânulas, lâminas de shaver, radiofrequência, bomba de infusão) é possível visualizar e reparar grande parte das lesões existentes, proporcionando menor tempo de internação e de recuperação do paciente.

Há casos onde o tratamento cirúrgico artroscópico não é indicado, como fraturas e próteses.

Quando o tratamento cirúrgico for indicado, seja artroscópico ou aberto, procure esclarecer todas as suas dúvidas com o seu médico.

Artroscopia do ombro

A cirurgia artroscópica do ombro é uma das formas menos invasivas de abordar essa articulação.

A cirurgia por artroscopia causa menor dano muscular por manter íntegro o músculo deltoide e cicatrizes mais estéticas.

A cirurgia artroscópica consegue ainda atingir várias regiões do ombro e tratar lesões em diferentes localizações concomitantemente, coisa que não seria possível na cirurgia aberta pelo mesmo corte. Por essa razão também é uma cirurgia mais completa e que tem potencial de tratar mais lesões ao mesmo tempo.

Outra vantagem é a magnificação da ótica que podem tornar lesões pequenas mais visíveis.

Artroscopia ombro

Com os atuais avanços já é possível realizar quase todos os procedimentos conhecidos, como reparo de lesões do manguito rotador, tratamento de lesões tipo SLAP, luxações do ombro, entre outras. Mesmo reintervenções podem ser feitas por artroscopia, esse é apenas um método cirúrgico que pode ser usado em quase todas as circunstâncias.

Veja alguns vídeos exemplificando os procedimentos mais comuns:

Reparo da lesão SLAP

Tratamento cirúrgico da luxação do ombro

Reparo da lesão do manguito rotador

Acromioplastia

 

Artroscopia do cotovelo

Poucos cirurgiões de ombro e cotovelo estão habituados a esta modalidade de cirurgia. Entretanto, cada vez mais a artroscopia do cotovelo vem sendo utilizada no tratamento da rigidez, epicondilite lateral e lesões ligamentares.

A cirurgia artroscópica consegue ainda atingir várias regiões do cotovelo e lesões concomitantemente, coisa que não seria possível na cirurgia aberta pelo mesmo corte. Por essa razão também é uma cirurgia mais completa e que tem potencial de tratar mais lesões ao mesmo tempo. A cirurgia artroscópica do cotovelo é uma das formas menos invasivas de abordar essa articulação.

Artroscopia do Cotovelo

Vôlei e dor no ombro

O voleibol ou vôlei é um dos esportes mais populares do mundo. No Brasil, estima-se que sejam 15 milhões de praticantes. Temos diversos títulos mundiais na quadra e na areia. O Brasil obteve medalhas de ouro no vôlei de praia e de quadra masculinos na Olimpíada do Rio 2016. Quatro anos antes fomos campeões olímpicos no vôlei de quadra feminino.

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O ombro é uma das articulações mais solicitadas na prática deste esporte. Portanto, encontramos diversos atletas profissionais ou amadores com dor ou lesões nos ombros.  A maioria das lesões do ombro são por microtraumatismos ou resultante de um mecanismo de uso excessivo (overuse). As lesões mais comuns nestes atletas são: tendinite do manguito rotador, tendinite do bíceps, lesões SLAP, lesão do manguito rotador e compressão do nervo supraescapular.

 

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O que causa estas lesões?

O uso repetitivo dos ombros pelos atletas de vôlei nos movimentos de saque e ataque pode levar a uma conjunto de alterações comum aos atletas de arremesso.  A primeira alteração que ocorre  é a limitação de um movimento específico do ombro, chamado de rotação interna. Nessa fase, consideramos que o ombro está “em risco”. Muitos atletas podem ter essa restrição de movimento e não apresentarem nenhum sintoma, mas consideramos que devem ser tratados para evitar problemas futuros.

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Medida da rotação interna do ombro

 

Após certo período, o ombro com restrição da rotação interna passa a funcionar de modo alterado e sua rotação não ocorre mais no centro da articulação. Isto ocasiona um tensionamento excessivo de um tendão que tem origem no lábio da glenóide, chamado “cabeça longa do bíceps”.  Esta é a origem ou causa das lesões SLAP ou lesões do lábio superior da glenóide.  Leia mais sobre o diagnóstico e tratamento no artigo lesão SLAP.

Ressonância magnética demonstrando lesão SLAP

Ressonância magnética demonstrando lesão SLAP

Outra alteração frequente nos atletas de vôlei  é a discinesia escapular. A escápula faz a principal conexão e a transmissão de força entre o tronco e o ombro,  sendo a base para a origem e inserção de diversos músculos. Um desbalanço da musculatura ao redor da escápula pode levar a uma movimentação inadequada deste osso durante a elevação do braço. Os músculos peitorais maior e menor encurtados deslocam a escápula para frente e o músculo trapézio para cima. Esta alteração dinâmica no posicionamento da escápula pode diminuir o espaço entre a cabeça do úmero e o acrômio, local onde passam os tendões do manguito rotador. Isto pode gerar um processo inflamatório nos tendões (tendinite) e da bursa subacromial (bursite).

 

O diagnóstico da discinesia da escápula é clínico, exames de imagem raramente são necessários. Leia mais em tendinites do ombro.

Discinesia da escápula ou escápula alada por desequilíbrio muscular

Discinesia da escápula ou escápula alada por desequilíbrio muscular

Uma lesão menos comum é a compressão do nervo supraescapular com atrofia do músculo infraespinal. Esta lesão ocorre pois o nervo supraescapular passa em um túnel estreito na região da escápula.   A tração excessiva do nervo nesta região pode ocasionar um mau funcionamento do nervo e a atrofia muscular. Mas as causas exatas desta lesão são desconhecidas.  Muitos atletas tem a atrofia do músculo mas são assintomáticos. O músculo redondo menor e a porção posterior do deltóide compensam a fraqueza do infraespinal, estes pacientes não precisam de tratamento. Nos pacientes sintomáticos deve ser realizado um tratamento não-cirúrgico corrigindo a restrição da rotação interna e a discinesia da musculatura paraescapular.

 

Atrofia do músculo infraespinal (seta)

Atrofia do músculo infraespinal (seta)

Como evitar estas lesões?

Os atletas devem executar um programa de reabilitação que envolve exercícios de alongamento dos músculo peitoral maior e menor, bem como alongamentos para eliminar a restrição da rotação interna dos ombros. Leia mais em alongamentos para dor no ombro. Devem ser executados exercícios de fortalecimento da musculatura paraescapular (romboides, serrátil anterior e trapézio) para eliminar a discinesia escapular ou escápula alada. O fortalecimento dos músculos rotadores do ombro também é importante, principalmente dos rotadores externos, que podem “amortecer” a fase final do saque e do ataque.

Alongamento para diminuir a restrição da rotação interna

Alongamento para diminuir a restrição da rotação interna

Como é o tratamento dos atletas de vôlei com dor no ombro?

Evidentemente que o tratamento pode variar conforme o diagnóstico do paciente. Entretanto, em todos os atletas devemos realizar uma reabilitação com intuito de diminuir os sintomas de restrição da rotação interna quando existentes. E corrigir o desbalanço da musculatura periescapular, eliminando a discinesia da escápula.

Devem ser realizados exercícios de alongamento da capsula posterior dos ombros, músculos peitorais e trapézio superior.

Devemos realizar o fortalecimento dos músculos romboides, serrátil anterior e dos rotadores externos e internos dos ombros que são estabilizadores importantes da escápula.

Também devem ser utilizados gelo, antiinflamatórios e repouso.

É importante o atleta, o treinador e os ortopedistas estarem atentos as características das diferentes lesões que podem estar presentes nestes atletas. Procure um médico ortopedista especialista de ombro. Garantindo um diagnóstico e plano de tratamento adequado para auxiliar o atleta em seu retorno ao esporte.

CrossFit e lesões no ombro e cotovelo

O CrossFit é o método de treinamento que mais ganha adeptos no mundo atualmente. É um programa de atividade física que utiliza força, velocidade, concentração, flexibilidade e condicionamento cardiorespiratório em movimentos funcionais e feitos em alta intensidade.

São mais de 250 exercícios disponíveis, portanto raramente existe repetição, o que torna a atividade dinâmica e muito atraente.

O Crossfit surgiu nos Estados Unidos, na década de 1980, criado pelo treinador Greg Glassman. O modelo de treinamento foi adotado pelas forças armadas americanas para melhorar o condicionamento físico dos seus soldados. No início dos anos 2000 foi difundido pelo mundo e adotado por vários praticantes de atividade física.

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A sessão típica do CrossFit dura 60 minutos e é dividida em três etapas:

  1. Aquecimento e Alongamento – Exercícios leves para aquecer e alongar os músculos;
  2. Still ou técnica;
  3. Workout of the day (WOD) – exercícios com maior força e carga;

A prática exige que se alavanque os pesos para cima, em movimentos chamados de lifting. Esse esforço no ombro ou cotovelo acarreta um estresse nas articulações e um impacto maior do que a musculação.

Sessenta e cinco por cento das lesões do aparelho locomotor associadas ao Crossfit são no ombro ou cotovelo.

No ombro podemos ter as seguintes lesões: lesão do manguito rotador, SLAP, luxações do ombro e osteólise da clavícula distal. E no cotovelo: epicondilite lateral e medial, tendinite e ruptura biceps distal.

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É importante buscar sempre a mecânica correta dos exercícios e ficar atento a postura. Para depois evoluir na quantidade dos pesos e na velocidade do movimento. Respeite o seu limite.

Portanto, procure um profissional habilitado para ministrar um treino adequado a seu corpo e condicionamento físico. E caso tenha dor no ombro ou cotovelo, procure seu médico ou um especialista de ombro e cotovelo para uma avaliação adequada.

Bom treino!

Natação e Ombro

A natação é uma atividade física excelente para perder calorias e ganhar condicionamento físico. Cerca de 90% da força de propulsão durante o nado é realizada pelo ombro e sua musculatura adjacente. Dor no ombro é a queixa ortopédica mais frequente nos nadadores, afetando 75% destes atletas. Um atleta profissional chega a nadar 60 Km por semana, realizando cerca de 30000 braçadas.

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Durante o nado, o ombro é submetido a amplas mudanças no seu posicionamento e a fortes contrações dos músculos peitoral maior, serrátil anterior, grande dorsal e trapézio. Este esforço de modo contínuo por ocasionar diversas lesões no ombro por sobrecarga. As lesões mais comuns nos atletas de natação são as lesões SLAP, hiperfrouxidão ligamentar com subluxação ou luxação do ombro, tendinites do manguito rotador, síndromes compressivas do nervo supraescapular e discinesia da escápula.

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Cerca de 20% dos nadadores tem algum grau de frouxidão ligamentar. Vários anos de treinamento podem aumentar o alongamento da cápsula articular do ombro, levando a uma sobrecarga do manguito rotador e da musculatura ao redor da escápula na tentativa de estabilizar a articulação. Quando a musculatura torna-se insuficiente para manter a estabilidade do ombro, podem ocorrer subluxações e lesões labrais do ombro. O nadador começa ter dor e pode ter a sensação que seu ombro pode sair do lugar.

O diagnóstico de frouxidão ligamentar é clínico e a ressonância magnética pode ajudar na busca de lesões labrais ou SLAP. Saiba mais em lesões SLAP e luxações do ombro.

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Ressonância magnética demonstrando lesão SLAP

Outra alteração frequente nos nadadores é a discinesia escapular. A escápula faz a principal conexão e transmissão de força entre o tronco e o ombro,  sendo a base para a origem e inserção de diversos músculos. Um desbalanço da musculatura ao redor da escápula pode levar a uma movimentação inadequada deste osso durante a elevação do braço. Os músculos peitorais maior e menor encurtados deslocam a escápula para frente e o músculo trapézio para cima. Esta alteração dinâmica no posicionamento da escápula pode diminuir o espaço entre a cabeça do úmero e o acrômio, local onde passam os tendões do manguito rotador. Isto pode gerar um processo inflamatório nos tendões (tendinite) e da bursa subacromial (bursite).

O diagnóstico da discinesia da escápula é clínico, exames de imagem raramente são necessários. Leia mais em tendinites do ombro.

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Discinesia da escápula por desequilíbrio muscular

Quais os sinais durante a prática da natação que indicam algum problema no ombro?

Aumento da rotação do tronco e cotovelo baixo durante a  fase de recuperação aérea são sinais que o atleta está com algum desbalanço muscular no ombro ou dor.

Qual o tratamento para dor no ombro nos nadadores?

Evidentemente que o tratamento pode variar conforme o diagnóstico do paciente. Entretanto, em todos os nadadores devemos realizar uma reabilitação com intuito de diminuir os sintomas de hiperfrouxidão ligamentar quando existentes. E corrigir o desbalanço da musculatura periescapular, eliminando a discinesia da escápula.

Devem ser realizados exercícios de alongamento da capsula posterior dos ombros, músculos peitorais e trapézio superior.

Devemos realizar o fortalecimento dos músculos romboides, serrátil anterior e dos rotadores externos e internos dos ombros que são estabilizadores importantes da escápula.

Também devem ser utilizados gelo, antiinflamatórios e repouso.

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Alongamento do músculo peitoral menor

É importante o atleta, o treinador e os ortopedistas estarem atentos as características das diferentes lesões que podem estar presentes nestes atletas. Procure um médico ortopedista especialista de ombro. Garantindo um diagnóstico e plano de tratamento adequado para auxiliar o nadador em seu retorno ao esporte.

Bom treino!