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Bursite do cotovelo

O que é a bursite do cotovelo?

A bursa é um tecido que existe em diversas articulações, como o cotovelo, ombro, joelho e quadril. Ela recobre os tendões e as superfícies ósseas. Tem como funções facilitar e proteger o deslizamento dos tendões. Ocasionalmente a bursa pode ficar inflamada, causando dor e aumento de volume na articulação acometida, conhecida como bursite. A bursa na região do cotovelo fica sobre o olécrano (região da ulna próxima ao cotovelo), por este motivo, recebe o nome de bursite olecraniana.

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Quais são os sintomas da bursite do cotovelo?

Os principais sintomas são aumento de volume na região posterior (atrás)  do cotovelo, que pode estar acompanhado de vermelhidão e aumento da temperatura local. Geralmente a movimentação do cotovelo não é prejudicada. Na fase aguda, o paciente pode ter dor. Ela pode regredir espontaneamente ou ficar crônica.

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Quais são as causas da bursite do cotovelo?

A bursa pode ficar inflamada devido a um traumatismo local, como quedas sobre o cotovelo. Outra causa comum é o microtraumatismo de repetição, pelo paciente ficar apoiado sobre o cotovelo em mesas ou cadeiras. Causas menos frequentes são doenças reumatológicas e a gota.

Na gota, normalmente a bursa aumenta de volume pelo acúmulo de cristais de ácido úrico, ocasionando um aumento de volume da bursa e diferentemente das outras causas no qual a bursa tem a consistência de uma bexiga cheia de água, ela fica endurecida e tem o nome de tofo gotoso.

Outra causa é uma infecção, isto é, um processo inflamatório ocasionado por uma bactéria. Infecções nessa região podem ser graves e levar a sequelas. Na presença de um quadro compatível com a bursite, procure um médico para afastar a possibilidade de infecção, especialmente se você tiver febre associada.

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Como é o tratamento?

Na fase aguda, compressas de gelo sobre o cotovelo, por 20 minutos, a cada 4 horas, ajuda a reduzir a dor e o inchaço. Podem ser utilizadas medicações antiinflamatórias. Evitar apoiar sobre o cotovelo é uma medida fundamental. Em muitos casos, a bursite regride espontaneamente.

Nos casos crônicos ou se houver suspeita de infecção, o médico pode realizar uma punção para esvaziar o liquido presente na bursa.

Nos casos onde há alguma doença associada, como reumatismo ou gota, é importante o tratamento da mesma.

A cirurgia está indicada nos casos crônicos sem melhora com medicamentos ou punção de alívio, naqueles com infecção associada ou para resseção de tofo gotoso.

Punção da bursite do cotovelo

Punção da bursite do cotovelo

 

Cirurgia do ombro e cotovelo

Anestesia

As cirurgias do ombro são realizadas com anestesia geral. Devido a localização da articulação e posicionamento do paciente durante a cirurgia, não é possível realizar os procedimentos com anestesia local.

Na anestesia geral, é realizada a intubação endotraqueal, ou seja, é passado um tubo pela traqueia do paciente, que é conectado ao respirador. Por esse motivo, pode ocorrer pigarro e rouquidão após uma anestesia geral.

Na maioria das vezes, associa-se um outro tipo de anestesia, o bloqueio do plexo braquial. Esta modalidade de anestesia tem a função de controlar a dor no pós-operatório, e é realizada através de um agulhamento no pescoço. Após o bloqueio, é normal ficar com os movimentos e sensibilidade do braço e mão alterados por até 1 dia.

As cirurgias do cotovelo podem em algumas situações ser realizadas somente com bloqueio e sedação (uma anestesia mais fraca), sem a necessidade da anestesia geral.

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Próteses ou Artroplastia

A cirurgia de colocação de próteses ou artroplastia é uma cirurgia indicada para pacientes com degeneração da superfície cartilaginosa de uma articulação (artrose). Deve ser realizada quando falharam todos métodos de tratamento não-cirúrgico.

Pode também ser indicada em casos de fraturas graves em pacientes idosos, principalmente quando não se acredita na viabilidade óssea do paciente por osteoporose ou lesão vascular óssea.

A prótese substitui a articulação do paciente, através de compo

A indicação de prótese deve obedecer critérios específicos e ser realizada por um profissional habilitado, preferencialmente membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo.

Artroplastia do ombro

A prótese ou artroplastia do ombro é a cirurgia que apresenta os melhores resultados para a artrose grave e seus resultados melhoraram muito na última década, principalmente pelo avanço tecnológico dos implantes, pelo maior conhecimento da anatomia e função do ombro e pela melhora da técnica cirúrgica.
Existem diferentes tipos de artroplastias. A resurfacing e a artroplastia parcial envolvem a substituição apenas do úmero, sem colocação de um implante na glenoide. São indicadas em pacientes mais jovens e com artrose acometendo somente o úmero ou para fraturas graves em idosos. A artroplastia total é indicada na maioria dos casos de artrose, e nessa cirurgia são colocados implantes nas duas partes da articulação. Em casos onde haja lesão irreparável do manguito associada a lesão da articulação glenoumeral a prótese reversa pode ser indicada. Mesmo com moderadas taxas de complicação, a prótese reversa do ombro pode ser a única saída nessa situação.

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A) Prótese tipo resurfacing B)Prótese total do ombro C) Prótese reversa do ombro

Hoje é possível o paciente obter uma movimentação funcional do ombro sem dor através desse tratamento. No entanto, a cirurgia apresenta um moderado índice de complicações e não deve ser realizada em qualquer situação.

A) Prótese tipo resurfacing B)Prótese total do ombro C) Prótese reversa do ombro

A) Prótese tipo resurfacing B)Prótese total do ombro C) Prótese reversa do ombro

Artroplastia do cotovelo

A cirurgia de prótese para o cotovelo pode ser realizada em pacientes com artrose grave ou fraturas do cotovelo onde a reconstrução e fixação óssea não é possível. A idade e atividade do paciente são  fatores restritivos por influenciarem na vida útil da prótese.

Em geral deve ser realizada em pacientes com mais de 65 anos devido à duração da prótese, entretanto a prótese do cotovelo pode também ser indicada mais precocemente em situações específicas.

Prótese do cotovelo

Prótese do cotovelo

Artroscopia

Grande parte das lesões do ombro e cotovelo são tratadas com a técnica cirúrgica minimamente invasiva chamada de artroscopia.

A artroscopia permite que o cirurgião faça reparos de lesões nos tendões, nos ligamentos e até mesmo na cartilagem em várias articulações.

Através de uma câmera colocada na articulação e utilizando os instrumentos descartáveis (cânulas, lâminas de shaver, radiofrequência, bomba de infusão) é possível visualizar e reparar grande parte das lesões existentes, proporcionando menor tempo de internação e de recuperação do paciente.

Há casos onde o tratamento cirúrgico artroscópico não é indicado, como fraturas e próteses.

Quando o tratamento cirúrgico for indicado, seja artroscópico ou aberto, procure esclarecer todas as suas dúvidas com o seu médico.

Artroscopia do ombro

A cirurgia artroscópica do ombro é uma das formas menos invasivas de abordar essa articulação.

A cirurgia por artroscopia causa menor dano muscular por manter íntegro o músculo deltoide e cicatrizes mais estéticas.

A cirurgia artroscópica consegue ainda atingir várias regiões do ombro e tratar lesões em diferentes localizações concomitantemente, coisa que não seria possível na cirurgia aberta pelo mesmo corte. Por essa razão também é uma cirurgia mais completa e que tem potencial de tratar mais lesões ao mesmo tempo.

Outra vantagem é a magnificação da ótica que podem tornar lesões pequenas mais visíveis.

Artroscopia ombro

Com os atuais avanços já é possível realizar quase todos os procedimentos conhecidos, como reparo de lesões do manguito rotador, tratamento de lesões tipo SLAP, luxações do ombro, entre outras. Mesmo reintervenções podem ser feitas por artroscopia, esse é apenas um método cirúrgico que pode ser usado em quase todas as circunstâncias.

Veja alguns vídeos exemplificando os procedimentos mais comuns:

Reparo da lesão SLAP

Tratamento cirúrgico da luxação do ombro

Reparo da lesão do manguito rotador

Acromioplastia

 

Artroscopia do cotovelo

Poucos cirurgiões de ombro e cotovelo estão habituados a esta modalidade de cirurgia. Entretanto, cada vez mais a artroscopia do cotovelo vem sendo utilizada no tratamento da rigidez, epicondilite lateral e lesões ligamentares.

A cirurgia artroscópica consegue ainda atingir várias regiões do cotovelo e lesões concomitantemente, coisa que não seria possível na cirurgia aberta pelo mesmo corte. Por essa razão também é uma cirurgia mais completa e que tem potencial de tratar mais lesões ao mesmo tempo. A cirurgia artroscópica do cotovelo é uma das formas menos invasivas de abordar essa articulação.

Artroscopia do Cotovelo

Fratura do cotovelo na criança

As fraturas supracondilianas são as fraturas do cotovelo mais comuns nas crianças (70% dos casos). Quase todas são causadas por trauma acidental. A queda de altura é responsável por 70% do número total. As crianças com menos de 3 anos de idade geralmente machucam-se ao cair da cama, de um móvel ou da escada, ao passo que as crianças com mais de 3 anos de idade geralmente caem de brinquedos como balanço ou outros equipamentos do playground.

Como é feito o diagnóstico?

Quando uma criança sente dor no cotovelo e não consegue usar o braço após uma queda, deve-se suspeitar de uma fratura no cotovelo ou do antebraço. As radiografias confirmam o diagnóstico.

Fratura supracondiliana do cotovelo

Fratura supracondiliana do cotovelo

Como é o tratamento?

Fraturas sem desvio podem ser tratadas com gesso por 3 semanas. Fraturas desviadas geralmente precisam de tratamento cirúrgico com redução da fratura sob anestesia e fixação com fios de aço, muitas vezes sem a realização de incisões na pele.

Fixação de uma fratura do cotovelo na criança

Fixação de uma fratura do cotovelo na criança

Quais as complicações?

As principais complicações são lesões vasculares e neurológicas, lesão da cartilagem de crescimento do cotovelo e consolidação em uma posição inadequada. Estas duas últimas complicações podem levar a deformidades do alinhamento do cotovelo e podem ser minimizadas ou evitadas com uma redução adequada do foco de fratura.

fratura do cotovelo na criança com consolidação viciosa e deformidade em varo

Fratura do cotovelo na criança com consolidação viciosa e deformidade em varo

Musculação e cotovelo

A atividade física, especialmente os exercícios de musculação, tem apresentado tendência crescente no número de praticantes. Entre os anos 2006 e 2014 houve um aumento de 50% no número de pessoas que praticam musculação no Brasil, totalizando aproximadamente 7 milhões de praticantes.

Consequentemente, vemos um grande número de lesões no cotovelo secundárias a musculação.
Quinze por cento das lesões do aparelho musculoesquelético são nos cotovelos. Exercícios de fortalecimento muscular estão comumente associados a epicondilite medial e a tendinite do bíceps distal.

O que é a epicondilite medial?

Atividades que realizam movimentos repetitivos de flexão (dobrar) o punho ou os dedos ocasionam a epicondilite medial. Os músculos e tendões responsáveis por estes movimentos tem origem na região interna do cotovelo (epicôndilo medial). Estes esforços causam inicialmente um processo inflamatório nesta região (tendinite). Entretanto, após este evento podem ocorrer alterações estruturais nas fibras de colágeno destes tendões, causando dor crônica e perda de força no cotovelo e punho. Também alguns fatores genéticos mal compreendidos atualmente parecem favorecer o aparecimento da epicondilite medial.

Epicôndilo medial, origem dos músculos flexores do punho e dedos

Epicôndilo medial, origem dos músculos flexores do punho e dedos

O que é a tendinite do bíceps distal?

É o processo inflamatório do tendão do músculo bíceps na região do cotovelo. Os sintomas são dor na região anterior (frente) do cotovelo e aos movimentos de flexão (dobrar) ou rodar o cotovelo. O tratamento é não-cirúrgico, podemos utilizar gelo, anti-inflamatórios e analgésicos.
Devem ser evitados também os fatores que iniciaram ou agravaram os sintomas.

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Quais exercícios comumente ocasionam lesões no cotovelo?

A epicondilite medial está relacionada com dois exercícios, bíceps na barra reta e tríceps testa. Ao realizar estes exercícios o atleta pode flexionar(dobrar) o punho de maneira inadequada no final do movimento, tensionando excessivamente a origem da musculatura flexora do antebraço, iniciando o processo inflamatório. Outra causa é que estes exercícios fazem um stress em valgo, aumentando a tensão na parte interna do cotovelo.

A tendinite do bíceps está associada aos exercícios de fortalecimento deste músculo.

Exercício tríceps testa

Exercício tríceps testa

Como prevenir a epicondilite medial e a tendinite do bíceps?

Cuidado com a carga, aumente progressivamente os pesos. Faça sempre o movimento completo, tenha atenção na postura e evite “roubar” flexionando o punho. Aquecimento e alongamento antes do treino são fundamentais. Nos exercícios para bíceps substitua a barra reta pela barra em W.

Nos primeiros sintomas, fale com seu treinador e procure um médico. Leia mais sobre o tratamento e diagnóstico da epicondilite medial e tendinite do bíceps.

A) Fortalecimento do bíceps na barra reta B) na barra em W

A) Fortalecimento do bíceps na barra reta B) na barra em W

CrossFit e lesões no ombro e cotovelo

O CrossFit é o método de treinamento que mais ganha adeptos no mundo atualmente. É um programa de atividade física que utiliza força, velocidade, concentração, flexibilidade e condicionamento cardiorespiratório em movimentos funcionais e feitos em alta intensidade.

São mais de 250 exercícios disponíveis, portanto raramente existe repetição, o que torna a atividade dinâmica e muito atraente.

O Crossfit surgiu nos Estados Unidos, na década de 1980, criado pelo treinador Greg Glassman. O modelo de treinamento foi adotado pelas forças armadas americanas para melhorar o condicionamento físico dos seus soldados. No início dos anos 2000 foi difundido pelo mundo e adotado por vários praticantes de atividade física.

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A sessão típica do CrossFit dura 60 minutos e é dividida em três etapas:

  1. Aquecimento e Alongamento – Exercícios leves para aquecer e alongar os músculos;
  2. Still ou técnica;
  3. Workout of the day (WOD) – exercícios com maior força e carga;

A prática exige que se alavanque os pesos para cima, em movimentos chamados de lifting. Esse esforço no ombro ou cotovelo acarreta um estresse nas articulações e um impacto maior do que a musculação.

Sessenta e cinco por cento das lesões do aparelho locomotor associadas ao Crossfit são no ombro ou cotovelo.

No ombro podemos ter as seguintes lesões: lesão do manguito rotador, SLAP, luxações do ombro e osteólise da clavícula distal. E no cotovelo: epicondilite lateral e medial, tendinite e ruptura biceps distal.

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É importante buscar sempre a mecânica correta dos exercícios e ficar atento a postura. Para depois evoluir na quantidade dos pesos e na velocidade do movimento. Respeite o seu limite.

Portanto, procure um profissional habilitado para ministrar um treino adequado a seu corpo e condicionamento físico. E caso tenha dor no ombro ou cotovelo, procure seu médico ou um especialista de ombro e cotovelo para uma avaliação adequada.

Bom treino!