Esclareça suas dúvidas. Aqui você encontra as informações importantes sobre o diagnóstico e tratamento das principais doenças do ombro. Saiba mais sobre as lesões do manguito rotador, capsulite adesiva, tendinite calcária e luxação do ombro, entre outras.

Lesão do bíceps no ombro

O músculo bíceps está na região anterior (frente) do braço. Ele é responsável por dobrar o cotovelo e girar o antebraço, colocando a palma da mão para cima.  O músculo bíceps é formado por duas porções: a cabeça curta e a cabeça longa do bíceps. Lesões da cabeça curta são extremamente raras, mas o acometimento da cabeça longa é frequente, sendo causa comum de dor no ombro. Frequentemente os distúrbios do bíceps estão associados a lesões do manguito rotador.

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Por que ocorrem as lesões do bíceps?

Em muitos pacientes, o tendão do bíceps sofre uma ruptura pois apresenta um processo inflamatório crônico. Nestes pacientes encontramos uma história prévia de dor no ombro. Nos praticantes de musculação, a ruptura do bíceps está associada ao uso de anabolizantes. Com o tendão enfraquecido, ao realizar um esforço como levantar um objeto pesado, o tendão da cabeça longa do biceps pode romper-se completamente.  A cabeça curta do biceps mantém-se integra o que permite que os pacientes mantenham a movimentação do cotovelo.

Quais são os sintomas da lesão do bíceps no ombro?

Os pacientes referem dor súbita na região anterior (frente) do ombro. Após alguns dias, podem apresentar um hematoma no braço. É comum a perda de força transitória para dobrar o cotovelo e virar o antebraço colocando a palma da mão para cima.

Após algumas semanas, diminuindo o inchaço da lesão é perceptível uma deformidade com um abaulamento na região anterior do braço (sinal do Popeye).

Lesão do biceps com sinal do Popeye

Lesão do bíceps com sinal do Popeye

Quais exames de imagem são importantes para o diagnóstico?

As lesões do bíceps são fáceis de serem identificadas pelo exame clínico, mas devemos em todos os pacientes com suspeita de lesão do bíceps pedir uma ressonância magnética do ombro para verificar se não houve uma lesão do manguito rotador associada.

Ressonância magnética demonstrando ausência do biceps no ombro pela ruptura

Ressonância magnética demonstrando ausência do bíceps no ombro pela ruptura

Qual o tratamento das lesões da cabeça longa do bíceps?

Na maioria dos pacientes, a dor e a fraqueza para dobrar o cotovelo é temporária.  E a deformidade no braço pode não incomodar alguns pacientes, principalmente os mais idosos e com menor atividade física. Nestes casos, o tratamento não cirúrgico com gelo, antiinflamatórios e fisioterapia é suficiente.

Para pacientes mais jovens e ativos, o tratamento cirúrgico pode ser indicado.  O procedimento realizado é a tenodese do bíceps. A tenodese possui diversos métodos e locais de fixação, não havendo consenso entre os ortopedistas qual o melhor método. A fixação do tendão pode ser realizada através de túneis transósseos e fios de alta resistência, parafusos de interferência ou âncoras.  As complicações desta cirurgia são raras. Após a cirurgia, o ombro pode ser imobilizado temporariamente com uma tipoia. A cirurgia bem sucedida pode corrigir a deformidade do músculo, retornar a força e função do braço.

O tratamento cirúrgico também está indicado para os pacientes com lesão do manguito rotador associada.

Tenodese da cabeça longa do bíceps

Tenodese da cabeça longa do bíceps

 

Osteólise da clavícula distal

A clavícula na sua porção mais lateral juntamente com a escápula forma a articulação acromioclavicular. Esta articulação é protegida por fortes ligamentos e tem pouca movimentação. Quando submetida a esforços repetitivos e com muita carga pode desenvolver a osteólise da clavícula distal. Comum em praticantes de musculação e atletas de arremesso de peso, halterofilismo ou rugby. Pode ser encontrada também em pacientes que realizam atividades profissionais que exijam esforços repetitivos com os ombros.

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O que é a osteólise distal da clavícula e como é feito o diagnóstico?

A osteólise distal da clavícula  é como uma fratura de stress no qual o osso submetido a esforços repetitivos entra em fadiga perdendo seu componente mineral e a capacidade de suportar carga. É uma das causas de dor em atletas. O mais comum é acometer pacientes antes dos 40 anos de idade. O paciente se queixa de dor no ombro e a característica principal é a dor quando palpamos a articulação acromioclavicular. A radiografia  é capaz de confirmar o diagnóstico. Sendo o exame de ressonância magnética mais eficaz no seu diagnóstico. Na ressonância magnética encontramos uma edema importante nos ossos que compõem a articulação acromioclavicular : acrômio e a clavícula distal.

 

Ressonância magnética demostrando osteólise da clavícula – corte coronal (A), corte axial (B)

Ressonância magnética demostrando osteólise da clavícula – corte coronal (A), corte axial (B)

Como é o tratamento?

O tratamento envolve diminuição das atividades que ocasionaram a lesão, gelo, antiinflamatórios e tratamento fisioterápico. A reabilitação envolve alongamento dos músculos peitorais e da cápsula posterior dos ombros e na sequência o fortalecimento dos músculos do manguito rotador e paraescapulares (serrátil anterior, trapézio e romboides).

Quando o tratamento não cirúrgico é pouco eficaz, o tratamento cirúrgico é indicado. Preferimos o procedimento de ressecção do terço distal da clavícula por meio da artroscopia.

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Artrose e luxação esternoclavicular

O que é a articulação esternoclavicular?

A articulação esternoclavicular conecta a clavícula ao tronco. É formada pela extremidade proximal da clavícula e o esterno. Esta articulação possui pouca estabilidade óssea e depende dos fortes ligamentos que a circundam para permanecer estável.

Articulação esternoclavicular (seta)

Articulação esternoclavicular (seta)

O que é a luxação esternoclavicular?

A luxação esternoclavicular é a perda do contato normal entre as superfícies articulares da clavícula e o esterno. Ocorre frequentemente em acidentes de trânsito ou atividades esportivas. É uma lesão rara, correspondendo a 3% das luxações do ombro. Conforme o desvio da clavícula em relação ao esterno pode ser classificada em anterior ou posterior. No primeiro tipo, a clavícula está para frente em relação ao esterno e no segundo tipo para trás.

Luxação esternoclavicular anterior e posterior

Luxação esternoclavicular anterior e posterior

Como é feito o diagnóstico da luxação esternoclavicular?

Além dos sinais clínicos de dor, edema e deformidade na região da articulação esternoclavicular.

 

Luxação esternoclavicular com deformidade aparente

Luxação esternoclavicular com deformidade aparente

A tomografia computadorizada ajuda no diagnóstico e no planejamento do tratamento. Este exame também auxilia o ortopedista a diferenciar a luxação esternoclavicular das fraturas da clavícula proximal e das lesões da cartilagem de crescimento

 

Tomografia computadorizada demostrando luxação esternoclavicular posterior

Tomografia computadorizada demostrando luxação esternoclavicular posterior

Como é o tratamento da luxação esternoclavicular?

As luxações agudas, com menos de 3 semanas, devem ser reduzidas, isto é, a articulação deve ser colocada no local. Este procedimento deve ser feito no centro cirúrgico, mas pode ser feito sem incisões cirúrgicas. Nos casos onde não for possível a redução, deve ser tentada a redução aberta, onde são realizadas incisões cirúrgicas.
A luxação esternoclavicular crônica anterior com mais de 3 semanas, deve ser tratada não-cirurgicamente, com fisioterapia e medicamentos. Alguns pacientes, principalmente os mais idosos, podem ter uma função do ombro normal e com sintomas mínimos. Por sua vez, as luxações esternoclaviculares crônicas e posteriores são mal toleradas pelos pacientes, a clavícula luxada posteriormente pode levar a compressão de importantes vasos sanguíneos ou das vias respiratórias. Pacientes sintomáticos devem ser tratados cirurgicamente.

Como é o tratamento da luxação esternoclavicular crônica?

As luxações crônicas são reduzidas pelo método aberto, com incisões cirúrgicas. Para manter a articulação estável, é necessário realizar uma reconstrução ligamentar utilizando enxertos de tendão, como nas reconstruções ligamentares do joelho.

Legenda: Reconstrução da articulação esternoclavicular

Reconstrução da articulação esternoclavicular

O que é artrose (osteoartrite) esternoclavicular?

É o desgaste da cartilagem das superfícies articulares da clavícula e do esterno. É mais comum em pessoas idosos. Caracteriza-se por dor e inchaço na região esternoclavicular. O diagnóstico pode ser confirmado através de uma ressonância magnética. A maioria dos pacientes melhora dos sintomas dolorosos com gelo, antiinflamatórios e tratamento fisioterápico. Eventualmente pode ser realizada uma infiltração com corticoide.

Legenda: Artrose esternoclavicular

Artrose esternoclavicular