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A Lesão de Hill-Sachs e a lesão de Bankart (lesão do lábio anterior)

A lesão de Hill-Sachs e a lesão de Bankart são alterações muito frequentemente encontradas nas pessoas com luxações do ombro. Após o primeiro episódio de uma luxação do ombro, cerca de 85% dos pacientes têm uma lesão de Hill-Sachs e nos casos de luxação recidivante este número pode chegar a 100%.

O que é a lesão de Hill-Sachs e o porquê ela ocorre ?

A lesão de Hill-Sachs é uma fratura com afundamento da cabeça do úmero na sua região posterolateral. Ela ocorre pois a cabeça do úmero colide com a borda anterior da glenoide. Esta colisão causa o esmagamento da cabeça do úmero, pois é um osso mais frágil que o osso da glenoide.

Figura demonstrando como surge uma lesão de Hill-Sachs com a colisão da cabeça do úmero contra a glenóide

Figura demonstrando como surge uma lesão de Hill-Sachs com a colisão da cabeça do úmero contra a glenóide

O que é a lesão de Bankart?

A lesão de Bankart é a lesão do lábio da glenóide na sua porção anterior. No lábio da glenóide estão inseridos os ligamentos glenoumerais, estes conferem boa parte da estabilidade do ombro. Quando o ombro luxa, o local mais comum de ocorrer uma lesão dos ligamentos glenoumerais é justamente na região do lábio da glenóide, que descola da escápula. Na cirurgia para tratamento da luxação do ombro, o procedimento mais comumente realizado é a reinserção do lábio da glenóide na escápula.

Lesão de Bankart (seta preta)

Lesão de Bankart (seta preta)

Na luxação do ombro pode ocorrer lesão do lábio da glenóide superior ou posterior?

As luxações mais comuns são as anteriores, portanto a lesão do lábio mais frequente é na região anterior. Mas as lesões do lábio podem se estender para a região superior, as chamadas lesões SLAP. Nos casos de luxação posterior, menos comuns, ocorre lesão do lábio posterior da glenóide.

Ressonância magnética demostrando lesão do lábio posterior da glenóide (seta branca)

Ressonância magnética demostrando lesão do lábio posterior da glenóide (seta branca)

O que é a lesão de Bankart ósseo?

A lesão de Bankart ósseo ocorre em 2 situações:

    1. Durante um episódio de luxação anterior do ombro, ocorre uma fratura da borda anterior da glenóide em vez de ocorrer um descolamento do lábio anterior da glenóide;
    2. Em pacientes com múltiplos episódios de luxação, pode ocorrer um desgaste da região anterior da glenóide.

Estas 2 situações são mais graves e tornam o ombro mais instável e suscetível a luxações em situações banais como espirrar, dormir ou pentear o cabelo.

Tomografia computadorizada evidenciando lesão de Bankart ósseo (seta branca)

Tomografia computadorizada evidenciando lesão de Bankart ósseo (seta branca)

O que é a lesão de Hill-Sachs reverso?

A lesão de Hill-Sachs reverso é um afundamento da cabeça do úmero na sua região anterior relacionada a luxação posterior do ombro. É muito menos comum que as lesões de Hill-Sachs das luxações anteriores.

Tomografia computadorizada demostrando lesão de Hill-Sachs reverso

Tomografia computadorizada demostrando lesão de Hill-Sachs reverso

Quais são os melhores exames para avaliar a lesão de Hill-Sachs e a lesão de Bankart?

O melhor exame é a ressonância magnética. Para casos com desgaste ósseo importante ou grande pode ser necessária uma tomografia computadorizada para medir adequadamente os defeitos ósseos.

Ressonância magnética demonstrando lesão do lábio anterior da glenóide (seta preta) e lábio posterior integro (seta branca)

Ressonância magnética demonstrando lesão do lábio anterior da glenóide (seta preta) e lábio posterior integro (seta branca)

Para saber mais sobre a luxação do ombro, leia nosso artigo sobre luxação do ombro.  Procure um médico especialista em ombro e cotovelo para saber mais sobre as opções de tratamento.

Capsulite adesiva (ombro congelado) : fisioterapia, medicamentos e outras modalidades de tratamento

A capsulite adesiva ou ombro congelado é uma doença que acomete 2 a 5% da população geral. Ela ocorre mais comumente em mulheres entre 40 a 60 anos de idade e em 25% dos pacientes tem acometimento bilateral. Entretanto, apesar de ser uma doença comum, é frequentemente não diagnosticada. Muitos pacientes são tratados como portadores de tendinites e bursites do ombro e somente após várias avaliações médicas conseguem o diagnóstico correto. Para saber mais sobre ombro congelado, acesse a página sobre capsulite adesiva.

Em relação ao tratamento não há consenso na literatura médica, quais são os tratamentos mais efetivos para esta doença. O tratamento escolhido depende da função do paciente no momento da avaliação. Geralmente, o tratamento não cirúrgico é indicado inicialmente por 6 a 9 meses. Caso não haja progresso ou a condição clínica piore pode ser indicado o tratamento cirúrgico. Neste artigo, discuto as modalidades existentes, em qual fase da doença devem ser aplicados e quais os resultados esperados. O objetivo final do tratamento é o alívio da dor e o restabelecimento da função do ombro.

Medicações por via oral

Os anti-inflamatórios não hormonais são utilizados na fase inicial da doença, ou seja, na fase inflamatória ou dolorosa, entretanto sua eficácia tem baixa evidência na literatura médica atual.
Por sua vez, os corticoides ou anti-inflamatórios hormonais são mais efetivos e podem ser utilizados por até 6 semanas. Esta medicações melhoram a dor dos pacientes especialmente a noturna e estão associados a melhora da função do ombro. A utilização dos corticoides por mais de 2 meses, não traz ganhos significativos e os riscos dos efeitos colaterais aumentam muito.
Analgésicos como o tramadol, a codeína ou paracetamol também podem ser utilizados para controle da dor.

Na fase inicial da capsulite adesiva, uma combinação de analgésicos e corticoides por via oral são efetivos no controle da dor.

Na fase inicial da capsulite adesiva, uma combinação de analgésicos e corticoides por via oral são efetivos no controle da dor.

Infiltrações no ombro

Infiltrações são injeções de medicamentos dentro das articulações. As infiltrações intra-articulares com corticoides são utilizadas a vários anos no tratamento do ombro congelado. O número de infiltrações e a técnica variam de médico para médico e a dose de corticoide empregada varia de 20 a 60 mg de Triancinolona. Vários estudos clínicos têm demonstrado a eficácia desta modalidade de tratamento na capsulite adesiva. Para capsulite adesiva, realizamos a infiltração, geralmente em ambiente hospitalar, sob sedação, e com controle do posicionamento correto da agulha na articulação com auxílio de ultrassom ou fluruoscopia.
O emprego de infiltrações com hialoronato de sódio (viscossuplementação) é recente. Apesar dos resultados muito animadores deste medicamento nos casos de artrose, para capsulite adesiva os resultados desta medicação não superiores ao tratamento com os corticoides.

Infiltração no ombro

Infiltração no ombro

Fisioterapia

A fisioterapia é um dos tratamentos mais prescritos pelos ortopedistas para a capsulite adesiva. Ela tem papel importante na prevenção da redução da amplitude de movimento do ombro na fase de congelamento e no restabelecimento da movimentação do ombro na fase de descongelamento.
Muitos artigos científicos comprovam que exercícios de alongamento no limite da dor dos pacientes e até exercícios realizados em casa parecem fornecer melhores resultados que programas intensivos de alongamento. Também existe uma boa evidência para a eficácia da terapia a laser e do aquecimento profundo, especialmente se aplicado como adjuvantes a outras modalidades de tratamento, como as técnicas de mobilização ou programas de exercícios na fisioterapia.

Tratamento fisioterápico na capsulite adesiva

Tratamento fisioterápico na capsulite adesiva

Bloqueio do nervo supraescapular

O nervo supraescapular é responsável pela inervação sensitiva e da dor na região do ombro. O bloqueio ou infiltração com anestésicos no trajeto do nervo, em intervalos semanais, é preconizado por alguns cirurgiões ortopédicos. Alguns estudos demostram resultados com melhora da dor em pacientes com ombro congelado. Este método de tratamento pode ser utilizado em casos refratários a outras terapias para controle da dor.

Bloqueio do nervo supraescapular para tratamento da capsulite adesiva

Bloqueio do nervo supraescapular para tratamento da capsulite adesiva

Liberação artroscópica do ombro (cirurgia para ombro congelado)

O tratamento cirúrgico está indicado após o insucesso do tratamento não-cirúrgico realizado por 6 a 9 meses. Esta modalidade de tratamento é muito útil para os pacientes com pouca dor e dificuldade de ganho de amplitude de movimento com o tratamento fisioterápico. Não é recomendada sua utilização durante a fase inicial da capsulite adesiva.

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Tratamento artroscópico do ombro congelado

Procure um médico especialista de ombro e cotovelo para confirmar o seu diagnóstico e iniciar o tratamento o mais breve possível, quanto mais cedo for iniciado, melhores resultados serão alcançados mais brevemente.

A Capsulite Adesiva ou Ombro Congelado tem cura?

A capsulite adesiva ou ombro congelado é uma doença caracterizada por dor e perda progressiva da movimentação do ombro. É mais comum em pacientes com idade entre 40 a 60 anos e nas mulheres. Cerca de 2% da população terá um episódio de capsulite adesiva nos ombros e este número pode chegar a 50% nos pacientes diabéticos.

A capsulite adesiva é uma doença autolimitada, ou seja, ela têm cura espontaneamente. Entretanto, o diagnóstico e o tratamento precoces podem acelerar o curso natural da doença. De maneira didática, ela pode ser divida em 3 fases: inflamatória, congelamento e descongelamento. A duração total da doença pode variar de 8 a 36 meses. Portanto, os pacientes devem ter muito cuidado e paciência durante o tratamento desta doença. Para saber mais sobre a capsulite adesiva, clique aqui.

Quais são as fases e sintomas da capsulite adesiva (ombro congelado)?

  • Fase inflamatória: Pode durar semanas até 3 meses, caracteriza-se por dor leve a intensa e pior no período noturno, paciente ainda não apresenta restrição da movimentação.
  • Fase de congelamento: Paciente com dor intensa e perda progressiva da movimentação. Na etapa final desta fase, o ombro encontra-se com grande restrição da movimentação e a dor diminuiu, sendo presente nos extremos da movimentação do ombro.
  • Fase de descongelamento: Pode durar 4 a 18 meses, paciente tem pouca dor e a movimentação do ombro gradualmente vai melhorando.
Fases da capsulite adesiva e seus sintomas

Fases da capsulite adesiva e seus sintomas

A capsulite adesiva deixa sequelas?

Alguns pacientes, após a fase de descongelamento, podem ainda ter alguma limitação da movimentação do ombro, mas geralmente esta limitação é muito leve ou quase imperceptível para a maioria das atividades da vida diária.

A capsulite adesiva pode acometer o mesmo ombro mais de uma vez?

Felizmente não.

A capsulite adesiva pode acometer o ombro contralateral?

Sim. Cerca de 50% dos pacientes, meses ou anos após o primeiro episódio da capsulite adesiva pode ter um quadro semelhante no ombro contralateral.

Procure um especialista de ombro e cotovelo para o diagnóstico e tratamento desta doença.