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Lesão SLAP (lesão do lábio superior)

As lesões SLAP  são aquelas que ocorrem no lábio superior da glenóide. A superfície articular da escápula (glenóide) articula com a cabeça do úmero formando a articulação do ombro. O lábio é uma estrutura que circunda a superfície articular da glenóide aumentando a área e a estabilidade do ombro, evitando que ele luxe com a movimentação.

Estas lesões foram descobertas apenas há 25 anos com o desenvolvimento das técnicas de artroscopia e melhora dos métodos diagnósticos. Comumente estas lesões acometem a origem do músculo bíceps, pois um dos tendões deste músculo origina-se nesta região.

Representação anatômica da lesão SLAP

Representação anatômica da lesão SLAP

O que causa as lesões SLAP?

As lesões podem ter origem traumática durante uma atividade esportiva, queda ou outro acidente. Também podem ter origem degenerativa por movimentos repetitivos com os ombros. É comum sua presença em atletas de esporte de arremesso (tênis, vôlei, atletismo).

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Como é feito o diagnóstico?

Os pacientes com lesão SLAP referem dor no ombro que não tem uma localização específica, o que dificulta o diagnóstico. Em geral, o exame clínico do paciente pode ajudar, mas não confirma o problema. As lesões SLAP dificilmente são doenças isoladas nos ombros dos pacientes, normalmente as encontramos associadas a lesões do manguito rotador ou outras alterações degenerativas que confundem o diagnóstico. A ressonância magnética ou artroressonância (ressonância com contraste) são os exames que podem confirmar o diagnóstico.

Ressonância magnética demonstrando uma lesão SLAP

Ressonância magnética demonstrando uma lesão SLAP

Como é o tratamento das lesões SLAP?

As lesões SLAP não são todas tratadas cirurgicamente. A maioria das lesões são degenerativas, existe apenas uma leve alteração no lábio superior da glenóide. Para estes pacientes o tratamento fisioterápico está indicado. Os objetivos da reabilitação são alongamento da cápsula posterior do ombro que eventualmente está pouco alongada e fortalecimento da musculatura ao redor da escápula e dos rotadores externos e internos dos ombros. Atualmente, mesmo em pacientes jovens e atletas com lesões onde há destacamento do lábio, a reabilitação fisioterápica é o tratamento inicial, pois pode ser o suficiente para eliminar a dor do paciente e permitir a prática esportiva normal sem necessidade de um longo período de reabilitação. Uma publicação científica recente demonstrou que mesmo em atletas de alto rendimento, o tratamento não cirúrgico da lesão SLAP é efetivo em 70% dos casos.

Alongamento da cápsula posterior do ombro

Alongamento da cápsula posterior do ombro

Quando está indicado o tratamento cirúrgico da lesão SLAP e qual o melhor tratamento?

A minoria dos pacientes precisa de tratamento cirúrgico. Ele está indicado apenas quando não há melhora com a reabilitação fisioterápica. Existem 02 tipos de cirurgia: o reparo do lábio superior e a tenodese do bíceps. A primeira opção é indicada para pacientes abaixo de 40 anos de idade e a tenodese do bíceps para aqueles com mais de 40 anos.

No reparo da lesão SLAP, o lábio é reinserido na porção superior da glenoide com auxílio de âncoras.

Reparo da lesão SLAP com auxílio de âncoras

Reparo da lesão SLAP com auxílio de âncoras

Na tenodese, o bíceps é cortado de seu local original e reinserido no úmero com auxílio de âncoras ou parafusos. Ambas técnicas são feitas por artroscopia. As principais complicações do tratamento cirúrgico são dor residual, perda de força do arremesso e rigidez que podem ser minimizadas com a escolha da técnica adequada.

Tenodese da cabeça longa do bíceps

Tenodese da cabeça longa do bíceps

Como é o pós-operatório da lesão SLAP?

Após a cirurgia o paciente deve ficar imobilizado com tipoia por 1 mês, exercícios para ganho de amplitude da movimentação são iniciados após este período. Fortalecimento é iniciado após 3 meses da cirurgia e o retorno ao esporte de 5 a 6 meses.

Cisto paralabral e a lesão SLAP

Cisto paralabral no ombro

Cisto paralabral no ombro

Algumas lesões SLAP podem favorecer a formação de cistos ao redor da articulação do ombro, chamados cistos paralabrais ou paralabiais. Este cisto é benigno e formado pelo acúmulo de líquido articular que escapa da articulação pela lesão SLAP. A maioria dos cistos são assintomáticos e não necessitam ser tratados, mas alguns quando grandes podem comprimir algum nervo e levar a dor e diminuição da força. Quando existe esta compressão deve ser indicado o tratamento cirúrgico.

Tendinite e lesão do bíceps distal

O que é a tendinite do biceps distal?

É o processo inflamatório do tendão do músculo biceps na região do cotovelo. Os sintomas são dor na região anterior (frente) do cotovelo e aos movimentos de flexão (dobrar) ou rodar o cotovelo. É muito comum em praticantes de musculação ou trabalhadores que carregam peso. O tratamento é não-cirúrgico. Podemos utilizar gelo, antiinflamatórios e analgésicos.

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Devem ser evitados também os fatores que iniciaram ou agravaram os sintomas.

O tratamento fisioterápico envolve, inicialmente, um protocolo de analgesia, que pode incluir a utilização de gelo ou calor local com a utilização de ultra-som, ondas curtas ou outros meios físicos. Posteriormente, são seguidos protocolos de alongamento e fortalecimento da musculatura do braço e antebraço.

Exercício de alongamento para o cotovelo

Exercício de alongamento para o cotovelo

Lesão do biceps distal

A lesão do tendão distal do biceps é uma lesão rara, é mais comum em homens dos 40 aos 60 anos de idade. Entretanto, sua incidência vem crescendo com o aumento de pessoas que realizam atividades físicas.

Quais são os sintomas?

A história clínica é tipica, os pacientes referem uma dor súbita na região anterior  (na frente) do cotovelo ao carregar um objeto pesado. O paciente mantém a movimentação normal do cotovelo, mas tem dor. Pode ocorrer edema ou equimose na região. O próprio paciente refere perceber uma deformidade na face anterior do cotovelo, especialmente ao realizar a flexão e extensão do cotovelo.

Equimose da lesão do biceps no cotovelo (sinal de Popeye)

Equimose da lesão do biceps no cotovelo (sinal de Popeye)

Como é feito o diagnóstico da lesão do biceps distal?

Através do exame clínico, o diagnóstico é facilmente realizado pelo especialista de ombro e cotovelo. Nos casos duvidosos, uma ressonância magnética pode ajudar (existem lesões parciais).

Ressonância magnética demonstrando lesão do biceps no cotovelo

Ressonância magnética demonstrando lesão do biceps no cotovelo

Como é o tratamento da lesão do bíceps?

O tratamento cirúrgico é o mais recomendado para essa lesão. E ele deve ser realizado até 4 semanas da lesão, caso contrário o tendão pode retrair muito e impossibilitar o reparo adequado da lesão.

O tratamento cirúrgico pode ser realizado por 2 técnicas, com uma ou duas incisões no cotovelo, preferimos a técnica com 2 incisões por ter uma menor incidência de complicações neurológicas.

É realizada uma incisão na região da prega anterior do cotovelo, onde é identificado o tendão rompido, com um instrumento cirúrgico passamos o tendão ao redor do osso rádio e realizamos uma outra incisão na região lateral do cotovelo, onde vamos prender o tendão na tuberosidade do rádio (local aonde o tendão do bíceps deve estar inserido).

O tratamento não cirúrgico é indicado para pessoas sedentárias ou idosas que reclamam de pouca dor. Lesões acima de quatro semanas torna o procedimento muito mais difícil e deve ser conversado com o paciente  a possibilidade de não fixação do tendão junto a sua posição original.

Fixação do biceps com auxílio de 01 parafuso

Fixação do biceps com auxílio de 01 parafuso

Como é o pós-operatório?

Após a cirurgia o paciente é imobilizado por 1 semana. Após uma semana inicia movimentos passivos de flexão (dobrar) e extensão do cotovelo e rotação do antebraço, tomando cuidado com a flexão e a supinação . Após mais 2 semanas é liberado para realizar a flexo-extensão ativamente. Após 6 semanas todos os movimentos são liberados. Após 3 meses inicia-se o trabalho de fortalecimento  e após 6 meses é liberado para os esportes.

E nas lesões crônicas do bíceps (com mais de 4 semanas)?

Nestes casos o tratamento cirúrgico deve ser indicado com muito cuidado, pois os resultados não são bons como nos casos agudos. Dificilmente o tendão poderá ser reinserido na sua posição original. Nos pacientes com sintomas, é necessário o reparo com o uso de algum reforço biológico. Esse reforço pode ser um tendão do joelho do paciente semelhante às cirurgias de reconstrução do ligamento cruzado .

Lesão do bíceps no ombro

O músculo bíceps está na região anterior (frente) do braço. Ele é responsável por dobrar o cotovelo e girar o antebraço, colocando a palma da mão para cima.  O músculo bíceps é formado por duas porções: a cabeça curta e a cabeça longa do bíceps. Lesões da cabeça curta são extremamente raras, mas o acometimento da cabeça longa é frequente, sendo causa comum de dor no ombro. Frequentemente os distúrbios do bíceps estão associados a lesões do manguito rotador.

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Por que ocorrem as lesões do bíceps?

Em muitos pacientes, o tendão do bíceps sofre uma ruptura pois apresenta um processo inflamatório crônico. Nestes pacientes encontramos uma história prévia de dor no ombro. Nos praticantes de musculação, a ruptura do bíceps está associada ao uso de anabolizantes. Com o tendão enfraquecido, ao realizar um esforço como levantar um objeto pesado, o tendão da cabeça longa do biceps pode romper-se completamente.  A cabeça curta do biceps mantém-se integra o que permite que os pacientes mantenham a movimentação do cotovelo.

Quais são os sintomas da lesão do bíceps no ombro?

Os pacientes referem dor súbita na região anterior (frente) do ombro. Após alguns dias, podem apresentar um hematoma no braço. É comum a perda de força transitória para dobrar o cotovelo e virar o antebraço colocando a palma da mão para cima.

Após algumas semanas, diminuindo o inchaço da lesão é perceptível uma deformidade com um abaulamento na região anterior do braço (sinal do Popeye).

Lesão do biceps com sinal do Popeye

Lesão do bíceps com sinal do Popeye

Quais exames de imagem são importantes para o diagnóstico?

As lesões do bíceps são fáceis de serem identificadas pelo exame clínico, mas devemos em todos os pacientes com suspeita de lesão do bíceps pedir uma ressonância magnética do ombro para verificar se não houve uma lesão do manguito rotador associada.

Ressonância magnética demonstrando ausência do biceps no ombro pela ruptura

Ressonância magnética demonstrando ausência do bíceps no ombro pela ruptura

Qual o tratamento das lesões da cabeça longa do bíceps?

Na maioria dos pacientes, a dor e a fraqueza para dobrar o cotovelo é temporária.  E a deformidade no braço pode não incomodar alguns pacientes, principalmente os mais idosos e com menor atividade física. Nestes casos, o tratamento não cirúrgico com gelo, antiinflamatórios e fisioterapia é suficiente.

Para pacientes mais jovens e ativos, o tratamento cirúrgico pode ser indicado.  O procedimento realizado é a tenodese do bíceps. A tenodese possui diversos métodos e locais de fixação, não havendo consenso entre os ortopedistas qual o melhor método. A fixação do tendão pode ser realizada através de túneis transósseos e fios de alta resistência, parafusos de interferência ou âncoras.  As complicações desta cirurgia são raras. Após a cirurgia, o ombro pode ser imobilizado temporariamente com uma tipoia. A cirurgia bem sucedida pode corrigir a deformidade do músculo, retornar a força e função do braço.

O tratamento cirúrgico também está indicado para os pacientes com lesão do manguito rotador associada.

Tenodese da cabeça longa do bíceps

Tenodese da cabeça longa do bíceps