Rotura do tendão supraespinal

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O manguito rotador é um conjunto de tendões do ombro. Ele recobre a cabeça do úmero, abaixo do músculo deltóide e nos torna capazes de levantar objetos, rodar o braço, arremessar uma bola e realizar diversas atividades da vida diária com os membros superiores. O tendão supraespinal é responsável pelo movimento de elevação do ombro e cerca de 80% das roturas do manguito rotador, envolvem este tendão.

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Rotura do tendão supraespinal

Quais são os sintomas da rotura do tendão supraespinal?

A dor está presente na grande maioria dos casos. Ela é localizada principalmente na região lateral ou anterior do ombro. Os pacientes comumente referem que a dor é pior a noite ou ao levantar o braço.
Outro sintoma muito comum é a perda de força ou movimentação do ombro que comumente ocorre em lesões de maior tamanho.

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Localização da dor nas roturas do supraespinal

Quais são as causas da rotura do tendão supraespinal?

As roturas do supraespinal podem ser traumáticas, após acidentes no esporte, automobilísticos ou após queda da própria altura. Entretanto, as roturas comumente são de origem degenerativa, ou seja, ocorre um enfraquecimento e diminuição das fibras de colágeno dos tendões. Este fenômeno leva a uma rotura lenta e progressiva dos tendões.
As causas para estas alterações degenerativas são múltiplas, entre elas temos as doenças reumatológicas, o diabetes, a hipertensão arterial, esforços repetitivos com os membros superiores e fatores genéticos.

Como é feito o diagnóstico?

A ressonância magnética é o melhor exame para o diagnóstico da rotura do tendão supraespinal. Permite avaliarmos a presença ou não da lesão, o seu tamanho e localização. Auxiliando na programação do melhor tratamento.

O ultrassom também permite o diagnóstico destas lesões mas com uma acurácia inferior à ressonância magnética, pois depende muito da experiência do medico radiologista. Um achado no ultrassom compatível com rotura do tendão supraespinal é um tendão heterogêneo com focos de descontinuidade das fibras preenchido por líquido.

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Rotura transfixante do supraespinal visualizada na ultrassonografia (A) e na ressonância magnética (B)

Quais são os tipos de rotura do tendão supraespinal?

As roturas do tendão supraespinal podem ser classificadas pelo tamanho: pequena (menores que 1 cm), médias (de 1 a 3 cm), grandes (de 3 a 5 cm) e extensas (maiores que 5 cm). As lesões menores possuem melhor prognóstico de cicatrização com o tratamento cirúrgico. O que torna importante o diagnóstico e o tratamento precoce.

Elas também podem ser classificadas pelo grau de acometimento da espessura do tendão. Podendo ser as lesões parciais, quando não ocorreu rompimento de toda espessura do tendão, ou completa (transfixante).
Outro aspecto importante avaliado pelo médico é a atrofia ou degeneração muscular que pode ocorrer nas lesões crônicas do manguito rotador.

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Rotura parcial do supraespinal (A) e rotura completa ou transfixante do supraespinal (B)

Qual é o tratamento para o rotura do tendão supraespinal?

O melhor tratamento destas lesões depende de uma série de fatores como: idade, intensidade da dor, perda da função e atividade profissional ou esportiva do paciente. Outro aspecto relevante é o tamanho do acometimento da rotura. A lesão é parcial ou completa?
Portanto, o tratamento deve ser individualizado para cada paciente. As lesões dos tendões não cicatrizam sozinhas. No entanto, nem todas as lesões precisam de cirurgia.

Qual o tratamento para a rotura parcial do tendão supraespinal?

A rotura parcial do tendão supraespinal é geralmente tratada sem cirurgia.  Utilizamos medicações antiinflamatórias, repouso, gelo e indicamos o tratamento fisioterápico com o objetivo de reduzir a dor, melhor o alongamento do ombro e fortalecer a musculatura. Evidentemente que as lesões dos tendões não cicatrizam mas podem ficar estáveis e assintomáticas por longo período. A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador com reabilitação, corretamente feito por 3 a 6 meses, falha, ou seja, quando o paciente mantém dor e a disfunção.

Qual o tratamento para a rotura transfixante do supraespinal?

Nas lesões completas ou transfixantes, a regra é o tratamento cirúrgico para a maioria dos casos. As lesões completas podem progredir de tamanho ao longo do tempo e quando uma lesão progride muito, ela pode se tornar irreparável, ou seja, mesmo com a cirurgia o tendão pode não retornar ao seu local de origem ou mesmo ter um risco altíssimo de rerotura. O tratamento não cirúrgico é reservado para pessoas com baixa utilização dos ombros (idosos não ativos) ou pessoas com contraindicações clínicas para o tratamento cirúrgico.  No entanto, se o paciente tem pouca ou nenhuma dor, a conduta pode ser não cirúrgica, realizando-se uma reabilitação adequada, evitando-se movimentos com o braço elevado e realizando um seguimento médico periódico para avaliar se há progressão da lesão ou piora dos sintomas. Para saber mais sobre o tratamento cirúrgico das roturas do tendão supraepinal, leia o artigo Cirurgia para reparo do manguito rotador.

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Reparo do manguito rotador

Procure um especialista de ombro e cotovelo, para um diagnóstico preciso e discutir as opções de tratamento.