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Dor no ombro e diabetes

A diabetes é um problema de saúde mundial, estima-se que atualmente 250 milhões de pessoas tenha diabetes. Em 2030, teremos 360 milhões de diabéticos. O número crescente de pessoas é atribuído ao envelhecimento populacional e, principalmente, ao estilo de vida atual, caracterizado por inatividade física e hábitos alimentares que predispõem ao acúmulo de gordura corporal. No Brasil, temos 10 milhões de diabéticos.

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Quais são as complicações do diabetes?

As complicações do diabetes normalmente ocorrem devido ao mau controle da doença e ao excesso de açúcar no sangue, podendo causar lesões em todo o corpo, incluindo olhos, rins, vasos sanguíneos e nervos. Entretanto, muitas pessoas não sabem que esta doença também pode prejudicar os seus ombros.

 

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Quais são as doenças nos ombros relacionadas ao diabetes?

As duas causas mais comuns de dor nos ombros, na população em geral, são a rotura do manguito rotador e a capsulite adesiva. Nos diabéticos, não é diferente. Entretanto, os diabéticos têm maior probabilidade de apresentarem estas duas doenças. Os diabéticos têm 5 vezes mais chance em relação a uma pessoa não diabética de ter capsulite adesiva (ombro congelado) e 13% dos diabéticos apresentaram um episódio de capsulite adesiva durante a vida. Em relação, a rotura do manguito rotador, os diabéticos têm 2 vezes mais chance que uma pessoa sem diabetes.

O que é a capsulite adesiva?

É uma doença que acomete o ombro caracterizada por dor, especialmente a noite e perda progressiva da movimentação. A capsulite ocorre por uma inflamação na cápsula articular do ombro, seguida por um enrijecimento da mesma com limitação dos movimentos da articulação. Leia mais no artigo sobre capsulite adesiva.

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Ombro com capsulite adesiva (visão pela artroscopia)

 

O que é a rotura do manguito rotador?

O manguito rotador é o conjunto de 4 tendões com seus respectivos músculos que se localizam no ombro e envolvem a cabeça do úmero. Os tendões são: tendão supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor. Esses tendões são importantes na boa mobilidade do ombro. É o manguito rotador que nos permitem levantar objetos, rodar o braço, arremessar uma bola e realizar diversas atividades da vida diária com os membros superiores. A rotura do manguito rotador é a causa mais comum de dor no ombro. A lesão do manguito rotador é quando ocorre rotura das fibras destes tendões. Leia mais sobre esta doença no artigo sobre lesões do manguito rotador.

Ressonância magnética demonstrando uma rotura do tendão supraespinal

Ressonância magnética demonstrando uma rotura do tendão supraespinal

 

Por que os pacientes diabéticos têm maior chance de ter estas duas doenças?

O excesso de glicose no sangue provoca alterações no metabolismo dos tendões e da cápsula articular do ombro.

A diabetes provoca uma diminuição do número e um afilamento das fibras de colágeno do manguito rotador, o que diminui sua resistência e pode levar a rotura destes tendões.

Em relação a capsulite adesiva, os motivos não são totalmente conhecidos. Acredita-se que a glicose se liga as fibras de colágeno da cápsula articular causando um enrijecimento da mesma. E pacientes diabéticos têm uma maior produção de substâncias inflamatórias nas células adiposas do corpo que provocam a inflamação e a rigidez do ombro congelado.

Como prevenir estas doenças?

As complicações do diabetes mellitus podem ser evitadas com a dieta, prática de atividade física e uso dos hipoglicemiantes orais ou insulina. Um bom controle glicêmico é fundamental.

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Visite frequentemente seu endocrinologista e ao apresentar qualquer sintoma de dor no ombro, procure um ortopedista especialista em ombro.

Capsulite adesiva (ombro congelado)

O que é capsulite adesiva ou ombro congelado?

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É uma doença que acomete o ombro caracterizada por dor, especialmente a noite e perda progressiva da movimentação. Ocorre mais frequentemente em mulheres. A faixa etária mais acometida é dos 40 aos 60 anos de idade.  A capsulite ocorre por fatores genéticos e metabólicos, mal compreendidos atualmente.  É mais comum em diabéticos e pacientes com alterações do funcionamento da tireoide. Mas, felizmente é uma doença autolimitada, isto é, têm cura mesmo sem tratamento.

A capsulite ocorre por uma inflamação na cápsula articular do ombro, seguida por um enrijecimento da mesma com limitação dos movimentos do ombro.

 Capsulite Adesiva

A) ombro normal B) ombro com capsulite adesiva

Quais são os sintomas e a evolução da capsulite?

O curso clínico da capsulite adesiva consiste em três fases, sendo que o ciclo total de duração da doença pode durar de 12 a 36 meses. Entretanto, estudos demonstram que pacientes que procuram atenção médica assim que os sintomas aparecem, recuperam-se mais rapidamente.

Primeira fase (inflamatória): o paciente apresenta dor difusa no ombro, de surgimento gradual e que progride durante semanas até meses. Frequentemente, a dor piora a noite.

Segunda fase (congelamento): a dor diminui de intensidade, sendo mais comum na movimentação do ombro. O paciente descreve dificuldade com as atividades diárias por uma restrição na movimentação do ombro, não consegue pegar objetos em pratileiras altas, pegar uma carteira no bolso de trás da calça, prender o sutiã, entre outras. Esta fase dura de 4 a 12 meses.

Terceira fase (descongelamento): Essa fase prolonga-se por semanas a meses e, com o retorno gradual da movimentação do ombro, a dor diminui.

Muitas vezes, o retorno total da movimentação não é possível, embora muitos pacientes sintam subjetivamente algo próximo do normal.

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito principalmente pela história e exame clínico. Exames laboratoriais e de imagem muitas vezes não ajudam no diagnóstico. Apenas radiologistas experientes conseguem através de uma ressonância magnética identificar esta doença, identificando o processo inflamatório e o aumento da espessura da capsula articular. Infelizmente muitas vezes os pacientes ficam por meses tratando seu problema como tendinite ou bursite no ombro, quando o diagnóstico correto é de capsulite adesiva.

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*Cápsula articular com sinais inflamatórios e com aumento da espessura

Quais são outros diagnósticos que podem causar limitação da movimentação do ombro?

  • Lesões do manguito rotador – pela ressonância magnética ou ultrassom pode ser identificada;
  • Artrose do ombro – pelo Rx facilmente por ser identificada;
  • Tendinite calcária – também pode ser identificado o depósito de cálcio pelo RX.

Como é o tratamento?

Felizmente, a capsulite adesiva é uma doença com cura espontânea, mas isto não significa que não deve ser feito nenhum tratamento. Na fase inicial da doença (inflamatória), analgésicos, antiinflamatórios e compressas de gelo são a base do tratamento. Nesta fase, o paciente precisa mais do que tudo melhorar a dor e controlar a inflamação, enquanto alongamentos excessivos podem inclusive piorar os sintomas, aumentar o processo inflamatório e a duração da doença. Ainda nesta fase, medicamentos da classe dos corticoides, administrados tanto por via oral quanto por injeções intramusculares são terapias usadas para a melhora da dor e da mobilidade.

Na fase de rigidez da doença, exercícios para alongamento e ganho da movimentação passam a ser primordiais. O acompanhamento desses exercícios por um fisioterapeuta costuma evoluir com melhores resultados.

Mais de 90% dos pacientes melhoram com o tratamento não cirúrgico.

Uma pequena parcela dos pacientes, mesmo fazendo exaustivamente o tratamento fisioterápico não conseguem ganhar movimentação no ombro e são candidatos ao tratamento cirúrgico.

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Como é o tratamento cirúrgico e quando está indicado?

Quando a rigidez e diminuição dos movimentos do ombro persistem, apesar do tratamento fisioterápico por um período prolongado, a cirurgia está indicada. Importante salientar que a cirurgia só deve ser realizada quando o paciente já passou da fase inflamatória da doença, quando os sintomas de dor já melhoraram e a principal queixa é a rigidez do ombro.

Quando indicado, o procedimento cirúrgico é realizado por uma técnica minimamente invasiva chamada artroscopia do ombro. Nesta técnica, a cápsula e outras estruturas espessadas e contraídas são visualizadas e liberadas, e o paciente tem um ganho imediato da movimentação. Após a cirurgia, porém, para evitar que a cápsula cicatrize de maneira contraída, uma boa fisioterapia torna-se necessária.

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