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Capsulite adesiva (ombro congelado) : fisioterapia, medicamentos e outras modalidades de tratamento

A capsulite adesiva ou ombro congelado é uma doença que acomete 2 a 5% da população geral. Ela ocorre mais comumente em mulheres entre 40 a 60 anos de idade e em 25% dos pacientes tem acometimento bilateral. Entretanto, apesar de ser uma doença comum, é frequentemente não diagnosticada. Muitos pacientes são tratados como portadores de tendinites e bursites do ombro e somente após várias avaliações médicas conseguem o diagnóstico correto. Para saber mais sobre ombro congelado, acesse a página sobre capsulite adesiva.

Em relação ao tratamento não há consenso na literatura médica, quais são os tratamentos mais efetivos para esta doença. O tratamento escolhido depende da função do paciente no momento da avaliação. Geralmente, o tratamento não cirúrgico é indicado inicialmente por 6 a 9 meses. Caso não haja progresso ou a condição clínica piore pode ser indicado o tratamento cirúrgico. Neste artigo, discuto as modalidades existentes, em qual fase da doença devem ser aplicados e quais os resultados esperados. O objetivo final do tratamento é o alívio da dor e o restabelecimento da função do ombro.

Medicações por via oral

Os anti-inflamatórios não hormonais são utilizados na fase inicial da doença, ou seja, na fase inflamatória ou dolorosa, entretanto sua eficácia tem baixa evidência na literatura médica atual.
Por sua vez, os corticoides ou anti-inflamatórios hormonais são mais efetivos e podem ser utilizados por até 6 semanas. Esta medicações melhoram a dor dos pacientes especialmente a noturna e estão associados a melhora da função do ombro. A utilização dos corticoides por mais de 2 meses, não traz ganhos significativos e os riscos dos efeitos colaterais aumentam muito.
Analgésicos como o tramadol, a codeína ou paracetamol também podem ser utilizados para controle da dor.

Na fase inicial da capsulite adesiva, uma combinação de analgésicos e corticoides por via oral são efetivos no controle da dor.

Na fase inicial da capsulite adesiva, uma combinação de analgésicos e corticoides por via oral são efetivos no controle da dor.

Infiltrações no ombro

Infiltrações são injeções de medicamentos dentro das articulações. As infiltrações intra-articulares com corticoides são utilizadas a vários anos no tratamento do ombro congelado. O número de infiltrações e a técnica variam de médico para médico e a dose de corticoide empregada varia de 20 a 60 mg de Triancinolona. Vários estudos clínicos têm demonstrado a eficácia desta modalidade de tratamento na capsulite adesiva. Para capsulite adesiva, realizamos a infiltração, geralmente em ambiente hospitalar, sob sedação, e com controle do posicionamento correto da agulha na articulação com auxílio de ultrassom ou fluruoscopia.
O emprego de infiltrações com hialoronato de sódio (viscossuplementação) é recente. Apesar dos resultados muito animadores deste medicamento nos casos de artrose, para capsulite adesiva os resultados desta medicação não superiores ao tratamento com os corticoides.

Infiltração no ombro

Infiltração no ombro

Fisioterapia

A fisioterapia é um dos tratamentos mais prescritos pelos ortopedistas para a capsulite adesiva. Ela tem papel importante na prevenção da redução da amplitude de movimento do ombro na fase de congelamento e no restabelecimento da movimentação do ombro na fase de descongelamento.
Muitos artigos científicos comprovam que exercícios de alongamento no limite da dor dos pacientes e até exercícios realizados em casa parecem fornecer melhores resultados que programas intensivos de alongamento. Também existe uma boa evidência para a eficácia da terapia a laser e do aquecimento profundo, especialmente se aplicado como adjuvantes a outras modalidades de tratamento, como as técnicas de mobilização ou programas de exercícios na fisioterapia.

Tratamento fisioterápico na capsulite adesiva

Tratamento fisioterápico na capsulite adesiva

Bloqueio do nervo supraescapular

O nervo supraescapular é responsável pela inervação sensitiva e da dor na região do ombro. O bloqueio ou infiltração com anestésicos no trajeto do nervo, em intervalos semanais, é preconizado por alguns cirurgiões ortopédicos. Alguns estudos demostram resultados com melhora da dor em pacientes com ombro congelado. Este método de tratamento pode ser utilizado em casos refratários a outras terapias para controle da dor.

Bloqueio do nervo supraescapular para tratamento da capsulite adesiva

Bloqueio do nervo supraescapular para tratamento da capsulite adesiva

Liberação artroscópica do ombro (cirurgia para ombro congelado)

O tratamento cirúrgico está indicado após o insucesso do tratamento não-cirúrgico realizado por 6 a 9 meses. Esta modalidade de tratamento é muito útil para os pacientes com pouca dor e dificuldade de ganho de amplitude de movimento com o tratamento fisioterápico. Não é recomendada sua utilização durante a fase inicial da capsulite adesiva.

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Tratamento artroscópico do ombro congelado

Procure um médico especialista de ombro e cotovelo para confirmar o seu diagnóstico e iniciar o tratamento o mais breve possível, quanto mais cedo for iniciado, melhores resultados serão alcançados mais brevemente.

A Capsulite Adesiva ou Ombro Congelado tem cura?

A capsulite adesiva ou ombro congelado é uma doença caracterizada por dor e perda progressiva da movimentação do ombro. É mais comum em pacientes com idade entre 40 a 60 anos e nas mulheres. Cerca de 2% da população terá um episódio de capsulite adesiva nos ombros e este número pode chegar a 50% nos pacientes diabéticos.

A capsulite adesiva é uma doença autolimitada, ou seja, ela têm cura espontaneamente. Entretanto, o diagnóstico e o tratamento precoces podem acelerar o curso natural da doença. De maneira didática, ela pode ser divida em 3 fases: inflamatória, congelamento e descongelamento. A duração total da doença pode variar de 8 a 36 meses. Portanto, os pacientes devem ter muito cuidado e paciência durante o tratamento desta doença. Para saber mais sobre a capsulite adesiva, clique aqui.

Quais são as fases e sintomas da capsulite adesiva (ombro congelado)?

  • Fase inflamatória: Pode durar semanas até 3 meses, caracteriza-se por dor leve a intensa e pior no período noturno, paciente ainda não apresenta restrição da movimentação.
  • Fase de congelamento: Paciente com dor intensa e perda progressiva da movimentação. Na etapa final desta fase, o ombro encontra-se com grande restrição da movimentação e a dor diminuiu, sendo presente nos extremos da movimentação do ombro.
  • Fase de descongelamento: Pode durar 4 a 18 meses, paciente tem pouca dor e a movimentação do ombro gradualmente vai melhorando.
Fases da capsulite adesiva e seus sintomas

Fases da capsulite adesiva e seus sintomas

A capsulite adesiva deixa sequelas?

Alguns pacientes, após a fase de descongelamento, podem ainda ter alguma limitação da movimentação do ombro, mas geralmente esta limitação é muito leve ou quase imperceptível para a maioria das atividades da vida diária.

A capsulite adesiva pode acometer o mesmo ombro mais de uma vez?

Felizmente não.

A capsulite adesiva pode acometer o ombro contralateral?

Sim. Cerca de 50% dos pacientes, meses ou anos após o primeiro episódio da capsulite adesiva pode ter um quadro semelhante no ombro contralateral.

Procure um especialista de ombro e cotovelo para o diagnóstico e tratamento desta doença.

Dor no ombro e diabetes

A diabetes é um problema de saúde mundial, estima-se que atualmente 250 milhões de pessoas tenha diabetes. Em 2030, teremos 360 milhões de diabéticos. O número crescente de pessoas é atribuído ao envelhecimento populacional e, principalmente, ao estilo de vida atual, caracterizado por inatividade física e hábitos alimentares que predispõem ao acúmulo de gordura corporal. No Brasil, temos 10 milhões de diabéticos.

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Quais são as complicações do diabetes?

As complicações do diabetes normalmente ocorrem devido ao mau controle da doença e ao excesso de açúcar no sangue, podendo causar lesões em todo o corpo, incluindo olhos, rins, vasos sanguíneos e nervos. Entretanto, muitas pessoas não sabem que esta doença também pode prejudicar os seus ombros.

 

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Quais são as doenças nos ombros relacionadas ao diabetes?

As duas causas mais comuns de dor nos ombros, na população em geral, são a rotura do manguito rotador e a capsulite adesiva. Nos diabéticos, não é diferente. Entretanto, os diabéticos têm maior probabilidade de apresentarem estas duas doenças. Os diabéticos têm 5 vezes mais chance em relação a uma pessoa não diabética de ter capsulite adesiva (ombro congelado) e 13% dos diabéticos apresentaram um episódio de capsulite adesiva durante a vida. Em relação, a rotura do manguito rotador, os diabéticos têm 2 vezes mais chance que uma pessoa sem diabetes.

O que é a capsulite adesiva?

É uma doença que acomete o ombro caracterizada por dor, especialmente a noite e perda progressiva da movimentação. A capsulite ocorre por uma inflamação na cápsula articular do ombro, seguida por um enrijecimento da mesma com limitação dos movimentos da articulação. Leia mais no artigo sobre capsulite adesiva.

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Ombro com capsulite adesiva (visão pela artroscopia)

 

O que é a rotura do manguito rotador?

O manguito rotador é o conjunto de 4 tendões com seus respectivos músculos que se localizam no ombro e envolvem a cabeça do úmero. Os tendões são: tendão supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor. Esses tendões são importantes na boa mobilidade do ombro. É o manguito rotador que nos permitem levantar objetos, rodar o braço, arremessar uma bola e realizar diversas atividades da vida diária com os membros superiores. A rotura do manguito rotador é a causa mais comum de dor no ombro. A lesão do manguito rotador é quando ocorre rotura das fibras destes tendões. Leia mais sobre esta doença no artigo sobre lesões do manguito rotador.

Ressonância magnética demonstrando uma rotura do tendão supraespinal

Ressonância magnética demonstrando uma rotura do tendão supraespinal

 

Por que os pacientes diabéticos têm maior chance de ter estas duas doenças?

O excesso de glicose no sangue provoca alterações no metabolismo dos tendões e da cápsula articular do ombro.

A diabetes provoca uma diminuição do número e um afilamento das fibras de colágeno do manguito rotador, o que diminui sua resistência e pode levar a rotura destes tendões.

Em relação a capsulite adesiva, os motivos não são totalmente conhecidos. Acredita-se que a glicose se liga as fibras de colágeno da cápsula articular causando um enrijecimento da mesma. E pacientes diabéticos têm uma maior produção de substâncias inflamatórias nas células adiposas do corpo que provocam a inflamação e a rigidez do ombro congelado.

Como prevenir estas doenças?

As complicações do diabetes mellitus podem ser evitadas com a dieta, prática de atividade física e uso dos hipoglicemiantes orais ou insulina. Um bom controle glicêmico é fundamental.

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Visite frequentemente seu endocrinologista e ao apresentar qualquer sintoma de dor no ombro, procure um ortopedista especialista em ombro.

Capsulite adesiva (ombro congelado)

O que é capsulite adesiva ou ombro congelado?

capsulite adesiva

É uma doença que acomete o ombro caracterizada por dor, especialmente a noite e perda progressiva da movimentação. Ocorre mais frequentemente em mulheres. A faixa etária mais acometida é dos 40 aos 60 anos de idade.  A capsulite ocorre por fatores genéticos e metabólicos, mal compreendidos atualmente.  É mais comum em diabéticos e pacientes com alterações do funcionamento da tireoide. Mas, felizmente é uma doença autolimitada, isto é, têm cura mesmo sem tratamento.

A capsulite ocorre por uma inflamação na cápsula articular do ombro, seguida por um enrijecimento da mesma com limitação dos movimentos do ombro.

 Capsulite Adesiva

A) ombro normal B) ombro com capsulite adesiva

Quais são os sintomas e a evolução da capsulite?

O curso clínico da capsulite adesiva consiste em três fases, sendo que o ciclo total de duração da doença pode durar de 12 a 36 meses. Entretanto, estudos demonstram que pacientes que procuram atenção médica assim que os sintomas aparecem, recuperam-se mais rapidamente.

Primeira fase (inflamatória): o paciente apresenta dor difusa no ombro, de surgimento gradual e que progride durante semanas até meses. Frequentemente, a dor piora a noite.

Segunda fase (congelamento): a dor diminui de intensidade, sendo mais comum na movimentação do ombro. O paciente descreve dificuldade com as atividades diárias por uma restrição na movimentação do ombro, não consegue pegar objetos em pratileiras altas, pegar uma carteira no bolso de trás da calça, prender o sutiã, entre outras. Esta fase dura de 4 a 12 meses.

Terceira fase (descongelamento): Essa fase prolonga-se por semanas a meses e, com o retorno gradual da movimentação do ombro, a dor diminui.

Muitas vezes, o retorno total da movimentação não é possível, embora muitos pacientes sintam subjetivamente algo próximo do normal.

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito principalmente pela história e exame clínico. Exames laboratoriais e de imagem muitas vezes não ajudam no diagnóstico. Apenas radiologistas experientes conseguem através de uma ressonância magnética identificar esta doença, identificando o processo inflamatório e o aumento da espessura da capsula articular. Infelizmente muitas vezes os pacientes ficam por meses tratando seu problema como tendinite ou bursite no ombro, quando o diagnóstico correto é de capsulite adesiva.

cápsula articular

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*Cápsula articular com sinais inflamatórios e com aumento da espessura

Quais são outros diagnósticos que podem causar limitação da movimentação do ombro?

  • Lesões do manguito rotador – pela ressonância magnética ou ultrassom pode ser identificada;
  • Artrose do ombro – pelo Rx facilmente por ser identificada;
  • Tendinite calcária – também pode ser identificado o depósito de cálcio pelo RX.

Como é o tratamento?

Felizmente, a capsulite adesiva é uma doença com cura espontânea, mas isto não significa que não deve ser feito nenhum tratamento. Na fase inicial da doença (inflamatória), analgésicos, antiinflamatórios e compressas de gelo são a base do tratamento. Nesta fase, o paciente precisa mais do que tudo melhorar a dor e controlar a inflamação, enquanto alongamentos excessivos podem inclusive piorar os sintomas, aumentar o processo inflamatório e a duração da doença. Ainda nesta fase, medicamentos da classe dos corticoides, administrados tanto por via oral quanto por injeções intramusculares são terapias usadas para a melhora da dor e da mobilidade.

Na fase de rigidez da doença, exercícios para alongamento e ganho da movimentação passam a ser primordiais. O acompanhamento desses exercícios por um fisioterapeuta costuma evoluir com melhores resultados.

Mais de 90% dos pacientes melhoram com o tratamento não cirúrgico.

Uma pequena parcela dos pacientes, mesmo fazendo exaustivamente o tratamento fisioterápico não conseguem ganhar movimentação no ombro e são candidatos ao tratamento cirúrgico.

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Como é o tratamento cirúrgico e quando está indicado?

Quando a rigidez e diminuição dos movimentos do ombro persistem, apesar do tratamento fisioterápico por um período prolongado, a cirurgia está indicada. Importante salientar que a cirurgia só deve ser realizada quando o paciente já passou da fase inflamatória da doença, quando os sintomas de dor já melhoraram e a principal queixa é a rigidez do ombro.

Quando indicado, o procedimento cirúrgico é realizado por uma técnica minimamente invasiva chamada artroscopia do ombro. Nesta técnica, a cápsula e outras estruturas espessadas e contraídas são visualizadas e liberadas, e o paciente tem um ganho imediato da movimentação. Após a cirurgia, porém, para evitar que a cápsula cicatrize de maneira contraída, uma boa fisioterapia torna-se necessária.

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