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Surf e lesões no ombro

O surf é praticado no Brasil há aproximadamente 60 anos. No início, era praticado por um pequeno grupo de jovens nas praias do litoral carioca ou paulista. Entretanto, o esporte ganhou muitos adeptos.

Nos anos de 2014 e 2015, tivemos 2 campeões mundiais brasileiros. Em 2016, foi assumido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como esporte olímpico, a partir dos Jogos Olímpicos de 2020, no Japão.

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Dor no ombro está entre as principais queixas dos surfistas. Na prática esportiva, um surfista pode dar mais de mil braçadas. Durante a remada, o ombro é submetido a amplas mudanças no seu posicionamento e a fortes contrações dos músculos peitoral maior, serrátil anterior, grande dorsal e trapézio. Este esforço de modo contínuo por ocasionar diversas lesões no ombro por sobrecarga. Entre as lesões mais frequentes nos surfistas, temos a tendinites do manguito rotador, lesões SLAP  e tendinite do bíceps. Quarenta por cento dos surfistas vai ter algum episódio de dor no ombro durante a vida.

 

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Qual é o tratamento para dor no ombro nos surfistas?

Evidentemente que o tratamento pode variar conforme o diagnóstico do paciente. Entretanto, em todos os surfistas devemos realizar exercícios de alongamento da capsula posterior dos ombros, músculos peitorais e trapézio superior. Realizar o fortalecimento dos músculos romboides, serrátil anterior e dos rotadores externos e internos dos ombros que são estabilizadores importantes da escápula.

Também devem ser utilizados gelo, antiinflamatórios e repouso.

Saiba mais sobre o tratamento e diagnóstico nos artigos sobre tendinites do manguito rotador, lesões SLAP e tendinite do bíceps.

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Fortalecimento da musculatura paraescapular

 

Outro problema muito comum entre os surfistas são as luxações do ombro. Durante uma queda da prancha, o braço pode sofrer uma rotação súbita em abdução e rotação externa e ocasionar um deslocamento anterior da articulação do ombro. Quando o ombro luxa, frequentemente ocorrem lesões nas estruturas ligamentares responsáveis pela estabilidade da articulação.

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Qual o tratamento imediato após a luxação do ombro?

Após o ombro deslocar ou sair do lugar, o tratamento imediato é reduzi-lo, isto é, recolocá-lo na sua posição original, restabelecendo o contato articular entre a cabeça do úmero e a glenóide. Isso deve ser feito por um médico e em ambiente hospitalar após avaliação clínica e realização de radiografias.

Qual o tratamento definitivo da luxação do ombro?

O tratamento mais adequado para o paciente depende da idade, número de luxações, bem como as lesões encontradas na ressonância magnética. Leia mais no artigo luxação do ombro.

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Ressonância magnética demonstrando uma lesão de Bankart (lesão do lábio anterior)

Outras lesões comuns nos surfistas após queda da prancha são as fraturas da clavícula, luxações acromioclaviculares ou fraturas do úmero.

Ao sofrer qualquer lesão no ombro ou nos primeiros sintomas de dor, procure um especialista em ombro para o correto diagnóstico e tratamento. Não fique “boiando” e boas ondas!

Vôlei e dor no ombro

O voleibol ou vôlei é um dos esportes mais populares do mundo. No Brasil, estima-se que sejam 15 milhões de praticantes. Temos diversos títulos mundiais na quadra e na areia. O Brasil obteve medalhas de ouro no vôlei de praia e de quadra masculinos na Olimpíada do Rio 2016. Quatro anos antes fomos campeões olímpicos no vôlei de quadra feminino.

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O ombro é uma das articulações mais solicitadas na prática deste esporte. Portanto, encontramos diversos atletas profissionais ou amadores com dor ou lesões nos ombros.  A maioria das lesões do ombro são por microtraumatismos ou resultante de um mecanismo de uso excessivo (overuse). As lesões mais comuns nestes atletas são: tendinite do manguito rotador, tendinite do bíceps, lesões SLAP, lesão do manguito rotador e compressão do nervo supraescapular.

 

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O que causa estas lesões?

O uso repetitivo dos ombros pelos atletas de vôlei nos movimentos de saque e ataque pode levar a uma conjunto de alterações comum aos atletas de arremesso.  A primeira alteração que ocorre  é a limitação de um movimento específico do ombro, chamado de rotação interna. Nessa fase, consideramos que o ombro está “em risco”. Muitos atletas podem ter essa restrição de movimento e não apresentarem nenhum sintoma, mas consideramos que devem ser tratados para evitar problemas futuros.

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Medida da rotação interna do ombro

 

Após certo período, o ombro com restrição da rotação interna passa a funcionar de modo alterado e sua rotação não ocorre mais no centro da articulação. Isto ocasiona um tensionamento excessivo de um tendão que tem origem no lábio da glenóide, chamado “cabeça longa do bíceps”.  Esta é a origem ou causa das lesões SLAP ou lesões do lábio superior da glenóide.  Leia mais sobre o diagnóstico e tratamento no artigo lesão SLAP.

Ressonância magnética demonstrando lesão SLAP

Ressonância magnética demonstrando lesão SLAP

Outra alteração frequente nos atletas de vôlei  é a discinesia escapular. A escápula faz a principal conexão e a transmissão de força entre o tronco e o ombro,  sendo a base para a origem e inserção de diversos músculos. Um desbalanço da musculatura ao redor da escápula pode levar a uma movimentação inadequada deste osso durante a elevação do braço. Os músculos peitorais maior e menor encurtados deslocam a escápula para frente e o músculo trapézio para cima. Esta alteração dinâmica no posicionamento da escápula pode diminuir o espaço entre a cabeça do úmero e o acrômio, local onde passam os tendões do manguito rotador. Isto pode gerar um processo inflamatório nos tendões (tendinite) e da bursa subacromial (bursite).

 

O diagnóstico da discinesia da escápula é clínico, exames de imagem raramente são necessários. Leia mais em tendinites do ombro.

Discinesia da escápula ou escápula alada por desequilíbrio muscular

Discinesia da escápula ou escápula alada por desequilíbrio muscular

Uma lesão menos comum é a compressão do nervo supraescapular com atrofia do músculo infraespinal. Esta lesão ocorre pois o nervo supraescapular passa em um túnel estreito na região da escápula.   A tração excessiva do nervo nesta região pode ocasionar um mau funcionamento do nervo e a atrofia muscular. Mas as causas exatas desta lesão são desconhecidas.  Muitos atletas tem a atrofia do músculo mas são assintomáticos. O músculo redondo menor e a porção posterior do deltóide compensam a fraqueza do infraespinal, estes pacientes não precisam de tratamento. Nos pacientes sintomáticos deve ser realizado um tratamento não-cirúrgico corrigindo a restrição da rotação interna e a discinesia da musculatura paraescapular.

 

Atrofia do músculo infraespinal (seta)

Atrofia do músculo infraespinal (seta)

Como evitar estas lesões?

Os atletas devem executar um programa de reabilitação que envolve exercícios de alongamento dos músculo peitoral maior e menor, bem como alongamentos para eliminar a restrição da rotação interna dos ombros. Leia mais em alongamentos para dor no ombro. Devem ser executados exercícios de fortalecimento da musculatura paraescapular (romboides, serrátil anterior e trapézio) para eliminar a discinesia escapular ou escápula alada. O fortalecimento dos músculos rotadores do ombro também é importante, principalmente dos rotadores externos, que podem “amortecer” a fase final do saque e do ataque.

Alongamento para diminuir a restrição da rotação interna

Alongamento para diminuir a restrição da rotação interna

Como é o tratamento dos atletas de vôlei com dor no ombro?

Evidentemente que o tratamento pode variar conforme o diagnóstico do paciente. Entretanto, em todos os atletas devemos realizar uma reabilitação com intuito de diminuir os sintomas de restrição da rotação interna quando existentes. E corrigir o desbalanço da musculatura periescapular, eliminando a discinesia da escápula.

Devem ser realizados exercícios de alongamento da capsula posterior dos ombros, músculos peitorais e trapézio superior.

Devemos realizar o fortalecimento dos músculos romboides, serrátil anterior e dos rotadores externos e internos dos ombros que são estabilizadores importantes da escápula.

Também devem ser utilizados gelo, antiinflamatórios e repouso.

É importante o atleta, o treinador e os ortopedistas estarem atentos as características das diferentes lesões que podem estar presentes nestes atletas. Procure um médico ortopedista especialista de ombro. Garantindo um diagnóstico e plano de tratamento adequado para auxiliar o atleta em seu retorno ao esporte.