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Dor no cotovelo: principais causas

 

Neste artigo, abordaremos resumidamente as principais causas da dor no cotovelo. Para informações mais completas sobre uma doença ou problema específico, acesse o artigo correspondente.  A dor no cotovelo é muito frequente e pode ser extremamente incapacitante, dificultando atividades habituais da nossa vida diária como vestir-se, tomar banho, fazer a higiene pessoal e comer.

Quais são as principais causas de dor no cotovelo?

Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)

epicondilite lateral é a causa mais comum de dor no cotovelo, aproximadamente 2 % da população sofrerá deste problema em alguma fase da vida. Têm relação com a prática esportiva e com atividades ocupacionais. Apesar do termo cotovelo de tenista, este esporte contribui com apenas 5 a 10 % dos casos. Entretanto, 40 a 50 % dos tenistas sofrerão de dor no cotovelo decorrentes da epicondilite lateral.  Os pacientes com epicondilite lateral queixam-se de dor na região lateral do cotovelo, que se irradia para o antebraço. Podem referir também fraqueza para agarrar e carregar objetos. Geralmente, a dor tem início gradual e insidioso e raramente há um evento inicial traumático que inicia o quadro doloroso. Saiba mais no artigo sobre epicondilite lateral.

Região lateral do cotovelo onde os pacientes referem a dor na epicondilite lateral

Região lateral do cotovelo onde os pacientes referem a dor na epicondilite lateral

 

Epicondilite medial

epicondilite medial é seis a dez vezes menos comum que a epicondilite lateral. Caracteriza-se por uma tendinopatia (tendinite) dos músculos flexores do punho que se originam na região do epicôndilo medial do cotovelo. Está associada algumas atividades esportivas como musculação, tênis e golfe. A queixa principal do paciente é dor sobre a região medial (interna) do cotovelo de caráter insidioso. A dor pode irradiar para o antebraço, mas o ponto mais doloroso é sobre o epicôndilo medial. Leia mais no artigo sobre epicondilite medial.

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Região medial do cotovelo onde os pacientes referem a dor na epicondilite medial

 

Tendinite do bíceps distal

É o processo inflamatório do tendão do músculo biceps na região do cotovelo. Os sintomas são dor na região anterior (frente) do cotovelo e aos movimentos de flexão (dobrar) ou rodar o cotovelo. É muito comum em praticantes de musculação ou trabalhadores que carregam peso. O tratamento é não-cirúrgico. Podemos utilizar gelo, antiinflamatórios e analgésicos. Saiba mais no artigo sobre tendinite do bíceps distal.

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Tendinite do tríceps

A tendinite do tríceps é muito rara, Ocorre em pacientes dos 40 aos 60 anos de idade e preferencialmente em homens. Os pacientes se queixam de dor na região posterior do cotovelo e que piora nos movimentos de extensão, especialmente naqueles que envolvem força. O tratamento é não cirúrgico preferencialmente. Leia mais no artigo sobre tendinite do tríceps.

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Artrose do cotovelo

A artrose é o desgaste da superfície de cartilagem de uma articulação. É também chamada de osteoartrose ou osteoartrite. A artrose do cotovelo é muito menos frequente que a artrose do joelho ou quadril. Os sintomas mais frequentes são dor, inchaço na articulação e perda da mobilidade.  Nos casos mais graves, a dor pode ser constante e não aliviar com medicamentos, e movimentos como levar a mão à boca ou à cabeça podem ser impossíveis. Saiba mais no artigo sobre artrose do cotovelo.

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Radiografia do cotovelo com sinais de artrose

Bursite do cotovelo

A bursa é um tecido que existe em diversas articulações, como o cotovelo, ombro, joelho e quadril. A bursa na região do cotovelo fica sobre o olécrano (região da ulna próxima ao cotovelo), por este motivo, recebe o nome de bursite olecraniana. Os principais sintomas são aumento de volume na região posterior (atrás)  do cotovelo, que pode estar acompanhado de vermelhidão e aumento da temperatura local. Geralmente a movimentação do cotovelo não é prejudicada. Leia mais no artigo sobre bursite do cotovelo.

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Instabilidade do cotovelo

Lesões dos ligamentos do cotovelo (colateral lateral) podem ocasionar dor ao invés de luxações recidivantes do cotovelo. Quando a lesão ligamentar está associada a epicondilite lateral, há maior risco do tratamento não-cirúrgico falhar. A ressonância magnética tem papel importante nesse diagnóstico e pode demonstrar as lesões do ligamento colateral ulnar, edema na cabeça do rádio e na parte posterior do capítulo.

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Representação da instabilidade do cotovelo com subluxação posterior da cabeça do rádio

Procure um médico especialista de ombro e cotovelo para um diagnóstico correto, assim você poderá ter o tratamento mais adequado e uma reabilitação mais rápida.

Tendinite e lesão do tríceps

O músculo tríceps está localizado na região posterior (atrás) do braço e é responsável pela extensão (esticar) do cotovelo. É formado por três cabeças ou porções e se insere no olécrano.

O olécrano é uma proeminência óssea da ulna na região do cotovelo.

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A tendinite do tríceps é muito rara, outras causas de dor no cotovelo como a epicondilite lateral,  a epicondilite medial e a tendinite do bíceps distal são muito mais frequentes. Ocorre em pacientes dos 40 aos 60 anos de idade e preferencialmente em homens.

Quais são os sintomas da tendinite do tríceps?

Os pacientes se queixam de dor na região posterior do cotovelo e que piora nos movimentos de extensão, especialmente naqueles que envolvem força.

Como é feito o diagnóstico da tendinite do tríceps?

A história clínica e o exame físico do paciente ajudam muito no diagnóstico. Na radiografia, podemos notar um pequeno esporão na ponta do olécrano e  a ressonância magnética confirma o diagnóstico.

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Radiografia demonstrando esporão na ponta do olécrano

Como é o tratamento da tendinite do tríceps?

O tratamento de escolha é não cirúrgico, podemos utilizar anti-inflamatórios, gelo e analgésicos. A fisioterapia com exercícios de alongamento e analgesia também pode ser empregada. Mais de 95% dos pacientes tem resolução completa dos sintomas após o tratamento.

Quais são os sintomas da lesão do tríceps?

Além dos sintomas de dor na região posterior do cotovelo, os pacientes apresentam fraqueza para esticar o cotovelo e aumento de volume no local.

Como é feito o diagnóstico?

A ressonância magnética é o exame de escolha. No exame físico, além da diminuição de força de extensão do cotovelo, podemos palpar um “gap” ou depressão na região da inserção do tríceps.

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Ressonância magnética de uma rotura completa do tríceps

Como é  o tratamento da lesão ou rotura do tríceps?

As roturas completas do tríceps são de tratamento cirúrgico. Para casos agudos com menos de 3 semanas, realizamos a reinserção do tendão no olécrano. Para casos crônicos, deve ser feita a reinserção mas com auxílio de um reforço ou enxerto tendíneo (tendão semitendíneo). Este enxerto é o mesmo utilizado nas reconstruções do ligamento cruzado anterior. Para as lesões parciais, a extensão da rotura é importante para definirmos o melhor tratamento. Para lesões menores que 50%, o tratamento preferencial é não cirúrgico, para lesões maiores, o tratamento é igual ao das roturas completas.

Reparo da rotura do triceps

Reparo da rotura do tríceps

 

Bursite do cotovelo

O que é a bursite do cotovelo?

A bursa é um tecido que existe em diversas articulações, como o cotovelo, ombro, joelho e quadril. Ela recobre os tendões e as superfícies ósseas. Tem como funções facilitar e proteger o deslizamento dos tendões. Ocasionalmente a bursa pode ficar inflamada, causando dor e aumento de volume na articulação acometida, conhecida como bursite. A bursa na região do cotovelo fica sobre o olécrano (região da ulna próxima ao cotovelo), por este motivo, recebe o nome de bursite olecraniana.

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Quais são os sintomas da bursite do cotovelo?

Os principais sintomas são aumento de volume na região posterior (atrás)  do cotovelo, que pode estar acompanhado de vermelhidão e aumento da temperatura local. Geralmente a movimentação do cotovelo não é prejudicada. Na fase aguda, o paciente pode ter dor. Ela pode regredir espontaneamente ou ficar crônica.

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Quais são as causas da bursite do cotovelo?

A bursa pode ficar inflamada devido a um traumatismo local, como quedas sobre o cotovelo. Outra causa comum é o microtraumatismo de repetição, pelo paciente ficar apoiado sobre o cotovelo em mesas ou cadeiras. Causas menos frequentes são doenças reumatológicas e a gota.

Na gota, normalmente a bursa aumenta de volume pelo acúmulo de cristais de ácido úrico, ocasionando um aumento de volume da bursa e diferentemente das outras causas no qual a bursa tem a consistência de uma bexiga cheia de água, ela fica endurecida e tem o nome de tofo gotoso.

Outra causa é uma infecção, isto é, um processo inflamatório ocasionado por uma bactéria. Infecções nessa região podem ser graves e levar a sequelas. Na presença de um quadro compatível com a bursite, procure um médico para afastar a possibilidade de infecção, especialmente se você tiver febre associada.

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Como é o tratamento?

Na fase aguda, compressas de gelo sobre o cotovelo, por 20 minutos, a cada 4 horas, ajuda a reduzir a dor e o inchaço. Podem ser utilizadas medicações antiinflamatórias. Evitar apoiar sobre o cotovelo é uma medida fundamental. Em muitos casos, a bursite regride espontaneamente.

Nos casos crônicos ou se houver suspeita de infecção, o médico pode realizar uma punção para esvaziar o liquido presente na bursa.

Nos casos onde há alguma doença associada, como reumatismo ou gota, é importante o tratamento da mesma.

A cirurgia está indicada nos casos crônicos sem melhora com medicamentos ou punção de alívio, naqueles com infecção associada ou para resseção de tofo gotoso.

Punção da bursite do cotovelo

Punção da bursite do cotovelo

 

Artrose do cotovelo

A artrose é o desgaste da superfície de cartilagem de uma articulação. É também chamada de osteoartrose ou osteoartrite.   Uma articulação para ter uma movimentação adequada e sem dor precisa ter suas superfícies recobertas de cartilagem saudáveis, lisas e bem lubrificadas. Na artrose do cotovelo ocorre um desgaste da cartilagem causando dor e diminuição da movimentação. A artrose do cotovelo é muito menos frequente que a artrose do joelho ou quadril.

Artrose do cotovelo

Artrose do cotovelo

Quais são as causas da artrose no cotovelo?

A artrose do cotovelo pode não ter uma causa conhecida, sendo chamada de artrose primária. Provavelmente fatores genéticos e familiares ocasionam o desgaste da articulação. Mas existem casos onde as causas podem ser identificadas.

Pacientes com doenças reumatológicas, gota, luxações, lesões ligamentares ou fraturas prévias no cotovelo podem desenvolver precocemente uma artrose do cotovelo.

Quais são os sintomas?

Os sintomas mais frequentes são dor, inchaço na articulação e perda da mobilidade.  Nos casos mais graves, a dor pode ser constante e não aliviar com medicamentos, e movimentos como levar a mão à boca ou à cabeça podem ser impossíveis.

Como é feito o diagnóstico da artrose do cotovelo?

As radiografias simples do cotovelo, geralmente são os únicos exames necessários. Eventualmente para o planejamento cirúrgico ou para casos muito iniciais, a tomografia computadorizada ou ressonância magnética pode ser solicitada.

Artrose do cotovelo - Radiografia

Artrose do cotovelo – Radiografia

Como é o tratamento?

O tratamento inicial é não-cirúrgico. Utilizamos analgésicos, antiinflamatórios, gelo e fisioterapia. Alguns pacientes têm melhora dos sintomas com os chamados condroprotetores, sendo os mais utilizados a condroitina e a glucosamina. Esses remédios tentam melhorar a qualidade da cartilagem. Também pode ser feita infiltração com ácido hialurônico (viscosuplementação) como tentativa de aumentar a lubrificação da articulação e consequentemente melhorar a dor do paciente. Mas lembrando que a artrose não tem cura e todas as as medidas utilizadas visam evitar a progressão e aliviar os sintomas. A cirurgia deve ser empregada na falha deste tratamento inicial.

Como é o tratamento cirúrgico para a artrose do cotovelo?

Para casos iniciais ou leves, pode ser realizado o tratamento por artroscopia. Nesta modalidade de tratamento, através de pequenas incisões e uma câmera de vídeo dentro da articulação, retiramos as irregularidades ósseas, fragmentos de cartilagem ou osso soltos, permitindo que o paciente movimente melhor o cotovelo e com menor dor.

Para casos moderados ou graves, temos 2 opções de cirurgia: a artroplastia de interposição e a artroplastia total do cotovelo.

A) Artroplastia de interposição B) Artroplastia total do cotovelo

A) Artroplastia de interposição B) Artroplastia total do cotovelo

Na artroplastia total do cotovelo substituímos a articulação por uma peça de metal. A prótese do cotovelo tem 2 componentes: o umeral e o ulnar. Esta cirurgia está indicada preferencialmente para pacientes acima de 65 anos. Infelizmente as próteses de cotovelo não tem durabilidade e resistência boas, como as próteses do joelho e quadril.

Nos pacientes jovens, está indicada a artroplastia de interposição que consiste no recobrimento da cartilagem doente com um pedaço de fáscia, tecido que recobre o músculo, retirado do próprio paciente. O objetivo desse procedimento é tentar melhorar o deslizamento da articulação. Este procedimento não tem resultados tão bons como a prótese do cotovelo, mas é melhor opção para pacientes mais jovens.

Prótese total do cotovelo - Radiografia

Prótese total do cotovelo – Radiografia

 

Epicondilite lateral

A epicondilite lateral é a causa de dor mais comum do cotovelo, aproximadamente 2 % da população sofrerá deste problema em alguma fase da vida. Têm relação com a prática esportiva e com atividades ocupacionais. Apesar do termo cotovelo de tenista, este esporte contribui com apenas 5 a 10 % dos casos. Entretanto, 40 a 50 % dos tenistas sofrerão de dor no cotovelo decorrentes da epicondilite lateral. Outros esportes como baseball, natação e esportes de arremesso também causam epicondilites. Muitos casos estão associados a atividades ocupacionais como digitadores, motoristas, operários de linha de produção, cozinheiros, entre outros.

Epicondilite

Quais são as causas da epicondilite lateral?

Atividades que realizam movimentos repetitivos do punho ou dos dedos para cima podem causar a epicondilite lateral.  Os músculos e tendões responsáveis por estes movimentos tem origem na região lateral do cotovelo (epicôndilo lateral). Estes esforços podem causar inicialmente um processo inflamatório nesta região (tendinite). Entretanto, após este evento podem ocorrer alterações estruturais nas fibras de colágeno destes tendões, causando dor crônica e perda de força no cotovelo e punho do paciente. Também alguns fatores genéticos mal compreendidos atualmente parecem favorecer o aparecimento da epicondilite lateral.

Epicondilite 2

Quais são os sintomas?

Os pacientes com epicondilite lateral queixam-se de dor na região lateral do cotovelo, que se irradia para o antebraço. Podem referir também fraqueza para agarrar e carregar objetos. Geralmente, a dor tem início gradual e insidioso e raramente há um evento inicial traumático que inicia o quadro doloroso.

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Quais os exames são necessários para confirmar o diagnóstico?

Muitas vezes, apenas a história e o exame físico são suficientes para o diagnóstico. Mas a radiografia do cotovelo é importante para descartar os diagnósticos diferenciais. Para confirmar o diagnóstico pode ser solicitado o exame de ultra-sonografia ou ressonância magnética que possuem ótima acurácia.

 

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Ressonância magnética com sinais de epicondilite lateral

Qual o tratamento da epicondilite lateral?

O tratamento da epicondilite lateral deve ser inicialmente não cirúrgico, podemos utilizar gelo, anti-inflamatórios e analgésicos.

Devem ser evitados também os fatores que iniciaram ou agravaram os sintomas. Portanto, devem ser reduzidos os movimentos repetitivos com o punho e os dedos. Se o problema está relacionado com alguma atividade esportiva deve ser verificado se o equipamento (grip da raquete ou encordoamento) ou gesto esportivo está correto.

Podem ser utilizadas órteses no punho ou cotovelo para diminuir a tensão sobre os tendões.

O tratamento fisioterápico envolve, inicialmente, um protocolo de analgesia, que pode incluir a utilização de crioterapia, calor local com a utilização de ultra-som, ondas curtas ou outros meios físicos. Posteriormente, são seguidos protocolos de alongamento e fortalecimento da musculatura do antebraço.

O tratamento cirúrgico raramente é necessário, 98% dos pacientes melhoram com o tratamento não cirúrgico.

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Cinta elástica para tratamento da epicondilite

Podem ser utilizadas infiltrações no cotovelo?

Infiltrações podem ser realizadas com diversas substâncias, entre elas: corticoide, anestésicos locais, polidocanol, toxina botulínica,sangue autólogo e plasma rico em plaquetas( PRP).  Na literatura médica, os resultados desta modalidade de tratamento é muito controverso. Apenas, as infiltrações com corticoide possuem resultado comprovado que melhoram os sintomas a curto prazo, portanto as infiltrações devem ser realizadas com cautela.

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Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico pode ser realizado por método aberto ou artroscópico e consiste na remoção da porção doente dos tendões e criação de uma área bem vascularizada para cicatrização dos tendões remanescentes. Não há estudos mostrando uma superioridade de uma técnica em relação a outra.

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Epicondilite medial

A epicondilite medial é seis a dez vezes menos comum que a epicondilite lateral. Caracteriza-se por uma tendinopatia (tendinite) dos músculos flexores do punho que se originam na região do epicôndilo medial do cotovelo. Está associada algumas atividades esportivas como musculação, tênis e golfe. Entretanto é muito mais comum em pacientes que realizam esforços repetitivos com o punho e antebraço durante suas atividades profissionais.

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Quais são os sintomas?

A queixa principal do paciente é dor sobre a região medial (interna) do cotovelo de caráter insidioso. A dor pode irradiar para o antebraço, mas o ponto mais doloroso é sobre o epicôndilo medial.

Alguns pacientes podem ter parestesias (formigamento) no quarto e quinto dedos da mão, por compressão do nervo ulnar que está muito próximo ao epicôndilo medial.

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Quais os exames são necessários para confirmar o diagnóstico?

Muitas vezes, apenas a história e o exame físico são suficientes para o diagnóstico. Mas a radiografia do cotovelo é importante para descartar os diagnósticos diferenciais. Para confirmar o diagnóstico pode ser solicitado o exame de ultra-sonografia ou ressonância magnética que possuem ótima acurácia. Quando suspeita-se de compressão do nervo ulnar é solicitada uma eletroneuromiografia dos membros superiores.

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Ressonância magnética demostrando acometimento da origem dos músculos flexores do punho (epicondilite medial).

Como é o tratamento?

Como na epicondilite lateral, o tratamento não-cirúrgico é a primeira opção e envolve: uso de anti-inflamatórios por via oral, compressas de gelo, corticoides por via intramuscular.

Devem ser evitados também os fatores que iniciaram ou agravaram os sintomas. Portanto, devem ser reduzidos os movimentos repetitivos com o punho e os dedos.

Podem ser utilizadas órteses no punho ou cotovelo para diminuir a tensão sobre os tendões.

O tratamento fisioterápico envolve, inicialmente, um protocolo de analgesia, que pode incluir a utilização de crioterapia, calor local com a utilização de ultra-som, ondas curtas ou outros meios físicos. Posteriormente, são seguidos protocolos de alongamento e fortalecimento da musculatura do antebraço.

O tratamento cirúrgico raramente é necessário, sendo indicado apenas quando após seis a nove meses de tratamento não-cirúrgico sem sucesso.

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Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico deve ser realizado por método aberto e consiste na remoção da porção doente dos tendões e criação de uma área bem vascularizada para cicatrização dos tendões remanescentes. Se houver compressão do nervo ulnar ou lesão ligamentar associada devem ser tratadas no mesmo ato cirúrgico.

Fraturas do cotovelo

A articulação do cotovelo é composta pelos seguintes ossos: úmero, rádio e ulna. Portanto, podemos ter durante um traumatismo no cotovelo: uma fratura do úmero distal, cabeça do rádio, ulna proximal (olécrano) de maneira isolada ou combinada.

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Fratura da cabeça do rádio

As fraturas da cabeça do rádio podem ocorrer de forma isolada. Menos comumente pode estar associada a uma luxação do cotovelo ou fraturas de outros ossos do cotovelo, o que pode alterar a forma do tratamento.

Como é feito o diagnóstico?

Radiografias do cotovelo em três incidências são suficientes para se diagnosticar a fratura e planejar o tratamento. No entanto, a tomografia computadorizada poderá ser útil para avaliar o tamanho, nível de fragmentação e o grau de desvio da fratura.

Fratura da cabeça do rádio

Fratura da cabeça do rádio

Quais os fatores que influenciam o tratamento?

Os fatores que influenciam o tratamento são a atividade, idade e quais exigências que o paciente irá impor ao cotovelo.

Outro fator importante que muitas vezes pode passar desapercebido no atendimento de urgência do paciente são as lesões ligamentares associadas que sempre estão presentes nos casos de fratura-luxação do cotovelo.

O número de fragmentos da fratura e o desvio destes fragmentos também são importantes.

Como é o tratamento das fraturas da cabeça do rádio?

As fraturas isoladas com desvio minimo, isto é, menor que 2 mm, podem ser tratadas não cirurgicamente. Estas fraturas são relativamente estáveis. Orientamos o uso de uma tipoia simples por 7 a 14 dias e iniciamos o tratamento fisioterápico precocemente.  Não há benefício para o paciente, ser imobilizado por um longo período e pode acarretar num cotovelo rígido de difícil tratamento.

Para fraturas com desvio maior que 2 mm, bloqueio dos movimentos do cotovelo ou com lesões ligamentares associadas é indicado o tratamento cirúrgico.  Nas fraturas com até 3 fragmentos, normalmente é realizada a fixação da fratura com placa e parafusos, nas fraturas com mais fragmentos ou fragmentos muito pequenos, a fixação pode não ser possível, sendo  realizada a substituição da cabeça do rádio por uma prótese metálica. O objetivo do tratamento cirúrgico é permitir a movimentação precoce do cotovelo para evitar uma das complicações mais frequentes, a rigidez. Para saber mais sobre as fraturas da cabeça do rádio, clique aqui.

Fratura da cabeça do rádio fixada com placa e parafusos

Fratura da cabeça do rádio fixada com placa e parafusos

Fratura da cabeça do rádio tratada com prótese

Fratura da cabeça do rádio tratada com prótese

Fratura da ulna proximal (olécrano)

O olécrano consiste na parte proximal da ulna que é facilmente palpável na região posterior (atrás) do cotovelo. Por ser bem superficial é vulnerável a traumatismos diretos nesta região. É facilmente diagnóstica por radiografias do cotovelo.

Fratura da ulna proximal (olécrano)

Fratura da ulna proximal (olécrano)

A fratura do olécrano em geral é de tratamento cirúrgico, pois está num região onde ocorre a movimentação da articulação do cotovelo e não são tolerados desvios dos fragmentos maiores que 2 mm.

Desvios maiores que 2 mm podem deixar a articulação irregular, gerar uma artrose precoce e prejudicar a movimentação do cotovelo.  Outro fator importante é que o cotovelo não pode ficar imobilizado por longo período até que ocorra a consolidação óssea, pois pode ficar rígido (sem movimentação) que dificilmente será restabelecida com o tratamento fisioterápico. Para ler mais sobre as fraturas do olecrano, clique aqui.

Fratura do olécrano tratada com placa e parafusos

Fratura do olécrano tratada com placa e parafusos

Fratura do úmero distal

O úmero, o osso do braço, articula-se com a ulna e o rádio no cotovelo. As fraturas da porção distal do úmero costumam ocorrer após queda ao solo. Esta é a fratura mais grave dentre as que podem acometer o cotovelo.

Fratura do úmero distal (cotovelo)

Fratura do úmero distal (cotovelo)

A fratura do úmero distal em geral é de tratamento cirúrgico, pois está num região onde ocorre a movimentação da articulação do cotovelo e não são tolerados desvios dos fragmentos maiores que 2 mm.

Desvios maiores que 2mm podem deixar a articulação irregular, gerar uma artrose precoce e prejudicar a movimentação do cotovelo.  Outro fator importante é que o cotovelo não pode ficar imobilizado por longo período até que ocorra a consolidação óssea, pois pode ficar rígido (sem movimentação) que dificilmente será restabelecida com o tratamento fisioterápico.

O tratamento cirúrgico das fraturas do cotovelo, na maioria dos casos é realizada com fixação da fratura com duas placas e vários parafusos. Além disso, para visualizar adequadamente a articulação do cotovelo e realizar a redução adequada, costuma ser necessário um procedimento chamado osteotomia do olécrano (é feita, cirurgicamente, uma fratura nesse osso). Após o término da fixação do úmero, é preciso fixar o olécrano também, Após a cirurgia, a fisioterapia é iniciada o mais precocemente possível, para evitar a rigidez do cotovelo. Em alguns casos com muita fragmentação da superfície articular não é possível fixar a fratura, sendo necessário realizar uma artroplastia do cotovelo.

Fratura do úmero distal tratada com placa e parafusos

Fratura do úmero distal tratada com placa e parafusos

 

Fratura do úmero distal tratada com prótese

Fratura do úmero distal tratada com prótese

Tendinite e lesão do bíceps distal

O que é a tendinite do biceps distal?

É o processo inflamatório do tendão do músculo biceps na região do cotovelo. Os sintomas são dor na região anterior (frente) do cotovelo e aos movimentos de flexão (dobrar) ou rodar o cotovelo. É muito comum em praticantes de musculação ou trabalhadores que carregam peso. O tratamento é não-cirúrgico. Podemos utilizar gelo, antiinflamatórios e analgésicos.

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Devem ser evitados também os fatores que iniciaram ou agravaram os sintomas.

O tratamento fisioterápico envolve, inicialmente, um protocolo de analgesia, que pode incluir a utilização de gelo ou calor local com a utilização de ultra-som, ondas curtas ou outros meios físicos. Posteriormente, são seguidos protocolos de alongamento e fortalecimento da musculatura do braço e antebraço.

Exercício de alongamento para o cotovelo

Exercício de alongamento para o cotovelo

Lesão do biceps distal

A lesão do tendão distal do biceps é uma lesão rara, é mais comum em homens dos 40 aos 60 anos de idade. Entretanto, sua incidência vem crescendo com o aumento de pessoas que realizam atividades físicas.

Quais são os sintomas?

A história clínica é tipica, os pacientes referem uma dor súbita na região anterior  (na frente) do cotovelo ao carregar um objeto pesado. O paciente mantém a movimentação normal do cotovelo, mas tem dor. Pode ocorrer edema ou equimose na região. O próprio paciente refere perceber uma deformidade na face anterior do cotovelo, especialmente ao realizar a flexão e extensão do cotovelo.

Equimose da lesão do biceps no cotovelo (sinal de Popeye)

Equimose da lesão do biceps no cotovelo (sinal de Popeye)

Como é feito o diagnóstico da lesão do biceps distal?

Através do exame clínico, o diagnóstico é facilmente realizado pelo especialista de ombro e cotovelo. Nos casos duvidosos, uma ressonância magnética pode ajudar (existem lesões parciais).

Ressonância magnética demonstrando lesão do biceps no cotovelo

Ressonância magnética demonstrando lesão do biceps no cotovelo

Como é o tratamento da lesão do bíceps?

O tratamento cirúrgico é o mais recomendado para essa lesão. E ele deve ser realizado até 4 semanas da lesão, caso contrário o tendão pode retrair muito e impossibilitar o reparo adequado da lesão.

O tratamento cirúrgico pode ser realizado por 2 técnicas, com uma ou duas incisões no cotovelo, preferimos a técnica com 2 incisões por ter uma menor incidência de complicações neurológicas.

É realizada uma incisão na região da prega anterior do cotovelo, onde é identificado o tendão rompido, com um instrumento cirúrgico passamos o tendão ao redor do osso rádio e realizamos uma outra incisão na região lateral do cotovelo, onde vamos prender o tendão na tuberosidade do rádio (local aonde o tendão do bíceps deve estar inserido).

O tratamento não cirúrgico é indicado para pessoas sedentárias ou idosas que reclamam de pouca dor. Lesões acima de quatro semanas torna o procedimento muito mais difícil e deve ser conversado com o paciente  a possibilidade de não fixação do tendão junto a sua posição original.

Fixação do biceps com auxílio de 01 parafuso

Fixação do biceps com auxílio de 01 parafuso

Como é o pós-operatório?

Após a cirurgia o paciente é imobilizado por 1 semana. Após uma semana inicia movimentos passivos de flexão (dobrar) e extensão do cotovelo e rotação do antebraço, tomando cuidado com a flexão e a supinação . Após mais 2 semanas é liberado para realizar a flexo-extensão ativamente. Após 6 semanas todos os movimentos são liberados. Após 3 meses inicia-se o trabalho de fortalecimento  e após 6 meses é liberado para os esportes.

E nas lesões crônicas do bíceps (com mais de 4 semanas)?

Nestes casos o tratamento cirúrgico deve ser indicado com muito cuidado, pois os resultados não são bons como nos casos agudos. Dificilmente o tendão poderá ser reinserido na sua posição original. Nos pacientes com sintomas, é necessário o reparo com o uso de algum reforço biológico. Esse reforço pode ser um tendão do joelho do paciente semelhante às cirurgias de reconstrução do ligamento cruzado .

Musculação e cotovelo

A atividade física, especialmente os exercícios de musculação, tem apresentado tendência crescente no número de praticantes. Entre os anos 2006 e 2014 houve um aumento de 50% no número de pessoas que praticam musculação no Brasil, totalizando aproximadamente 7 milhões de praticantes.

Consequentemente, vemos um grande número de lesões no cotovelo secundárias a musculação.
Quinze por cento das lesões do aparelho musculoesquelético são nos cotovelos. Exercícios de fortalecimento muscular estão comumente associados a epicondilite medial e a tendinite do bíceps distal.

O que é a epicondilite medial?

Atividades que realizam movimentos repetitivos de flexão (dobrar) o punho ou os dedos ocasionam a epicondilite medial. Os músculos e tendões responsáveis por estes movimentos tem origem na região interna do cotovelo (epicôndilo medial). Estes esforços causam inicialmente um processo inflamatório nesta região (tendinite). Entretanto, após este evento podem ocorrer alterações estruturais nas fibras de colágeno destes tendões, causando dor crônica e perda de força no cotovelo e punho. Também alguns fatores genéticos mal compreendidos atualmente parecem favorecer o aparecimento da epicondilite medial.

Epicôndilo medial, origem dos músculos flexores do punho e dedos

Epicôndilo medial, origem dos músculos flexores do punho e dedos

O que é a tendinite do bíceps distal?

É o processo inflamatório do tendão do músculo bíceps na região do cotovelo. Os sintomas são dor na região anterior (frente) do cotovelo e aos movimentos de flexão (dobrar) ou rodar o cotovelo. O tratamento é não-cirúrgico, podemos utilizar gelo, anti-inflamatórios e analgésicos.
Devem ser evitados também os fatores que iniciaram ou agravaram os sintomas.

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Quais exercícios comumente ocasionam lesões no cotovelo?

A epicondilite medial está relacionada com dois exercícios, bíceps na barra reta e tríceps testa. Ao realizar estes exercícios o atleta pode flexionar(dobrar) o punho de maneira inadequada no final do movimento, tensionando excessivamente a origem da musculatura flexora do antebraço, iniciando o processo inflamatório. Outra causa é que estes exercícios fazem um stress em valgo, aumentando a tensão na parte interna do cotovelo.

A tendinite do bíceps está associada aos exercícios de fortalecimento deste músculo.

Exercício tríceps testa

Exercício tríceps testa

Como prevenir a epicondilite medial e a tendinite do bíceps?

Cuidado com a carga, aumente progressivamente os pesos. Faça sempre o movimento completo, tenha atenção na postura e evite “roubar” flexionando o punho. Aquecimento e alongamento antes do treino são fundamentais. Nos exercícios para bíceps substitua a barra reta pela barra em W.

Nos primeiros sintomas, fale com seu treinador e procure um médico. Leia mais sobre o tratamento e diagnóstico da epicondilite medial e tendinite do bíceps.

A) Fortalecimento do bíceps na barra reta B) na barra em W

A) Fortalecimento do bíceps na barra reta B) na barra em W

Epicondilite e tênis

A epicondilite é a causa de dor mais comum do cotovelo, aproximadamente 2 % da população sofrerá deste problema em alguma fase da vida. E pode ter relação com a prática esportiva. A epicondilite lateral é também conhecida como cotovelo de tenista, o tênis contribui com 5 a 10 % dos casos. Entretanto, 40 a 50 % dos tenistas sofrerão de dor no cotovelo decorrentes de uma epicondilite.
A epicondilite medial é menos frequente, mas pode também acometer os tenistas.

O que é a epicondilite?

Atividades que realizam movimentos repetitivos do punho ou dos dedos para cima (extensão) ou para baixo (flexão) são as causas da epicondilite. Os músculos e tendões responsáveis por estes movimentos tem origem na região lateral e medial do cotovelo (epicôndilo lateral e medial). Estes esforços podem causar inicialmente um processo inflamatório nesta região (tendinite). Entretanto, após este evento ocorrem alterações estruturais nas fibras de colágeno destes tendões, causando dor crônica e perda de força no cotovelo e punho. Também alguns fatores genéticos mal compreendidos atualmente parecem favorecer o aparecimento da epicondilite lateral e medial.

Epicôndilo lateral, origem dos músculos extensors do antebraço

Epicôndilo lateral, origem dos músculos extensores do antebraço

O que pode ocasionar a epicondilite em um tenista?

Erros na técnica ou no gesto esportivo, frequentemente no backhand, podem ocasionar um esforço excessivo na musculatura extensora ou flexora do antebraço e iniciar o processo inflamatório. Segurar a raquete com força excessiva, dobrar ou esticar demais o punho ao rebater a bola são outras causas. Não podemos também esquecer do grip da raquete que pode estar inadequado.

Backhand

Backhand

Como é feito o diagnóstico da epicondilite?

Os pacientes com epicondilite queixam-se de dor na região lateral ou medial do cotovelo, que se irradia para o antebraço. Podem referir também fraqueza para agarrar e carregar objetos. Geralmente, a dor tem início gradual e insidioso e raramente há um evento inicial traumático que inicia o quadro doloroso.

Muitas vezes, apenas a história e o exame físico são suficientes para o diagnóstico da epicondilite. Mas a radiografia do cotovelo é importante para descartar os diagnósticos diferenciais. Para confirmar o diagnóstico pode ser solicitado o exame de ultra-sonografia ou ressonância magnética que possuem ótima acurácia.

Ressonância magnética com sinais de epicondilite lateral

Ressonância magnética com sinais de epicondilite lateral

Preciso parar de jogar tênis?

Não necessariamente depende dos seus sintomas (intensidade e duração), bem como a resposta ao tratamento. Reduzir a carga de treinos e partidas de tênis podem ser suficientes. Converse com seu treinador e médico.

Como posso tratar a epicondilite?

  • Procure um médico para ter o diagnóstico preciso. Converse com o seu treinador, veja se há algum erro no gesto esportivo ou na empunhadura da raquete.
  • Cheque o grip da raquete, diminua a tensão do encordoamento.
  • Faça um bom aquecimento antes dos treinos e uso gelo no final das partidas.
  • O tratamento fisioterápico deve ser realizado e este deve alongar e fortalecer a musculatura extensora e flexora do antebraço, mas não devemos esquecer da musculatura paraescapular e do manguito rotador na reabilitação.

Para maiores informações sobre o tratamento, leia mais nos artigos epicondilite lateral e medial .

Grip da raquete adequado

Grip da raquete adequado